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| É que não gosto mesmo disto, pá! |
Aqui há uns anos, próximo do Natal, as ruas das nossas cidades, vilas e aldeias foram invadidas por estandartes com a figura de um menino Jesus. Consta que a ideia foi apadrinhada por um grupo de católicos cansados do protagonismo do pai-natal…
Objectivo: recolocar o Natal no seu devido lugar.
E parece que vieram para ficar.
Não gosto!
É que não gosto mesmo!
E não é uma questão estética - aí os gostos não se discutem!
É o que nos traz.
Um menino sozinho.
Diz-se à boca cheia, em qualquer canto beato-cristão, por mais recôndito que seja, do nosso país que o Natal é a festa da família.
Que temos na família de Belém o exemplo de família amantíssima, livre de pecado e de conflito que deve ser olhado como modelo a seguir. O amor dedicado a um bebê que nasce, independentemente do berço, o que é sonhado e valorizado, a quem é oferecido o que de melhor se tem.
Digam-me de que serve o bebê sozinho?
Símbolo da omnipotência desmedida de que se valerá sozinho a si próprio.
Diz-se e/ou pratica-se também, em qualquer lar ateu, o encontro com os demais com quem se partilham heranças genéticas.
Natal é família sim!
Mesmo que cheia de emoções, conflitos, agressividades, sexualidade.
Sim porque o dogma da virgindade foi instituído no séc VI ou VII, por interesse da igreja.
Moralidades úteis.... Para alguns propósitos...
Não há maior visibilidade para a sexualidade de um casal do que uma barriga gravidica.
(Irei ser acusada de eresia pelos meus amigos católicos - paciência!)
Família é isto tudo
Juntá-la em festejos também!
É sentar à mesma mesa os conflitos e tensões lado a lado com a esperança/desejo de que haja ainda e renovado esse lugar para o encontro, para o amor, para receber as particularidades de cada um de braços abertos, e tentar dar o nosso melhor.
Um menino sozinho não vale de nada!
Cada um de nós sozinho.... sentirá que vale muito pouco.