sábado, março 31, 2018

sexta-feira, março 30, 2018

Também os Brancos Sabem Dançar



Estive "reclusa" durante pouco mais de 24 h.
Entre 4 paredes, sem me poder mexer muito, optei por um livro (deixando a TV e o iPhone descansarem por um dia! - até as minhas últimas postagens foram escritas antes e programadas para se auto-publicarem!)

O livro que levei:
"Também os Brancos Sabem Dançar"
de Kalaf Epalanga (Sim, esse mesmo - o dos Buraka Som Sistema!)
A sugestão da menina Calíope

Dividido em 3 partes.

A primeira a meu ver muito documental, um ensaio sobre as origens de estilos musicais, do Kizomba e do Kuduro, as suas influências, os seus contextos. Não era isto que esperava. Até porque não são realmente os meus estilos de eleição (longe disso).
A segunda deliciosa. E apresentou-me um lisboa que desconheço. De ritmos africanos. De histórias entrelaçadas. 
A terceira, um olhar muito bem conseguido de como o mundo olha para os emigrantes, e de como a fragilidade nos pertence a todos - mas é mais de uns do que de outros.
Ainda bem que não desisti a meio da primeira!
O que talvez tivesse acontecido se o contexto fosse outro

Mas li-o de uma assentada!


PS - Quando fui comprar não havia nenhum do Ondjaki - mas ficou na minha lista!  

quinta-feira, março 29, 2018

Se a minha vida fosse outra...

... iria seguramente a mais concertos!


(...but then again...
há músicas que me doem e eu nem sei bem porquê.
Fazem um eco cá dentro, que me aperta o peito e me sufoca.
Não me passam pelo pensamento nem preciso atentar à letra.
sinto-as só. )

quarta-feira, março 28, 2018

Pintar

(Mais um texto escrito neste contexto)



Sentou-se num dos cafés por baixo das grandes arcadas que envolviam praça.
Não tinha o hábito de viajar assim sozinho. Um riso discreto assome-lhe aos lábios misturado com o sabor do vinho quente e frutado ao evocar o momento em que percebeu que era livre para o fazer.

Tem sessenta anos. E um punhado de mulheres que amou.
Inevitavelmente evoca-as na sua mente, uma por uma, demoradamente.
Se soubesse pintar tinha-as desenhado, a cada uma, com traços vagos pincelados a óleo na tela branca. Teria guardado de cada uma os contornos. Imortalizado as formas. Teria aprisionado com cor e textura os seus corpos nus. Assim as horas quentes, de profunda entrega, sobrepor-se-iam sempre.
Ensaia na sua cabeça o movimento do pincel, e o corpo despudoradamente solto depois do amor a renascer na tela e a pertencer-lhe para sempre.
A curva dos seios, o ventre, o redondo das nádegas.
Tê-las-ia guardado a todas se soubesse.


Imagem encontrada por aí

Começa a chover.

As cidades são bonitas quando chove, as pessoas recolhem-se e pode-se olhar para as ruas, avenidas, praças, com a mesma verdade despida. Como se revelassem a sua intimidade, sem maquilhagem, entregues.
Atenta aos sons e aos cheiros, e às tonalidades da pedra das lajes da praça que se juntam a ele neste mundo sonhado de amores pintados.

E como se nascesse do seu próprio mundo etéreo, repara na mulher que abraça a chuva no meio da praça, sem receio algum, como que embalada pela água que lhe molda a roupa no corpo, ensaia uma dança lenta e molhada, numa comunhão desassombrada, algo insolente, e tão alheia aos cânones.

A imagem dela sugere-lhe traços numa tela em branco. Levanta-se e abraça a mesma chuva que ela, e ensaia uma dança, igualmente insolente e desassombrada. E sabe que mais uma vez vai desejar saber pintar.


segunda-feira, março 26, 2018

Levezinho



Acabado de ler ontem.
É daqueles livros que se lê num instantinho, porque não faz pensar grande coisa... Não faz sentir grande coisa.... E a linguagem é simples e directa.
A história de 5 adolescentes e de um crime.
E de como eles reconstituem o que aconteceu 30 anos depois já nos seus 40's.
Best seller do momento no seu género - percebo porquê... por ser acessível a qualquer cabeça! ;)

Era o que me apetecia!
Pronto! Está lido! 

Venha o próximo!

quarta-feira, março 21, 2018

No dia da poesia... (agora sim!)

Não encontrei o poema em Português e tenho muita pena.

Porque aborda um tema sobre o qual me tenho debruçado, ensarilhado, embrulhado, desesperado, confundido... e um salva-vidas seria uma benção.
Fala sobre o que nos salva.
Do mundo, da solidão, e de nós mesmos.

(Se alguém tiver acesso a uma tradução que me a faça chegar por favor)


EL SALVAVIDAS

(Javier Velaza)


No es inútil amarse,
finalmente.
Lo mismo que amaestrar serpientes, nos exige
técnica refinada y perder la vergüenza
de actuar frente al mundo en taparrabos.
Y unos nervios de acero.
Pero amar es oficio
saludable también: su liturgia apacigua
el ocio que enajena -como supo Catulo-
y perdió a las ciudades más felices.
Bajo la cuerda floja dispone -no pidáis
una red, porque tal no es posible- otra cuerda,
tan floja, pero última
tan inútil a veces,
bajo la cual no hay nada.
Y entreabre
ventanas que te oreen la cólera y exhiban
a tu noche otras noches diferentes, y así
sólo el amor nos salva a fin de cuentas
del peligro peor que se conoce:
ser sólo -y nada más- nosotros mismos.
Por eso,
ahora que está ya dicho todo y tengo
un sitio en el país de la blasfemia,
ahora que este dolor de hacer palabra
con el propio dolor
traspasa los umbrales
del miedo,
necesito de tu amor como analgésico;
que vengas con tus besos de morfina a sedarme,
y rodees mi talle con tus brazos
haciendo un salvavidas, para impedir que me hunda
la plomada letal de la tristeza;
que me pongas vestidos de esperanza -ya casi
no recordaba una palabra así-,
aunque me queden grandes como a un niño
la camisa más grande de su padre;
que administres mi olvido y el don de la inconsciencia;
que me albergues de mí -mi enemigo peor
y más tenaz-, que me hagas un socaire,
aunque sea mentira
-porque todos es mentira
y la tuya es piadosa-;
que me tapes los ojos
y digas ya pasó, ya pasó, ya pasó
-aunque nada se pase, porque nada se pasa-,
ya pasó,
ya pasó,
ya pasó,
ya pasó.
Y si nada nos libra de la muerte,
al menos que el amor nos salve de la vida.

No dia da poesia...

.... fiz a minha primeira aula de Kickboxing!
AHAHAHAH


O que eu me diverti!
:))










segunda-feira, março 19, 2018

A sociedade dos sonhadores involuntários



Livro do  José Eduardo Agualusa terminado hoje.
Numa altura em que os meus próprios sonhos me têm perturbado, sem dar por isso peguei num livro que nos mergulha no universo onírico.
Ou teria mergulhado, se eu o tivesse permitido... Mas não deixei! Mantive-me à berma da narrativa, não me deixando embrenhar pelas ideias e tornando a leitura mais superficial.
O Agualusa presta-se a esta leitura leve, se for esse o desejo do leitor. E se há coisa que eu não preciso agora é de "over thinking" sobre os meus sonhos.

Ainda não sei o que vou ler a seguir!

PS - seja como for fala-nos do mundo onírico numa Angola cuja política não se presta a sonhos.



Caxias - hoje



Espuma!

Há uma revolta estéril (por não saber o que fazer com ela) quando vejo o mar assim. (ou rio, ou seja lá o que for)
Somos mesmo uma praga!
Não sei se são resíduos da poluição do Tejo lá mais para cima, em Abrantes, ou se se deve a uma qualquer descarga aqui bem mais perto.
Fico triste. 
Constato a inaptidão da espécie para cuidar dos seus recursos. 

.... nem sei o que dizer!

PS - ou talvez seja apenas espuma marinha, como diz a Fatyly!


sábado, março 17, 2018

Kazuo Ishiguro II




Lido!
E gostei! 
(Mais do que do "O Gigante Enterrado")
Muito bem escrito.
Achei delicioso o discurso obsessivo, tão fidedigno, tão real! Dei comigo a rir sozinha com algumas passagens do livro.

Nunca vi o filme, de qualquer forma fui contaminada pela figura do Anthony Hopkins, e foi ele que encarnou o personagem que acompanhei no folhear das páginas. Mas acabou por ser muito boa companhia.
Fiquei curiosa para ver o filme. 
Quem sabe um dia destes...



sexta-feira, março 09, 2018

quarta-feira, março 07, 2018

Mais uma vez...



Há sitios no mundo onde a maioria de nós escolheria não estar.
Lugares onde não há lugar para a poesia, onde as canções se calam, e os sonhos que prevalecem vão buscar alimento a uma inocência aparentemente há muito perdida, permanecem por teimosia.
Nas mãos das crianças há metralhadoras. Nas casas abandonadas explosivos à espera de um toque para detonarem. Em todas as famílias se conhece o sabor e o cheiro da perda. Os desaparecidos são às centenas, e todos os dias "mães desespero" procuram pelos filhos entre mortos e feridos.

Ele parte hoje mais uma vez.

Eu...
Eu permaneço na ambivalência em que estive em todas as vezes que rumou para partes do mundo incertas.
O saber que é nobre no propósito. Que como profissional fará a diferença. Que com a sua capacidade de olhar para o outro, de brincar nas situações mais difíceis, vai seguramente arrancar sorrisos dos rostos mais sofridos, levar um brilho de esperança. Que saberá, com a mestria do seu estar simples e cordato, pôr equipas a trabalhar no terreno nas condições mais adversas. E como tudo isto lhe sairá das entranhas, que terá de gerir angústias para mim inatingíveis que tentarei mitigar de longe nos poucos minutos diários de skype.
Por outro lado... não consigo evitar o sentimento de abandono. Da escolha feita. Do assumir o risco que corre. De ficar em mãos com o que escolhemos ser dos dois e não de um só.

Nunca lhe direi para não ir.
Nunca deixarei de preferir que não fosse.

Porque hoje precisava de algo incrivelmente "naíf"

terça-feira, março 06, 2018

Manhãs






Tenho ido quase todas as manhãs até à beira mar. Mais para a Esq ou mais para a Dta, aproveito os meses que moro a dois passos da praia.
Acho que procuro nele, no mar, a compreensão da grandeza das coisas. Ou a minha insignificância se preferirem. O contraste entre ele e eu. Desiguais no impacto, na permanência, no fascínio.
Tenho pena que as manhãs tenham sido de maré baixa, é que me tem feito falta a força, a avidez, o destemperamento, a irreverência das águas, para poder complementar a minha aparente tranquilidade, equilíbrio, temperança.
Somos feitos de tantas coisas. De tantos encontros e desencontros. De tantas experiências. De tantos afectos. De tantos papéis que desempenhamos na vida. E de tantos momentos.
Os momentos.
Pensava nos momentos em que permito que me vejam desarrumada. Tão poucos, mas tão preciosos. São tão poucas as pessoas que mereceram que partilhasse afectos confusos (confusos apenas por não estruturados e organizados, mas claros no que comunicavam). De angústia, de ansiedade, de zanga, de riso descontrolado, ou até de prazer.
Essas pessoas também se tornaram matéria daquilo que sou feita. Entram nos meus sonhos e nos meus pesadelos, são referências em novas situações, moldam-me para além daquilo que consigo inteligir.
Mas o mar permanece.
Igual a si mesmo
Indiferente à acção humana.
Sem se deixar moldar. Sem mudar a sua essência.
Contemplo a sua independência, a seu temperamento implacavelmente indiferente à vontade seja do que for.
Não queria ser assim. Acarinho todos os meus momentos. Mas sabe-me bem este contrabalanço com a força bruta da natureza, que reposiciona, pelo menos naquele instante, o peso e o lugar das coisas.

E depois....
...volto sempre ao meu lugar.

domingo, março 04, 2018

quinta-feira, março 01, 2018

A tua Luz Fantasma

Não posso dizer que foi com surpresa que recebi a noticia que tinhas editado um livro. Não que estivesse à espera, não é isso! É que não fazes parte dos meus dias há já um par de décadas e perdi o rasto aos teus projectos.
Na verdade não sei se realmente lhes tive acesso alguma vez. Sempre foste algo fugidio, com a tua timidez disfarçada, e homem de afectos contidos. Mas de afectos! (ou será isto apenas uma projecção minha, de quem se dava tanto dando aparentemente tão pouco?)
Mas fazes parte da minha história de forma indelével (gosto muito desta palavra - indelével - algo que não se pode apagar ou fazer desaparecer). Daqueles anos últimos de adolescência tardia em que nos fazemos homens e mulheres. Em que aprendi a ser quem sou hoje. E tu e a T são uma marca que acarinho, preservo, nutro. 
Já tive oportunidade de te dizer que li este livro como nenhum outro. É que conheço bem a tua voz (que não oiço com regularidade há mais de 20 anos) e foi ela que me acompanhou num folhear sem pressas. Reconheci-te em todas as palavras, mesmo nas histórias que me surpreenderam
Às vezes senti-me a espreitar pelo buraco da fechadura, Voyeur da tua intimidade, em lugares a que um amigo não teria acesso. Mas já não temos 20's, temos 40's... e a vida já se encarregou de nos mostrar que o prazer e o amor, andando ou não a par e passo, são o que fazem os dias ter textura, sabor e cor.
Tive amiúde dificuldade em desligar-me de uma história e mergulhar rapidamente noutra. Mais que uma vez recomecei, depois de me obrigar a despedir-me das personagens e afectos das páginas anteriores.
Outras, são como as letras das tuas músicas.
Queres saber que histórias me surpreenderam?
Imagino que sim. " O homem que não consegui controlar a intensidade da sua voz" por exemplo. Ou a "Viagem de autocarro". Surpreendeu-me que brincasses, muito mais do que a intensidade com que consegues descrever afectos - e por isso não me surpreenderam, mas contagiaram-me com tristeza ou urgência, ou ansiedade, histórias como "Janelas de Orchha", "Restos de ti", "Viagem", ...
Gostei muito de te lêr.
Sei que gostavas de uma crítica.
Disseste-me que querias a "minha critica". Fizeste-me sentir que valeria mais do que outras (sim, também tens o teu toque sedutor).
Não sei criticar-te.
O que te sei dizer é isto que escrevi. E tenho pena de ter perdido outras ideias que me foram surgindo enquanto te lia. 

(E confesso-te um sentimento mais intimo de uma certa inveja. Ri-me de mim mesma perante tal constatação!)