sábado, fevereiro 21, 2015

21 de Fevereiro



Hoje pedem-se mimos, que faço anos!
Ahahahah
:)

Beijos para todos!

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

O vento levou….

A tela do cinema encheu-se com os seus corpos num abraço.
Os meus olhos bebiam cada movimento. Sentado no escuro da sala improvisada olhava pasmado para os corpos juntos. Num misto de vergonha e excitação, ritmo cardíaco acelerado, do alto dos meus 11 anos, via o meu primeiro beijo de cinema.
Lembro-me, passados já 63 anos, como se fosse agora.
A Vivien Leigh, no seu vestido comprido, a ser tomada nos braços por um Clark Gable charmoso e imponente.
Não sabia os seus nomes, nem tão pouco o que diziam. Mas o que senti foi tão intenso que recordo ainda hoje.
O meu corpo vibrava, vivia emoções que eu desconhecia até então, sentia-me comovido, a música preenchia-me, e parecia sentir o vento, o calor e o horror de uma guerra de que eu já tinha ouvido falar. Era como se estivesse sozinho na sala, mergulhado na tela.
E havia os decotes... o peito alvo, os ombros nus, nunca tinha visto uma mulher de pele tão branca. Parecia tão macia, como o veludo da fita do chapéu da tia Adelaide, que era a coisa mais macia que eu conhecia. Ainda hoje me intriga o porque fui eu lembrar-me da tia Adelaide naquela altura.

Aquele abraço ficou gravado na minha memória e imitei-o vezes sem conta. Valeu-me mais tarde a alcunha de Gable, e emprestava-me confiança quando me aproximava cauteloso de uma mulher.
Hoje passado estes anos todos, e tantos abraços, reencontro-me com a mesma cena, antevejo com expectativa o beijo que vai acontecer e por breves momentos volto a ter 11 anos, e deixo-me inebriar mais uma vez pelos dois corpos juntos num abraço.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Nicoletta Tomas Caravia

Decidi dar tréguas aos trabalhos da Nicoletta Tomas Caravia, que foram o rosto do meu blog tantos anos.
Continuo a achá-los lindíssimos.

Bem haja quem consegue tocar-me com a sua arte!
(que isto de gostos não se discute!)

Até breve Nicoletta.
(se vos apetecer sigam o link para outros trabalhos)

domingo, fevereiro 15, 2015

Pajama Party

Pois é…
Já passa das 3 da manhã, e aqui a Boop está de serviço. Função: policia má (ou boa, não sei…)
11 meninas de 10/11 anos acantonadas na sala sem vontade nenhuma de dormir.
Finalmente acalmaram.
Acho (reforço o "acho") que já quase todas dormem…
A excitação é muita, assim como a vontade de conversar e trocar confidências.
Mas ainda não podem ficar uma noite em claro…

A filha Boop fez ontem 11 anos. E encheu a casa de amigas.
São miúdas giras, comunicativas, divertidas.
E tiveram direito a programa de crescidas! Jantar no restaurante e noite fora!
(e olhem que não é fácil arranjar mesa para um grupo de pré-adolescentes em noite de S Valentim!)


Não me lembro de alguma vez ter feito algo do género quando era miúda. Passei fériass com amigos sim, ou fins de semana, mas ter a casa cheia e ficar na conversa noite dentro… isso não.

Cabe-me a mim o papel ingrato de refrear a conversa e garantir algumas (poucas) horas de sono.
Mas como as percebo! A converseta sabe tão bem!
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Será que vou eu conseguir dormir!?!?

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Mãe - neve

A propósito deste poema de Herberto Helder


Na altura em que os dias tinham horas incontáveis e os Janeiros eram inícios de anos imensos e infindáveis, a mãe enrolava os dedos nos caracóis do meu cabelo e falava-me do mundo para mim cheio de mistérios que nos seus lábios se transformavam em estórias deslumbrantes, mágicas e às vezes terrivelmente inquietantes.
Nos braços dela, mãe refúgio, vivia o hoje.A Lua que espreitava pela janela misturava-se com ela, cúmplice e guardiã de segredos, continha em si todos os terrores, cheiros e sabores.
Sei agora que era o mundo negro da minha mãe que habitava a lua.
Impregnado do seu alfabeto, aprendi a forma como conjugava as palavras e através delas nos envolvia aos dois no seu mundo de neve negra.
Abraçava-a na noite.
O calor do seu corpo levava para longe o peso frio do futuro longínquo. O colo era eu que o dava sem saber. E sonhávamos os dois com dias de sol que nunca vieram, em que pedalávamos juntos sem rumo, e colhíamos suculentos frutos de uma vida que não era a nossa.
O Novembro chega a passos largos, e com ele o negro nos olhos da minha mãe.
Pressinto um fim que se aproxima e intuo o desmantelamento caótico da ausência dela. quero que pare! Estátua! Quero lembrar-me de todas as estórias, e esculpi-las uma a uma numa pedra preta, cor de noite e cor de mãe.
Que volte o Janeiro frio em que me engano nas palavras quentes trocadas em voz baixa, em que ainda transformo as escamas frias do teu colo de mar profundo em mundos de terra fecunda, e em que a lua guarda o teu negro, e o teu espanto nunca mais acabe pelo tempo fora.

Pensamentos soltos


Há pensamentos com vida própria!

Que de repente (e sem serem convidados!!!) se instalam na nossa cabeça.
E teimosos ficam!
Como que num desafio: "Então? O que vais fazer comigo?"
....
Teimosos!

:)

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Despedida

"Meu querido,

Parto hoje à pressa sem tempo de te ver uma última vez.
Confio que aqui voltes, e que encontres a minha carta. Se me procurares em algum lugar será aqui. E vais procurar-me! É insuportável para mim a ideia de te saber perdido, a pensares que simplesmente virei costas e parti. E ao mesmo tempo sei que é por cobardia que não fui ao teu encontro, não saberia despedir-me.

Sei que  sonhaste tudo o que eu sonhei para nós e nunca foi dito por ser impossível. Sabíamos os dois que este dia ia chegar. Eu ou tu. Um de nós teria de partir.
Amei-te! Amo-te mais do que alguma vez tive coragem de dizer. Acho que nem a mim própria o disse.
Quero escrever-te tudo e ao mesmo tempo sinto as palavras pequenas para te dizer o turbilhão que me avassala.
Queria levar-te comigo, ou que me resgatasses tu numa cena de cinema e me impedisses de partir, mas sabemos os dois que isso não vai acontecer, a vida não tem nada para oferecer a nós os dois juntos. A casa perfeita, filhos, um cão e um periquito... não é para nós, pois não?
O meu amor por ti é dos que queima. Ia acabar por destruir-nos.
Consumo-me em angústia com a ideia de não voltar a ver-te. Cresce-me um buraco indizível no peito. O meu corpo perde sentido, como se fossem as tuas mãos as delimitadoras da minha pele. E ainda assim, ou talvez por isso mesmo sei que tenho de partir.
Também o sabes, não sabes?
Não irei amar nenhum outro como te amei a ti. Sei-o porque não o suportaria!


Adeus meu amor."

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Alguns dos textos que tenho publicado são respostas a desafios de um concurso de escrita criativa, caso tenham estranhado o aumento de produção…. :)



segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Pensamentos secretos

Gasto! Sinto-me gasto!
As noites insones, as preocupações, o tr.abalho, sempre o t.rabalho!
Fumo em demasia.
E estou cansado desta porra! Não quero ser este gajo.

Deixa-me começar outra vez!
Quero-te. (era isto que devia dizer-te!)
Eu sei que devias preferir ouvir “amo-te”, ou qualquer coisa parecida. Mas a verdade é que te quero! E agora estou a marimbar-me para o que tu precisas ouvir. Quero-te!
É isso, entendes-me!?
Quero-te! Ocupas a minha cabeça nos poucos intervalos que tenho, construo cenários onde vou ter contigo e sem palavras te arrebato. Não sei que dizer-te, caramba! Nem sei sequer se quero falar contigo. As palavras que imagino dizer-te, são as sussurradas ao teu ouvido se te tivesse nos meus braços, quais braços... no meu corpo, na minha pele.
E não durmo... 
Passam horas difusas de desejo e frustração. Dormito para ser assaltado por sonhos desconcertantes, onde o t.rabalho se mistura contigo e invariavelmente acabo num beco sem saída.
Devia dizer-te que te quero.
Estar ao pé de ti é tramado.
As muitas preocupações que tenho de tarefas, solicitações, prazos, clientes, ficam finalmente relativizadas e essa parte da minha cabeça sossega momentaneamente.
Mas é tortura.
Miúda, se eu te pusesse as mãos em cima...!


E tu aproximas-te de mim, com o teu ar completamente blasé, e perguntas desinteressadamente pelo que tenho feito, se tenho suspendido o t.rabalho e tido tempo para sair e divertir-me, que a vida é mais que isto.
Não tenho outra resposta possível.
Enquanto cá dentro penso em puxar-te para mim ou encostar-te contra a parede com o peso do meu corpo e dizer-te ao ouvido “quero-te!”
Digo sempre, num tom indiferente e distante: “Vai dando para o gasto.”