O corpo à mesa

Dei por mim neste fim de semana a jantar numa mesa de cirurgiões.
(ora se não me falham as contas 7 cirurgiões, 1 radiologista e 1... qq coisa - 9 médicos + EU)
Ora o que fazia eu ali? Às vezes conversava, e outras... observava!!!
Do que vos quero falar - da forma como os vi falar do corpo!
É que eu estava mesmo interessada. Não no que diziam exactamente, mas na forma como o faziam! Sem pudor! Com respeito mas sem pudor!
É que nós, os comuns mortais, não falamos assim do corpo dos outros. Ou do nosso! Há um interdito, uma moralidade, que nos faz ter esse pudor em falar do corpo.
Mas para aqueles 9, que ali estavam à mesa comigo, o corpo é outra coisa.
O toque é para eles fácil. Não há partes intocáveis.
E não pude deixar de me perguntar, onde fica então o mistério do corpo do outro?
E de pensar para mim, como é preciso ser capaz de rir, de fazer paródia, com os males dos outros, pois o preço de não o fazer é ter de arcar com uma angústia crua, mortífera, essa sim indizível.
Não os invejo, mas foi com muito interesse que os fui ouvindo e pensando!









