sábado, junho 29, 2019

Dia de exame

Hoje a menina Boop fez o “First Certificate” - o exame de Inglês do Cambridge. Uma primeira etapa numa formação em Inglês que, continuando, vai permitir o acesso a um mundo maior.
Mas isso é uma questão da vida dela.
Sim, porque os filhos cedo começam a ter assuntos que só à vida deles dizem respeito!

É que o exame foi no Estoril.
E eu prometi que não iria embora (das redondezas) antes de o exame começar (6h de exame), caso fosse preciso alguma coisa.
E dei um saltinho ao Tamariz.
Há muito tempo não ia lá!
:)
Recordou-me bons momentos!


terça-feira, junho 25, 2019

Foi até ao Yemen e já vem

Sabem exactamente onde é o Yemen?
Conhecem-lhe a geografia e a história?

Eu confesso que sabia sem saber, naquele evitamento mais ou menos consciente, de quem se protege de uma angústia desmesurada, com a ilusão de que é uma guerra "dos outros", distante e passível de manter distante neste canteiro à beira mar plantado que é Portugal.
(aqui um breve enquadramento)

Ora o Mr Boop está por lá desde o principio do mês, em Sadah (ponto assinalado no mapa).
(Naquele mês de "férias" que como sabem me deixa a mim tão ambivalente)
Chegou lá nos últimos dias do Ramadão. A calma imposta que logo deu lugar ao "descontrolo".
Foram vários os dias em que não se pode deslocar da residência para ir até ao hospital por questões de segurança. Uma espécie de prisão domiciliária de luxo (mas sem ar condicionado), frustrante e desanimadora. E com um sentimento de segurança algo precário...
Mas com Wi-Fi - as maravilhas do mundo moderno!

Neste mês fui estando mais atenta.
E querendo, vai-se encontrando informação:

A situação dos civis é como sabem muito difícil
Os rebeldes Houthis laçam missil 
O Trump alimenta os sauditas
A Arábia saudita contra-ataca
Houthis lançam novo ataque à Arábia Saudita
As Nações Unidas mostram-se preocupadas com o agravamento da situação no Yemen
Crianças soldado usadas pela Arábia Saudita
Entretanto nos estados unidos...
E a contribuição da Inglaterra

A viagem de regresso é longa e com muitas paragens, e já se iniciou.
Vai demorar ainda pelo menos 1 semana a chegar.

O mundo cá continuou... com festas de aniversário, finais de anos, exames, arraiais, feriados, mini-férias...
Que mundos tão díspares!

sábado, junho 22, 2019

Da minha janela

No meu consultório há muitas janelas.
Todas tão únicas, e diferentes de dia para dia.
São janelas feitas de olhos, de gestos e de palavras, que me mostram paisagens outras, sentidas, com cores e sombras muito próprias.
Com cada pessoa que se deita no divã, ou se senta no sofá à minha frente, recrio paisagens, visualizo lugares, divisões, pessoas, às vezes numa experiência visual tão intensa que quero crer se assemelhará muito à experiência vivida.

Depois há as outras janelas, que nem por serem mais concretas serão necessariamente menos mágicas.
Afinal a beleza está nos olhos de quem olha.


O meu amigo David Rodrigues (o mesmo que gentilmente apresentou o meu livro) olhou para a minha janela com estas palavras:

No céu
uns veem pedaços de Bem
outros destroços do Mal


quinta-feira, junho 20, 2019

sábado, junho 15, 2019

Voltar às origens

Já devo ter comentado convosco a minha resistência em voltar para a vila que me viu crescer. Nunca tive vontade de tal e se não tivesse sido o Mr Boop a sugerir virmos ver aqui uma casa nunca teria vindo,
A verdade é que adorámos esta casa e... aqui estou de novo.

Tenho voltado sempre aqui, mas de visita. Esta vila está cheia de pessoas que adoro.

Vim morar para aqui em Julho 1975. Ainda este lugar era um lugarejo a começar a ser urbanizado. E por isso muitos casais novos o escolheram. As casas vizinhas estavam cheias de crianças como eu. Rapidamente nos tornamos amigos, e passávamos horas na casa uns dos outros e na rua a brincar. Lembro-me ainda das brincadeiras que inventávamos, dos discos que ouvíamos, das divisões (das várias casas) onde brincávamos, dos lugares na rua/campos onde íamos. E de quem eram os adultos que faziam parte deste mundo. Era uma vila sem avós. Na minha rua só me recordo de duas irmãs já idosas que partilhavam a casa. Lembro-me tão bem delas! Tão diferentes, em termos de personalidade, uma da outra!

Agora voltei a "estar".
Vou ao café, à papelaria, ao supermercado, aos correios, ao restaurante, só não voltei à missa!
E a diferença é tão grande!
A aldeia tornou-se vila.
Já não conheço toda a gente (mas conheço à vontadinha 1/3 - e por isso mesmo não queria voltar para cá!)
E há tantos "avós".
Isso é o que mais diferencia a aldeia de antes da vila de hoje.
Uma população tão mais envelhecida. - "Normal", talvez! - e estupidamente isso entristeceu-me - talvez por ser a simples constatação de que também eu envelheci.

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Lembrando os companheiros de brincadeira - A minha irmã Sofia (que hoje ninguém trata por esse nome), a Margarida (que faz anos hoje), o Chico, a Catarina, o Pedro, a Guida, (e a Belinha), a Marina, a pequena Marilia e as irmãs Noémia e Luísa, o meu vizinho Carlos e a irmã Olga, o Pedro Inácio, o Paulo.
E quando o mundo cresceu só um bocadinho, as pessoas da rua de trás - o Paulo e o Dinis, a Elsa, ...
E depois o mundo cresceu tanto que seria impossível enumerar todos, mas também impossível não lembrar a Paula "A" amiga da minha adolescência.
Este lugar pertence-me sim. E eu pertenço-lhe.
(Desculpem a nostalgia)

quinta-feira, junho 13, 2019

35 anos

António Variações

Eu era muito nova quando ele morreu, faz hoje 35 anos.
Não sabia ainda fazer todas as leituras que hoje posso fazer.
Mas muitas das canções ficaram na minha memória.

Fica hoje aqui esta música


domingo, junho 09, 2019

sexta-feira, junho 07, 2019

O tempo não pára



"Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti"

Este vai ser um fim de semana de olhar para eles!
👦👧



quarta-feira, junho 05, 2019

Casa da mãe / Casa do pai

Têm-me perguntado algumas vezes qual a minha opinião sobre a regulação do poder paternal, nomeadamente no que diz respeito à residência alternada.
Não tenho trabalhado com crianças nos últimos...17(?) anos, pelo que nunca me foi pedido um parecer oficial, e ainda bem!
De qualquer forma é impossível não ir pensando sobre o assunto.
Hoje dei com este artigo de 28 de Maio do público: https://www.publico.pt/2019/05/28/sociedade/opiniao/vamos-conversa-residencia-alternada-1874041
Fiquei até aliviada. Porque me parece que aqui o bom senso impera!
É claramente explicado que a actual legislação protege o interesse da criança e que tornar a residência alternada a resposta padrão tem perigos muito maiores do que deixar sossegada uma lei que funciona.

A minha experiência com adolescentes (nota importante: os que chegam a minha consulta têm um
nível de sofrimento elevado e por isso não devem servir de norma), mas como dizia: a minha experiência com adolescentes diz-me que é difícil não ter “um sítio”, um lugar/quarto/casa que seja sentido como “meu”.
O ter tudo a duplicar é uma ilusão. Há sempre uma coisa que está no “outro lado”, e mais, o sentimento de que aquelas coisas do foro “privado” estão sempre em perigo é uma constante.
Não há lugares seguros. Os quartos são abandonados à sorte dos voyers a cada semana, ficando livres para a devassa, de quem entra para limpar, arrumar, remexer.
Vejo muitas vezes nestes jovens o desejo de um espaço fixo, só seu, muitas vezes longe de pai e de mãe, em que não tenham de carregar ciclicamente os seus tesouros (representantes simbólicos da sua intimidade) consigo.

Cada caso é um caso.
Não facilitemos as vidas de advogados e juizes, criando uma regra redutora - e desnecessária, - quando o que há a salvaguardar é sem dúvida o bem estar do menor.
Nunca é demais repetir que cada criança é diferente de qualquer outra, que cada família tem um funcionamento único, e que por isso qualquer generalização será um retrocesso.

domingo, junho 02, 2019

Ilustres autores



Que privilegiada sou!
Tantos amigos presentes na Feira do Livro de Lisboa este ano!!!

Terei tempo/oportunidade de estar presente em todos os momentos?


9/06 - 19h30 - Manuel Veiga com "O Perfil dos dias" - poesia
13/06 - 17h - Rodrigo Mota Que ilustrou o livro de poesia de Ana Sofia Paiva "Serpe, as três águas do encanto"
13/06 - 18h - Gabriela Ruivo Trindade com o livro de poesia "Aves migratórias"
13/06 - 20h - EU 🙃 e o Rodrigo Mota com "Retratos"
14/06 - 19h - Carlos Amaral Dias e Maria Moreira Dos Santos com "Vida e Psicodrama"
16/06 - 16h - Alexandre Hoffmann Castela com "Aparição segundo a memória"

Depois há os que talvez por lá passem mas que não têm ainda data:
Joana Amaral Dias - "Psicopatas portugueses"
Clara Pracana - "Contos ácidos"

E os que já passaram:
1/06 - 15h - Catarina Furtado e Rodrigo Mota com "Adolescer é fácil #sóquenão"


(O LigeiramenteCanhoto - Rodrigo Mota - está em grande com três livros a serem apresentados na feira! - um prazer tê-lo como ilustrador! 💙)