segunda-feira, dezembro 31, 2018

sexta-feira, dezembro 28, 2018

Ai !!!!

Fui à outra casa.

Vou ter tantas saudades disto!!!








Cicatrizes nas casas

Todas as casas têm cicatrizes.

De pequenos acidentes domésticos.
Uma lasca na pedra aqui porque caiu qualquer coisa, uma mancha ali de de alguma coisa que entornou, o alumínio arranhado, um risco no chão.
As cicatrizes nas casas, como as do corpo, contam uma história.
Hoje dei por mim a descobrir cicatrizes na nova casa. Na verdade não gostei delas! Fazem parte da história de outros. E enquanto umas podem ser disfarçadas ou escondidas, outras... estão bem à mostra! Humpf! 

Mas há descobertas!
E bem boas!!! :))))

Como a vista da janela da casa de banho do meu quarto esta manhã! 😃





sexta-feira, dezembro 21, 2018

É assim o Mr Boop

Típico!
Estamos nós num canto qualquer do mundo. Agora num país onde há carruagens para mulheres e a direcção para Meca discretamente assinalada num canto do teto do quarto, e...
Diz ele:
“Estás a ver esta mulher aqui ao lado na mesa? É uma enfermeira canadiana que trabalhou comigo no Iraque”
Em qualquer sítio!!! Qualquer!!! Encontra uma pessoa conhecida!




quarta-feira, dezembro 19, 2018

E de repente estava lá eu.

Já me tinha cruzado com esta informação antes - que alguns países a oriente estavam a implementar a política de carruagens só para mulheres. E que algumas delas se sentiam bastante confortáveis com a ideia.

Na altura falou-se aqui e ali sobre o assunto e lá opinei, com a minha leitura que reconheço muito ocidental, e longe das vivências históricas e culturais da mulher em várias partes do mundo.

Hoje, dei por mim a chegar a uma plataforma de metro e encontrar a informação “carruagem para mulheres e crianças” - fez-me uma impressão!!! Na verdade as mulheres podem andar na carruagem dos homens (viam-se algumas mulheres ocidentais), o contrário está sujeito a multa!
Há uma linha cor de rosa, de uns 20 cm de largura, que marca dentro do metro o território “delas”.
Alguns casais viajam “na fronteira”, ela para lá da linha rosa, ele para cá da linha rosa. E vão conversando na viagem.

Faz-me alguma confusão.




domingo, dezembro 16, 2018

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Com a pulga atrás da orelha.

A propósito da proposta do PAN:

.
(Um texto de Silvia Veríssimo, que eu apanhei por aí)

“Tenho aqui "uma pulga atrás da orelha": ou há "gato escondido com o rabo de fora" ou então temos mesmo que "agarrar o touro pelos cornos" e preservar os provérbios portugueses carregados de significado semântico. Sempre ouvi dizer que "mais vale um pássaro na mão que dois a voar" e, sinceramente, deixar voar tanta simbologia vai deixar-nos como "peixes fora de água" em algumas conversações. Vale que "cão que ladra não morde" e às vezes há mesmo que "engolir um sapo". Desculpem se estou para aqui a desbobinar "cobras e lagartos" mas eles deviam era estar "caladinhos que nem um rato" e tirar "o cavalinho da chuva", porque, "macacos me mordam", acabar os provérbios com animais é o mesmo que deixar de "falar como um papagaio", que é uma coisa que eu adoro.
Os políticos às vezes são "chatos como uma carraça" e só dá vontade de lhes gritar "vai-te embora ó melga! , vai-te encher de moscas!". Não tarda proíbem todas as histórias com bichos e até quem se apaixona fica proibido de sentir "borboletas na barriga" ou de "ir ver a foca" (esta é só para quem é de Coimbra! ). Enfim, "os cães ladram e a caravana passa".
E agora, se quiserem, partilhem, que "a cavalo dado não se olha ao dente" e embora "ovelha que berra é bocado que perde" eu não tenho medo pois "quem tem medo compra um cão".
Definitivamente, neste país, temos é que aprender a ser "espertos que nem uma raposa" para não "andarmos para trás como o caranguejo".


...e acrescento que sim, que algumas expressões irão desaparecer naturalmente. Ou ser transformadas e adaptadas a uma nova realidade com o passar dos anos. Quando as touradas fizerem parte de um passado distante, ou quando se extinguirem os papagaios. Mas nada se muda por decreto. Muito menos a voz de um povo.









terça-feira, dezembro 11, 2018

Hmmmmm... (quem adivinha o meu signo?)

(Da série: coisas completamente estúpidas que se vêem quando se está cheio de coisas para fazer até à raiz dos cabelos, e com uma inércia completamente absurda, limitativa e prejudicial ao bom andamento dos trabalhos!)

Isto parece muito sério e fidedigno!!! 
:))))


segunda-feira, dezembro 10, 2018

Demoro-me à janela.





Numa das últimas manhãs que passo nesta casa demoro-me um pouco mais à janela.
As cores são fogo, mas no ar há um rasgo frio de uma manhã de Dezembro.
Penso nas mudanças...
Penso nas resistências, e do quanto é mais fácil permanecer no recanto seguro daquilo que é conhecido.
Todo o passo para o novo tem o seu quê de precipício e de voo.
Todo o andar para a frente tem a despedida de uma vida sem retorno.

E surgido de um canto qualquer da minha memória, como que saindo de um livro que teima em ser encaixotado, visita-me um poema:

"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."


(Álvaro de Campos)


________

E depois saio com crianças, mochilas, casacos, etc, que a vida continua igual a ela própria, sem querer saber das "cores africanas" que pintam quadros nas minhas janelas.

sexta-feira, dezembro 07, 2018

Escapadela - Beautiful Boy

Hoje consegui dar um salto até uma sala de cinema.
Notem que escolho os filmes, dentro daqueles que me suscitam alguma curiosidade, de acordo com o horário que tenho disponível
Hoje dei por mim a ver o "Beautiful Boy"

Um filme de Felix Van Groeningen
A história:
Com artigos em publicações como "The New York Times", "Rolling Stone", "Playboy", "Wired" ou "Fortune", o jornalista David Sheff sente que está a viver um bom momento na sua vida. Até descobrir que Nic, o filho mais velho, se debate com um grave problema de dependência de drogas. A descoberta deixa-o chocado, pois sempre se sentiu muito próximo dos filhos, em particular de Nic. Determinado a não baixar os braços, interna-o numa clínica de reabilitação para jovens toxicodependentes. Mas, apesar dos aparentes progressos de cada terapia, o adolescente acaba por ter recaídas constantes. Com a família em ruptura, David resolve investigar a fundo a toxicodependência pois acredita que, se compreender o problema em todas as suas dimensões, poderá encontrar a solução para o seu filho.

Na verdade ODIEI!
O filme está bem feito admito.
Mas deixou-me angustiada, sem esperança alguma. E acho que é esse mesmo o objectivo do filme. Alertar para o beco sem saída-
Não precisava de o ter visto!


Teve uma coisa boa... relembrar-me a música do John Lennon




quinta-feira, dezembro 06, 2018

Sto Antão

Do Mindelo avista-se a majestosa ilha em frente. Uma força bruta que rompe do mar e se ergue alta rasgando o céu.

Tão perto.
Mesmo (quase não) tendo pouco tempo não quis perder a oportunidade de perceber porque se chama “verde” a este árido arquipélago no meio do oceano.
Sto Antão mereceria uns dias, de caminhadas, de descobertas, de verde e frutas suculentas, de peixe, de mar, de golfinhos.
Tive um dia...!

A travessia de barco.
E a descoberta da ilha

(E aqui se acaba a partilha da Boop em terras de Cabo Verde!)


As papaias, que ao lado das mangas, banana, fruta pão, cana de açucar,
são prova da fartura desta terra.
Cana de açúcar em flor 


A costa norte. neste dia revolta, com grandes vagas de intenso azul
De Sto Antão avistam-se as ilhas mais próximas .
São Vicente, Sta Luzia e São Nicolau

A delicadeza dos contrastes

Sto Antão tem uma riqueza única - água doce em abundância.
Nesta foto burros de transporte de água

Nos altos cumes de um verde profundo

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Germano Almeida














Como já vos disse gosto de, quando viajo, levar um livro cuja acção decorra no país que vou visitar.
Este ano na feira do livro, e estando já a preparar este congresso em Cabo Verde, comprei uma serie de autores africanos. Tive a sorte de encontrar o Germano Almeida na feira, de ter conversado com ele a propósito do congresso e sair de lá com um livro autografado. Ainda para mais, foi um dos nossos convidados numa mesa dedicada à arte, e ao seu papel na comunicação e elaboração da história individual e global.

O livro foi um pouco escolhido ao acaso dentro da sua vasta obra. Não tinha grandes referências e peguei neste...
Estava eu em são Vicente, o livro fala da Boa Vista.... suficientemente perto!

Senti-o como uma história contada à porta de casa para ajudar a passar o tempo nas longas noites africanas do antigamente. Num ritmo leve e algo errático, saltitante, vai-se contando a história da ilha e das suas gentes.

Gostei mais da obra do que do homem. Mas na verdade isso acontece-me muitas vezes.

Deixo-vos uns excertos:

"...Isso porque era sabido que a partir daquela hora minguada, todas as esquinas, todos os becos e travessas e portais em recantos escondidos, tinham outros donos e senhores, essas fantásticas criaturas do outro mundo que se mostravam tanto mais desapiedadas para com os mortais, quanto é certo que sentiam vexadas e ultrajadas e ofendidas no seu direito de livremente e sem cheiro de sangue real correrem e cavalgarem até de madrugada pelas ruas dos povoados, em estrondos fragorosos e satânicas gargalhadas de arrepiar os cabelos de todo o corpo, antes de de novo regressarem aos fundos marinhos onde faziam morada durante as horas de sol sobre a terra..."

"...Depois dos dias iniciais, muito pouco havia para conversar com os da casa, os contadores de estórias tinham todos morrido sem deixar substitutos, de modo que já não havia aquelas reuniões à porta de casa com os adultos sentados em cadeiras, os mais pequenos espalhados pelo chão enquanto nho Quirino ou Moriçona ou um qualquer apanhado na hora debitava longos rosários de intermináveis estórias."




terça-feira, dezembro 04, 2018

Pelas estradas de São Vicente

Nem sempre quando viajo uso os transportes públicos locais. Claro que nas grandes cidades adopto imediatamente as redes de metro. Mas em cidades menos cosmopolitas e com destinos mais incertos muitas vezes a opção é o táxi.

Especialmente quando estou com o Mr Boop (o que não foi o caso em Cabo Verde)

Tive a sorte de ter comigo uma amiga (e o marido dela) que são muito mais aventureiros do que eu, e que fazem questão de se emaranhar nas cidades, de se misturarem com os demais, e usar o mais possível transportes públicos!

Ora em São Vicente há (ainda) uma rede de transportes formal mas muito familiar.
São carrinhas que percorrem as poucas estradas da ilha transportando quem ao longo do percurso for pedindo para parar. Há sempre lugar para mais um (ou dois), mais ou menos apertados há-de caber toda a gente. Para além das pessoas, transporta-se alguma mercadoria (nada de grandes volumes) e o motorista até faz uns recados, parando à porta de um ou outro para deixar qualquer coisa. 
Por 100 escudos = 1€ faz-se a viagem 

Foi assim que numa escapadela entre arrumar as salas para o congresso (12:30) e a sessão de abertura (17:30) rumamos à praia de Salamansa - as duas fotos no post a baixo - e comemos a deliciosa cachupa (também antes documentada). Salamansa é um lugar muito pobre. A praia linda e deserta, e o barraco de praia onde a cozinheira nos preparou esta maravilha não tinha mais ninguém. 
Está programada a construção de um resort aqui (talvez seja quem sabe a que o Pedro Coimbra falou?). Eu fiquei feliz por ter vindo antes da construção.

No regresso não sabíamos ao certo quando passaria uma carrinha. Fomos andando estrada fora, naquelas estradas onde são raros os carros, conversando, respirando a aridez imponente, até que chegou a nossa boleia. E voltamos ao Mindelo e à psicanálise.






segunda-feira, dezembro 03, 2018

Crónica de Viagem

SÃO VICENTE


Tinha partilhado há tempos que não sabia para onde me virar com muitas coisas para resolver. Para além das habituais tinha duas participações em dois congressos aqui em Lisboa e estava em mãos com a organização de um congresso de língua portuguesa na minha área profissional que decorreu na maravilhosa ilha de São Vicente - Cabo Verde.
Foi uma organização tri-céfala (Cabo verde, Portugal e Brasil) o que  complexizou todo o processo. 
Mas o congresso valeu muito a pena!!!

Deixo-vos a beleza de Cabo Verde.
A paisagem árida de São Vivente.
Imponente.
O mar, quente e azul.
E a comida.... hummmmm!!!!

Ficou a vontade de voltar 

(Depois volto para falar de Sto Antão)

Marina do Mindelo - Porto de abrigo no meio do Atlântico 

Tão baratas!!! - comi 3 vezes...

As praias desertas, a que acedi no transporte publico local - só por si uma experiência deliciosa!

As dunas de areia branca, contrastantes com as enormes colinas negras de basalto

As gentes tão simpáticas - aqui 3 crianças deixavam os seus nomes para que pudéssemos enviar por correio uma foto impressa delas

Cachupa frita com peixe - esta, na foto, a melhor que comi. Os peixes devem ter sido pescados no local - todos do mesmo tamanho mas de espécies diferentes. Tomei aqui uma decisão - Vou aprender a fazer cachupa! - depois conto!








domingo, dezembro 02, 2018

Eugénio de Andrade

Poema evocado numa sessão desta semana.
Já não o visitava há muito tempo
Foi bom recordá-lo (e muito útil para quem o escutou pela primeira vez!)


Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro

Momento hilário II

E lá demos por nós de novo no carro, a cantar todos, o mais desafinado possível...

🤩🤩🤩