sexta-feira, maio 30, 2014
quarta-feira, maio 28, 2014
(parêntesis) ou Baloiço!
Perdida no espaço i-imenso.
Foi como muitos se lembram (ou não) a minha imagem de perfil durante muito tempo.
Só consegui dar com ela numa das vossas caixas de comentários de há muito tempo!
Escrever aqui é como andar de baloiço!
Um prazer!
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Boop
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11:49 da manhã
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segunda-feira, maio 26, 2014
sábado, maio 24, 2014
Nota autobiográfica - ou os Psis na vida de uma Psi
Mas na verdade, dos primeiros, mal deu por eles!
O primeiro de traços já muito diluídos na memória, passou por ela aos 5 anos, recorda um senhor mais velho (na verdade não teria mais de 35/40 anos, mas ao olhar de uma criança…) redondinho, algo careca - objectivo: avaliar a hipótese de entrar com 5 anos para a escola primária. E lá fui!
O que me fez estar com 13 anos no 9º ano a fazer exames psicotécnicos - Psi nº 2!
Desta psicologa cujo nome não me recordo, guardo dois momentos: o primeiro o ter sido, em conversa com ela, a primeira vez que se me pôs a hipótese de seguir psicologia. (bem haja!)
O segundo.. Bem o segundo ficou-me atravessado estes anos todos! (não que me tenha dado muitas dores de cabeça!) - o desenho da família!
Instrumento diagnóstico vastamente utilizado serviu também ali esse propósito.
E esse desenho de então volta e meia vem-me à cabeça. É que não desenhei uma família! Desenhei uma pessoa sozinha, um jovem, sentado debaixo de uma árvore a ler um livro. A Psi perguntou-me se não tinha tido tempo de acabar. Anuí com um sorriso tímido, mas na verdade não ia desenhar mais ninguém!
E desde então, quando se fala em desenho da família, tenho o meu desenho bem presente. Não me recordo de nenhum outro desenho meu, deste lembro-me na perfeição.
Já tive tempo, e oportunidade ao longo dos anos que me separam dos meus 13, para entender esse meu desenho.Os psis que tive depois, já adulta, num processo de auto-conhecimento e formação, ajudaram-me a entender-me e a crescer. Mas este desenho, ainda me assalta a memória de vez em quando - queria muda-lo!
Este fim-de-semana decorre o congresso da Sociedade Portuguesa de Psicanálise " Psicanálise e Família num mundo em mudança".
E perante comunicações menos aliciantes (que as há em todos os congressos) revisitei esse me desenho.
Comecei pela árvore , a mesma de há 28 anos. E reconstruí a cena. Desta vez com a "minha família de agora" - pais, dois filhos.
Mas o desenho estava errado / incompleto. Não era esta família que precisava de re-desenhar! Era a minha - a de origem. Faltava ainda um filho! - pronto! Desenha-se mais um!
Também este desenho daria aso a várias interpretações!
Mas prefiro-o ao outro!
Talvez se arrume num canto da minha memória, e que o evoque quando aqui e alí ouvir falar no "desenho da família".
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Boop
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11:47 da manhã
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segunda-feira, maio 19, 2014
Dia de Exame
Teve um sono inquieto, de sonhos fugazes, que a levaram ao pós 25 de Abril, ao inicio de tudo, ou de tanto….
Dirige a escola há tanto tempo já. Às vezes sente um cansaço enorme. Sonhou e lutou por um ensino diferente. Ama a descoberta, o encanto, a natureza curiosa das crianças, o fascínio pela arte, a filosofia, a matemática, a magia das letras e das histórias.
Mas sente-se quartada.
Quando foi que se viu obrigada a comprometer a sua ideologia de educação pelas pressões de directrizes ministeriais? Como aconteceu ser ela própria a procurar a classificação da sua escola nos famosos rankings? Porque vivem os pais obcecados com "a nota"?
Ela sabe… quem está a ser avaliada hoje é ela. São as suas escolhas. É o seu método. A sua escola, e a sua Escola. Não são as crianças.
Por isso sai cedo de casa!
Ainda tem tempo, decide ir a pé.
Demora-se a deixar-se encantar pela luminosidade da sua Lisboa. Reencontra a sua paz no reafirmar para si própria que se tem fé em alguma coisa é na forma como pensa a Educação.
Pouco a pouco os traços de angústia desta noite mal dormida vão-se apaziguando, e quando passa o portão da escola está serena. Sorri quando lhe vem à cabeça Camões "Vai fermosa e não segura…", e é com este sorriso, de quem se sabe menina e mulher, que encontra os alunos que vão hoje prestar provas.
(desenho incompleto da menina Boop, 10 anos, em véspera do seu primeiro exame)
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Boop
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10:48 da manhã
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domingo, maio 11, 2014
A casa na árvore
Ali pai e filha, perdiam a noção do tempo, brincando com as constelações, e pedindo desejos às estrelas que riscavam o céu no seu derradeiro deslumbre.
Tinham um segredo os dois. Do qual nunca falavam porque é sabido que os desejos revelados nunca serão realizados.
Cumplicidade de há muito, nascida das histórias contadas ao adormecer, daquelas que convidam a sonhos, semeando esperança e abrindo janelas para mundos por descobrir.
Um dia vão encontrar uma casa na árvore, construída sobre sólidos troncos, bem alta no meio de um bosque como o dos contos de fadas. Vão adormecer com o piar dos mochos, e embalados pelo som do vento que fará cantar as folhas das árvores. E de manhã serão banhados pelos primeiros raios de sol, num jogo fresco de luz e sombra, e descobrir os sons do bosque nesse momento único em que a vida renasce.
Ela tem a certeza que esse dia virá! Resta saber se com o Pai, ou se como um sonho partilhado à cabeceira de um filho seu num dia em que for mãe.
(fotografia de la cabane en L'air - hotel em França)
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Boop
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2:00 da manhã
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terça-feira, maio 06, 2014
Mécia
Mécia chegou agora a casa, com gestos não pensados veste os calções, t-shirt e calça os ténis. Gestos fáceis que enganam a dor de decisões difíceis.
Pensamentos e emoções atropelam-se, dispares, perniciosos, severos ou permissivos.
Vai para a rua.
Os pés pisam o alcatrão - correr: ritmo certo, cadencia, pulsação acelerada.
Os pensamentos como que se arrumam quando o corpo é rei - musculo, respiração, embate.
E pouco a pouco aceita a sua tempestade.
Redescobre-se na intensidade dos afectos. Deixa-se envolver pela cor, o timbre, a temperatura destes dias tumultuosos.
De peito aberto prepara-se para o embate. Teme e deseja este novo tempo intenso que se aproxima.
Agora…
Os pés pisam o alcatrão!
Músculo!
Respiração!
Embate!
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Boop
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1:04 da tarde
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