terça-feira, janeiro 29, 2019

Entrada na escola

A propósito deste artigo:
https://life.dn.pt/familia/primeiro-ano-escola-o-risco-e-entrar-cedo-de-mais/

A vida fez-se!
Mas terei ganho alguma coisa com isso?

Entrei com 5 anos para a escola, sendo o meu aniversário em Fevereiro.
Sempre fui a mais nova, em todos os grupos escolares em que estive. Sempre!
Aprendi a tirar algumas vantagens daí (não me dando conta na altura de todas as desvantagens)
A avaliação psicológica deu carta branca para rumar ao 1.º ciclo.
E fui.
Parece simples.
Mas a integração no grupo nunca foi fácil.
Algumas aprendizagens básicas mal sedimentadas (erros ortográficos uns atrás dos outros). E em alturas de saltos para conteúdos mais abstratos eu ressentia-me.
Os meus resultados escolares sempre foram razoáveis, e aos 17 anos lá estava eu a integrar o ensino superior, no curso que queria, e que hoje me faz feliz.
Mas ganhei alguma coisa?!?
Acho que não.
A não ser as pessoas que conheci (já na faculdade) que fazem ainda hoje parte de quem eu sou, mesmo que raramente fale com elas/eles (vocês!).

Entrem aos 6!
Entrem aos 7!
Não tenham pressa de crescer. (Nem de fazer crescer)
A vida não é uma corrida. Não é quem chega primeiro que é mais feliz!

segunda-feira, janeiro 28, 2019

3/30 - Relógio sem Ponteiros

Relógio sem Ponteiros é, parece-me, o último livro da escritora Carson McCullers.
Retrata, como os restantes livros da sua obra, uma América estratificada do inicio /meados do sec XX ainda cheia de preconceitos.

Bom seria se isso tivesse mudado realmente.
Estará melhor neste inicio de sec XXI...

Traz um aspecto, completamente paralelo e marginal na história que Carson conta, que achei interessante. - a tolerância para a diversidade de religiões parece-me maior nas Américas.
Fez-me "viajar" até à minha passagem no Brasil no ano passado. Alguém perguntou à organização do congresso por uma igreja (local de culto) de uma Igreja/vertente/seita particular... Em resposta a este pedido a organização do congresso respondeu com uma lista de umas 15 igrejas diferentes correspondentes a várias formas de culto que existiam nas proximidades do congresso. Todas tratadas como iguais.
Em Portugal... acho que ninguém perguntaria por uma igreja à organização de um congresso, e certamente que a resposta não seria tão completa!

Mas voltando a este "Relógio Sem Ponteiros". Não é de todo o livro que mais gostei da autora. Mas valeu a pena! E vou continuar a lê-la sempre que tiver oportunidade!


terça-feira, janeiro 22, 2019

Saló

Hoje passa no Nimas o filme de Pasolini Saló ou os 120 dias de Sodoma.
Fui vê-lo no tempo da faculdade, num tempo de procura de uma intelectualidade e olhar para o mundo que fossem meus. 
Queria ser crescida. 
Lá fui com alguns colegas rumo à Cinemateca para a experiência cinematográfica que mais me marcou até hoje.
Não seria capaz de ver este filme outra vez.

O filme foi inspirado no livro Os 120 dias de Sodoma do Marquês de Sade, e conta a história de um grupo de jovens que, na região de Itália então dirigida por Mussolini, durante o outono europeu de 1944 são selecionados por quatro dirigentes fascistas (um presidente de um banco, que representa o poder económico, um bispo, representando a igreja, um duque, que representa a nobreza e um juiz, que representa o poder judicial) para serem os autores de uma série de torturas e experiências sádicas, ao longo de 120 dias.
A obra, tida por muitos como uma das mais perturbadoras da história do cinema, é dividida em 3 fases, chamadas de 'círculos', que são o Círculo das Manias, onde os fascistas satisfazem seus desejos sexuais; o Círculo das Fezes, repleto de escatologia, onde os jovens são obrigados a ingerir fezes; e o Círculo de Sangue, onde os prisioneiros desobedientes são punidos através de mutilações, torturas físicas e assassinato.
Diria hoje: Não vejam!

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Outro filme que tentámos ir ver mas que tinha a sessão mais que esgotada com umas largas de dezenas de pessoas na fila que não conseguiram bilhete foi o "Atrás da Porta Verde" - se calhar ainda bem!

Protesto!

"A vida não vai nada bem
P'ra miúda do cabelo azul.
O que é que a levou a pintar
O cabelo assim de azul?
Será que são questões de pai?
Ela a dizer "olha pai"
E ele de olhos no jornal
A dizer "filha já vai"?
E ela de cabelo azul.
E ela de cabelo azul."


Estou para escrever um protesto há mais de um mês, desde que ouvi pela primeira vez esta música dos Azeitonas.


Miúdas de cabelo azul uni-vos! 


É que eu adoro o meu cabelo azul, que em cima uma cabeça organizada, pensadora, responsável, etc, traduz uma parte de mim livre (só isso, sem mais simbolismos ou filosofias).


Pronto!

Tenho dito!




sexta-feira, janeiro 18, 2019

2/30 - Eliete



Eliete 
O novo livro de Dulce Maria Cardoso.
(Não sei se se lembram mas tinha-o perdido quando ia a meio - o que me fez ler outro livro de intervalo - mas encontrei-o, debaixo do meu nariz, claro...)

Gostei muito.
Até à última página (literalmente) a história da Eliete nada tinha de extraordinário, e no entanto, as páginas devoram-se devido à excelente escrita de Dulce Maria Cardoso. Uma mulher de 40 e poucos anos, de classe média, com uma vida mais ou menos desinteressante. Que procura um lugar para ela. Parece enfadonho? Pois não é! 😊

Na última página descobrimos algo sobre esta mulher - que sendo um facto extra-ordinario não altera em nada a leitura anterior.
E na página seguinte só está escrito.
“FIM DA PRIMEIRA PARTE”
O que confesso me deixou desconcertada! 
Quero ler mais!
Daqui a uns meses haverá continuação!

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PS - propus-me a ler 30 livros este ano daí o 2/30 lá em cima!

terça-feira, janeiro 15, 2019

P.S.

Acho que deixei claro o quanto me angustiam as situações em que a procura de apoio psicológico por alguém que esteja profundamente fragilizado seja contaminada por pré-conceitos e julgamentos morais grosseiros (sabendo à partida que ninguém está completamente isento de uma visão/posição pessoal). Há que saber distinguir o que é a minha forma de estar no mundo e perceber as idiossincrasias da pessoa que me procura.


Dito isto.

Já tinha discutido ontem com colegas a forma desonesta, manipuladora, com que a informação foi obtida. Não sou perita em direito mas consta que há conceitos como “escuta ilegal”, ou manipulação de depoimentos.
Também penso ser importante reflectir sobre a forma.
Hoje a Laurinda Alves escreveu isso mesmo:

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Marias




Hoje ao entrar no prédio do consultório apanhei uma conversa deliciosa da porteira (uma mulher ainda jovem) e uma outra pessoa. Tinham nas mãos a revista Maria e falavam com um interesse entusiasmado das revelações que a novela traria esta semana.
“Mas o Y não é pai da X”
“É!”
“Então mas eles não tinham....”
“Pois, mas ela nessa altura ainda não sabia que ele era pai dela”
... e por aí fora.

Confesso que sorri para dentro. Fiquei realmente encantada com o lugar que estas histórias alheias para onde podemos olhar, com todo o prazer voyeur, ocupa nas vidas (que imaginei simples) de algumas pessoas. 
Não! Não é correcto!
Não serão vidas simples, mas aparentemente os assuntos mais abstratos, universais, paradigmáticos, fracturantes, entram nas suas vidas através deste olhar passivo, de quem se encontra à janela a dar conta da vida dos vizinhos.
Com posições tomadas à distância, sem grandes conflitos éticos ou morais, já que é da vida alheia (e ainda por cima ficcional) que se trata.

Ora na minha cabeça tem andado outra Maria...
A Maria José Vilaça, que mais uma vez trouxe a intervenção psicológica à praça pública trazendo o que de mais preverso, anti-ético, maltratante, se faz por esse país fora (sim, eu sei..., no mundo infelizmente fazem-se coisas muito piores ainda).

Para quem não está a par fica só um cheirinho (procurem na net se quiserem saber mais): a homossexualidade como uma doença..., equivalente à toxicodependencia..., é um surto psicótico inscrito numa estrutura bipolar..., tem cura...., há que fazer terapias de reconversão, ...e por aí fora.


O “...e por aí fora” da revista Maria pareceu-me tão mais simples e inconsequente...
E o que esta senhora diz/faz (não estando ela sozinha evidentemente) é tão terrivelmente mais destruidor, alienante, promotor de doença mental.

Tive momentaneamente um sentimento de nostalgia de pertencer a um mundo mais infantil de novelas de cordel. 
E uma certeza do mundo em que quero estar. Como adulta, profissional, cidadã, Co-construtora do mundo em que vivo.

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E porque o humor é uma arma poderosa:
https://www.clipzui.com/video/p3o40664d4y4r3o416l4x2.html



Acordar em tons pastel


Com ou sem sonhos tenho dormido sem fechar a janela (bem, a janela está fechada, os estores é que permanecem para cima).
De noite o escuro da mata e do rio contrasta com as luzes das povoações vizinhas
E o acordar... é assim!
A luz pálida, em tons pastel saúda-nos quando abrimos os olhos.
Digo-vos:  Custa menos levantar assim!

sábado, janeiro 12, 2019

Sonhos

Não tenho tido muito tempo, ou cabeça, para escrever. As mudanças de casa conseguem ser absorventes.
Mas tenho lido, ido ao cinema, ... (no intervalo das caixas)
E...
Tenho sonhado imenso!!!
(gosto imenso de sonhos como sabem!!!)
:)

(nada como o ilustrado na imagem)


segunda-feira, janeiro 07, 2019

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Livros estranhos

Não sei de onde apareceu este livro.
Estava lá por casa. Apareceu agora no meio de tantos outros.
Não me lembro de o ter comprado, nem de me o terem oferecido.

Não sei onde pus o “Eliete” que estou agora a ler e peguei neste para me entreter enquanto não o encontro.

Lido num piscar de olhos
Não sei se gostei, ou sequer se é esta a palavra a utilizar.

Um mergulho num pensamento psicótico, desorganizado, voraz, desenfreado.

Uma estória que apenas se adivinha.
É preciso uma parte psicótica considerável, e uma parte saudável capaz de a conter minimamente, para poder escrever este livro.

Como disse:
Não sei se gostei...