terça-feira, janeiro 30, 2018

Pronto! Inscrevi-me!

(acho que já sei ao que vou... espero que retire dali alguma coisa, mesmo com todos os meus "mas"!)

sábado, janeiro 27, 2018

segunda-feira, janeiro 22, 2018

No avesso do Amor

Preso entre a ombreira e a porta, na casa que outrora foi dela,  está há uns dias um envelope. Não mora aqui ninguém. Partiram todos sem deixar nova morada. A chuva que começou a cair está a pintar com grossas gotas o papel, que de branco está a passar a um cinzento azulado, diluindo as palavras. Conseguimos num exercício voyeur imaginar as palavras a contorcerem-se, a misturarem-se até não passarem de uma mancha clara e suja, sem qualquer resquício de significado ou afectos. 

("Dizias sempre que já ninguém escrevia cartas à mão..!")

Há quem diga que o amor não tem avessos. Que é belo, magnânimo, desinteressado, que por amor... Ilusões, histórias infantis, ...

Ele recorda-se amiúde, como se de fotografias animadas se tratassem, de pequenos retalhos - não fica triste nem feliz. Está apenas ocupado ainda pela presença dela. E vê-se invadido, sem qualquer aviso, por sensações intensas que lhe trazem o cheiro dela, a voz, o toque de pele macia na parte interna das coxas, a forma como ela gostava de lhe morder o lábio inferior quando o desejo crescia,...

("Dizias que me deste de ti o que mais ninguém teve, e sabes? Acreditei!")

Escreveu-lhe uma carta. Deixou-a lá, na esperança longínqua de que lá voltasse. Hoje chove, se ainda lá estiver a carta será lentamente ensopada, Ele sorri, é como se fossem as lágrimas que não lhe fez sentido chorar. São lágrimas, não as suas nem as dela, que vão acabar de vez com a história dos dois.
E ali está ele no lado avesso do amor. Ocupado de um sentir oco por o saber estéril. Um sentir sem eco. Não se pode amar sozinho.
Fotografia de Rui Bento - estação de metro Roma
O metro abranda, ainda falta uma estação para a sua vez de sair, o chiar das rodas nos carris não o arranca dos seus pensamentos, olha para a janela, e vê espelhado o seu avesso. Um amor com uma letra trocada. É isso! Um amor que ainda reconhece e ao mesmo tempo já não o é

("Meu amor, 
nunca mais te chamarei assim porque não és mais minha")

Entram pessoas na carruagem com casacos ensopados, cabelos molhados, guarda-chuvas a pingar. A carta terá o seu fim hoje. Nunca ninguém a lerá. Mas não faz diferença. Também ela o conheceu por dentro, e sabe seguramente o que ele teria para lhe dizer. Surgirá aos poucos o espaço para um novo amor que, como qualquer homem apaixonado, acreditará não ter avessos, irá mergulhar de cabeça e redescobrir-se noutros braços. 

("Ainda tens contigo parte de mim, mesmo que o não saibas, vou precisar de tempo para a resgatar, mas não penses em mim como estando virado do avesso, segue, a tua vida espera por ti")

Nem quer crer que caiu nas frases feitas. E pareceram-lhe tão suas quando as escreveu.  A carta seguramente estará desfeita neste momento. É melhor assim. Vai sair na próxima estação - Alvalade - quem sabe se o próximo amor da sua vida não será sportinguista? 


sábado, janeiro 20, 2018

Aviso!


Se alguma vez por acaso me referir a alguém ou a alguma situação como sendo "um trevo de 4 folhas", NÃO TEM NADA A VER COM ESTA MÚSICA!!!

Pronto!
Era só isto!

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Tentação à espreita...

Hoje tive de ficar em casa porque iam fazer uma entrega entre as 8h e as 14h...
Estar sozinha em casa traz consigo uma panóplia de tentações. (O leitor pensará nas suas, serão ou não muito diferentes das minhas)

Mas há dias uma pilha de roupa se vai agigantando demandando o ferro.
Tinha essa tarefa!

Tive 3 filmes por companhia.
(Filmes que o Mr Boop não veria comigo...)
Escolhidos mais ou menos ao acaso.
Línguas estranhas
Ritmos lentos (que me permitiram um olho na roupa e outro na TV)

Foram eles:





Brigth Night
Origem: Alemanha
Dois casais encontram-se num regresso ao passado. Um drama sobre os segredos, as relações, o desejo. Com um toque surreal. E uma das personagens é psicanalista... :)





Eungyo
Origem: Coreia do Sul
A história de um amor impossível entre um poeta septuagenário e uma rapariga de 17 anos, com o entusiasmo, inocência, curiosidade, da adolescência, e o renascer da força de um desejo belo e respeitador de um homem maduro.






Zero Point
Origem: Estónia
A luta pela adaptação quando a família não é porto seguro.




E depois...
... para o trabalho que a vida não é feita de filmes!

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Faço ou não faço?

Então é assim...

Apetecia-me ter um desafio ligado à escrita.
Que me descentrasse do meu umbigo e me pusesse a escrever sobre qualquer coisa que não nasça de mim. (ou não totalmente vá... que o mote seja externo)

Problema 1 - Não sei o que/onde procurar.
Problema 2 - Não tenho tempo ou horário para cursos, encontros, e afins.
Problema 3 - Não quero gastar dinheiro com uma coisa que poderia muito bem fazer sozinha se me disciplinasse.

Este Sr é o Pedro Chagas Freitas
Soluções...
Só encontrei o campeonato de escrita criativa do Pedro Chagas Freitas - AQUI

Ai....

Não gosto do PCF... (só li um livro dele - já nem sei qual, nem lá cheguei a ver a lista de livros publicados.... não gostei ao ponto de me ser completamente indiferente portanto...)

Pior!!!
Já aqui há uns anos me meti nessa cruzada... e foi um bocadinho insonsa...

Mas é bem barato.
Faz-me escrever um texto curto uma vez por semana.
E tenho feed-back do que escrevo (de pessoas a quem não reconheço grande valor...)

Estou neste dilema:
Faço ou não faço?!?

Alguém tem uma opinião?
Ou alguém quer fazer isto comigo? Sempre seria mais divertido...

Faço ou não faço?

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Há viagens na vida que valem mesmo a pena!

(e não estou a falar de barcos!)


Espreitamdo pela janela da Boop

terça-feira, janeiro 16, 2018

Sem saber o meu pai levou-me a passear 😊


O meu pai andava sempre a pé por Lisboa.
E ainda anda!
Sempre foi um homem reservado, metido com os seus jornais, revistas, telejornais e música clássica. A vida dele era-me(nos) inacessível. Eu não percebia ao certo o que ele fazia (era programador na altura em que os computadores ocupavam salas inteiras) nem me era familiar o mundo por onde andava - a enorme Lisboa, que parecia conhecer como a palma da sua mão, chamava as ruas todas pelos seus nomes, e nas raras vezes que íamos de carro até lá (vivíamos a uns 15 Km da cidade), parecia conhecer todos os caminhos, sentidos, rasteiras...

Hoje andei eu (mais uma vez) a pé por Lisboa. Ganhei o hábito de (quando tenho tempo) me deslocar a pé - desta vez da oficina ao trabalho, e depois o caminho contrário.
Quando passava ali perto da Gulbenkian num passo acelerado, que o tempo não era muito, dei por mim a pensar onde raio fui eu ganhar este gosto de me deslocar assim, a brincar comigo própria, descobrindo os caminhos mais directos entre um ponto e outro.
Pode parecer estranho mas nunca tinha ligado esse gosto/hábito ao senhor meu pai.
E este clic fez-me sorrir... Afinal sempre vou descobrindo afinidades!

Quando cheguei hoje ao pé dele disse-lhe:
- Hoje fiz como tu! Andei a pé por Lisboa!
Ele sorriu
- Parabéns Pai! - e dei-lhe um beijo - faz 75 anos hoje.


segunda-feira, janeiro 15, 2018

Há sempre mais um poema de Fernando Pessoa!


Boop - Ontem, um passeio pelo Guincho



“Na véspera de nada
Ninguém me visitou.
Olhei atento a estrada
Durante todo o dia
Mas ninguém vinha ou via,
Ninguém aqui chegou.

Mas talvez não chegar
Queira dizer que há
Outra estrada que achar,
Certa estrada que está,
Como quando da festa
Se esquece quem lá está.”

Fernando Pessoa 
In Poesias Inéditas

sábado, janeiro 13, 2018

Tão intimo e tão estranho

"O Aquário" - Carlos Farinha


"Permanecer eternamente estranhos um ao outro, permanecendo eternamente próximos: essa é a lei de todo amor, ..."
(Lou Andreas Salomé)

domingo, janeiro 07, 2018

Do alto

Boop - Serra da Estrela nos primeiros dias do ano




A paisagem é linda!
Estivesse eu com as condições para contemplar... ficar entregue aos meus pensamentos. 


quinta-feira, janeiro 04, 2018

Cartas



Tinha o hábito, todos os natais, de comprar postais da Unicef e enviar aos meus amigos as boas festas, assim mesmo à antiga, escritos à mão e pelo correio. Gostava!
Depois foram trocados pelas SMS...
Tentei sempre que fosse algo escrito por mim e não um copy/paste de uma qualquer frase mais ou menos engraçada.

Este ano...
Não me apetecia. E na verdade, agora que penso nisso, também não recebi SMSs

Decidi partilhar com os meus amigos o texto que escrevi aqui "Na Grande clareira". Só o fiz depois. Nem de longe nem de perto escrevi o texto com essa intenção. E dei por mim a selecionar criteriosamente a quem queria enviar uma mensagem natalícia com um texto meu (acho que a maioria das pessoas não sabe que escrevo num blog... ou haverá as que sabem... mas não passam por aqui... ou ainda as que passam silenciosamente).
As centenas de contactos acumulados no e-mail foram reduzidas a 95.

Destes 95 responderam-me alguns.
Foi com prazer, e até com alguma surpresa que recebi algumas das respostas.
Percebi que não tinha escrito à espera de retorno. Partilhei-me apenas.

Mas sabem...
Fazem-me falta as cartas escritas à mão.
A caligrafia. A textura. As palavras escolhidas, desenhadas... o decifrar da mensagem, e o saber que aquelas palavras tinham apenas e só um destinatário.

Há tanto tempo que na caixa do correio não vem uma carta, manuscrita, com os pensamentos de alguém.

(com a honrosa excepção dos postais que os meus pais enviam aos netos quando vão de viagem para um qualquer país deste mundo)