domingo, julho 29, 2018

Olhares alterados pelos afectos





De volta a paisagens conhecidas, mas toldadas por histórias de muitos e muitos anos (mais de metade da minha vida).
O que vemos está inevitavelmente impregnados daquilo que somos.


sábado, julho 28, 2018

Fogo contra o fogo

Haja ousadia e criatividade.
(Tendo em conta que o acto criativo é possível apenas porque se domina a teoria e o know-how).

O engenho humano que torna possível usar novas respostas para problemas antigos.

Isto a propósito do uso de bombas no combate aos incêndios na Suécia .
A notícia AQUI

segunda-feira, julho 23, 2018

Pensamentos à solta

Hoje é um daqueles dias em que o pensamento se enrodilha numa nuvem encardida. Seria mais impactante poder descrever uma nuvem densa, eléctrica, impenetrável de um cinzento de aço raiada a prata. Mas na verdade nada de tão magnifico se passava.
A cabeça fica de repente despojada dos seus fieis hospedes. Milhões de trocas eléctricas parecem ficar com a actividade reduzida ao essencial e apenas os comportamentos mais rudimentares são efectuados com exactidão.
Os pensamentos aparecem apenas de passagem. Como se não se quisessem demorar. Deixam uma ideia, adivinha-se um filão, surge uma imagem, mas quando se tenta elaborar, associar, construir uma narrativa, pluf... já não estão lá. As palavras, como abstracções que são, pertencem à clareza inacessivel! Não podendo dizer que a cabeça esteja vazia, diria que terá talvez portas e janelas abertas, e que não estando bem arrumada e aprumada não se torna convidativa para esses pensamentos que tanto gosta se queiram instalar e medrar. Incapaz de organizar uma história, real, filosófica ou simplesmente especulativa, limita-se à vivência indefinida da passagem das horas.
E um pensamento algo infantil parece agarrar-se à ombreira da porta antes de se lhe escapar por completo: "Para onde irão todos esses pensamentos?"

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É sabido há muitos séculos que a sabedoria não se possui. Essa ideia só por si é a antítese da verdadeira sapiência. Nenhum homem verdadeiramente sábio afirmou alguma vez ser dono de uma ideia ou ter sobre ela algum domínio. Um pensamento é uma construção que só cresce e se desenvolve quando exposta às intempéries do confronto, e será sempre uma obra inacabada

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Um pensamento entrou pela janela mas vendo a porta aberta saiu de mansinho..
Apanhou uma corrente de ar quente e subiu, subiu... ao contrário de Ícaro (que não conhecia ainda bem as leis da física) à medida que subia ia ficando mais compacto e frio, e por isso mesmo mais claro e transparente, até se transformar numa ínfima pedra de gelo (que como sabem os pensamentos quanto mais grandiosos menos espaço ocupam).
E assim, pequeno, límpido e brilhante se despenhou sobre a terra, transformando-se em chuva miúda.
Quis a sorte que fosse cair bem em cima de um dos seres mais antigos e perfeitos!
Uma enorme árvore secular, aparentemente indistinta das restantes árvores da floresta, que com aparente indiferença o recebeu nas suas folhas, o acolheu, e o integrou tornando-o parte constituinte de si própria.
Há naquela floresta várias árvores como esta. Prenhes de pensamentos, pensamentos de todos os géneros, sem idade, sem género, sem cor, sem religião, sem moral. Pensamentos que buscam pensadores, e estão atentos aos caminhantes que de quando em vez por ali passam. E quando podem, às vezes sem pedir licença, apanham boleias nas mentes livres, e constroem na teia indecifrável da alma humana, encadeamentos únicos, narrativas singulares, ideias novas, até serem libertados de novo, completamente transformados, para reiniciarem o ciclo da sua existência.




Caminho de Santiago - Árvore na Via da Plata - em San Cristovo de Cea (Junho 2018)

PS - Deveriam na escola ensinar o ciclo dos pensamentos, da mesma forma que ensinam o ciclo da água, do carbono, do oxigénio, ..?

quarta-feira, julho 18, 2018

Virar de página


O menino Boop está a terminar um ciclo. Reflectiamos juntos aqui há dias que na verdade esta escola é a (uma) casa dele. 
Sempre se conheceu aqui. Dos 2 aos 10 anos. Não conhece outra realidade.
Está entusiasmado com a mudança e ao mesmo tempo angustiado com a perda.

Para mim é também um despedida (mas já prometi voltar para um cafezinho - que não tomo, ou um cigarro - que não fumo, mas para a conversa - sempre) fiz amigos entre professores e pais nestes 11 anos que "frequentei" a Torre. Uma escola em que se é criança por inteiro, com arte, com corpo, com música,  com filosofia, sem TPC.

Os meus filhos foram felizes aqui! 
Saem tranquilos, seguros, a saberem pensar, conversar, a respeitar os outros, as diferenças, a saberem estar. 
(vá pronto, os pais também terão alguma responsabilidade nisso)

Habituada a vê-los de cores garridas,  joelhos esfolados, e sorrisos descontraídos foi estranho até vê-los tão "uniformizados", no ambiente solene do picadeiro do antigo museu dos coches, na grande festa de final do ano. 

Já vos tinha falado em tempos do trabalho que fazem à volta do cancioneiro. O projecto deste 4º ano foi fazer um livro, ilustrado pelo Ligeiramente Canhoto, com canções
recolhidas pelo país, beber das origens, fazê-las renascer.
E que excelente trabalho fizeram!!!
O Professor de Cancioneiro, Pedro Limpo Rodrigues, não brincou em serviço!
Gravado em estúdio, com músicos "a sério", conseguiram um trabalho de grande qualidade que poderá ser aproveitado por outras escolas, no desbravar das canções de outros tempos - ou de todos os tempos!

Deixo-vos um cheirinho se quiserem ouvir:



sábado, julho 14, 2018

"porque cada velho que se extingue é uma biblioteca que morre."

Enquanto em vilar de perdizes...:


https://www.dn.pt/pais/interior/padre-fontes-o-terco-na-mao-e-o-diabo-no-coracao-9583681.html

Esta reportagem, que aconselho a ler!!, levou-me a uma série de reflexões:
- sobre as tradições
- sobre a sabedoria popular
- sobre as manipulações de quem tem "poder"
- sobre o vale tudo
- sobre o celibato
- sobre o limite da perversão
- sobre a sede de saber
- sobre a prepotência
- sobre as histórias da História
- sobre um Portugal que eu não conheci
- sobre as crenças ("legítimas" e "ilegítimas")
- sobre o ser diferente numa instituição tão rígida como a Igreja
- sobre se sob o lema do ser diferente se ultrapassam (ou não) alguns limites
- sobre os limites em si, se os há e quem os define,
- sobre.......
- .........

sexta-feira, julho 13, 2018

Hoje Vi e Ouvi






NOTA (mental) - ponderar numa próxima vez se será boa ideia ir a um festival uma semana depois de andar 120km.

sábado, julho 07, 2018

Caminho



Foi a 3ª vez que andei pelos Caminhos de Santiago.
Pergunto-me às vezes porque o faço. E há aspectos que se revelam comuns a todas as minhas reflexões:
O prazer de andar sem saber por onde o caminho me levará.
O saber que não voltarei para trás - que todo o caminho que pisar será sempre "novo"
O partilhar dias com pessoas de quem tanto gosto
O perceber os meus limites, e superar as dificuldades
O andar por vezes sozinha pelo meio de florestas e caminhos
As paragens para uns bocadillo e uma Estrella Galicia
O estar longe do mundo
O encontrar outros caminhantes, que nos fazem companhia durante um troço da viagem
O bem que um banho sabe depois de 20 e tal Km nos pés
O acordar retemperada e pronta para nova jornada
O rir
O brincar com as dificuldades

O chegar... é para mim o menos importante.

Se vos apetecer...
Oiçam: https://www.youtube.com/watch?v=Svm6Wv8NFaY

quarta-feira, julho 04, 2018