segunda-feira, outubro 28, 2019

23/30 A filha de Vercingétorix

Os livros do Astérix fazem parte da minha infância e adolescência. Tínhamos todos lá em casa, guardados religiosamente, por ordem, no quarto do meu irmão.
Há livros que reli dezenas de vezes. Sempre sem perceber muito bem porque não se chamava o livro "As Aventuras de Obelix", personagem que sempre gostei mais!
A dupla Uderzo & Goscinny era fenomenal!
Os livros que vieram depois deixam-me sempre com a sensação de que falta qualquer coisa...
Mas são, claro, devorados de uma assentada!
Resisto ao envelhecimento das personagens que na minha imaginação serão iguais para sempre.
Esta é a história de uma adolescente, e dos outros adolescentes da aldeia dos invenciveis.
Alguém se lembra de alguma vez terem existido adolescentes?!?!?
Bem... podem ler...


22/30 Os meus sentimentos

Dulce Maria Cardoso tem-me surpreendido sempre.
São sempre histórias de pessoas comuns, sem heróis nem façanhas.
Cada um protagonista na sua própria vida, que seria indiferente para os demais, não fosse serem contadas pela magnífica Dulce Maria Cardoso.
Esta é a história sem tabus nem complacências de uma mulher obesa, que nunca foi amada por ninguém, contada a partir de dentro, com todos os segredos revelados de uma forma completamente amoral. E o contexto em que se revisita a vida desta mulher é brilhante (não vos digo para não estragar todo o impacto).

Mais uma vez aplaudo a escritora!



sexta-feira, outubro 25, 2019

Imprensa falsa!

Ahahaha 

Muito bom!!!


”Hora muda no domingo: Quando forem duas da manhã, meta na hora que quiser porque foi para isso que se fez o 25 de Abril

A hora muda este domingo, mas, ao contrário do que acontecia por esta altura do ano, não deve atrasar os relógios uma hora. Só deve atrasar uma hora se for isso que pretende, mas poderá pôr noutra hora qualquer porque foi para isso que se fez o 25 de Abril. 
“Eu até posso mudar de sexo, mas tenho de estar às três menos cinco só porque alguém quer, por favor, assim não”, reclama Simplício, que ainda não decidiu que horas vai pôr nos seus relógios. 
“Provavelmente vou atrasar os meus relógios para as oito da noite porque eu às vezes dá-me a fome de madrugada e assim se forem oito são horas de jantar”, acrescenta. 
Entretanto, as autoridades já vieram alertar para os perigos de as pessoas colocarem os relógios nas horas que pretendem, mas a resposta não se fez tardar: “Fascistas!“

quinta-feira, outubro 24, 2019

Sweet

😍

terça-feira, outubro 22, 2019

O Jonas

Quando era pequena os meus pais mudaram-se para um aldeia a poucos km de Lisboa. A nossa rua era a última, o que me (nos) deu um contexto óptimo para brincar.
Na rua passavam poucos carros (não era sitio de passagem, só os carros de quem morava lá) e por isso era muito seguro brincar na rua - coisa que a minha mãe diz que fazia desde os 2,5 anos de idade.
E, melhor ainda, era o campo que havia em frente. Terrenos ainda desabitados, para nós cheios de aventuras. Ervas altas, amoras, amontoados de pedras de basalto de que fazíamos as nossas "casas", e os muitos e variados pequenos animais, recordo com especial deslumbre os lagartos coloridos imóveis nas rochas a apanhar sol.

A parede da nossa casa era coberta por hera, a janela do quarto do meu irmão aparecia como um rectângulo recortado entre o verde. Eu gostava muito dessa parede.
Quase sempre, no quarto dele, havia uma osga a morar, por detrás de uma estante grande que ocupava toda a parede. Era uma convivência pacifica. Diria até acarinhada pelo meu irmão.

Recentemente voltei, para morar, à aldeia onde cresci. Hoje já não é aldeia - é Vila! E a distância para Lisboa parece ter encurtado - certamente fui só eu que cresci!
Mas talvez por tudo isto nada estranhei quando esta Osga Bebé se infiltrou na casa de banho do meu quarto. Foi baptizada - chama-se Jonas. E por lá anda há quase duas semanas pelo tecto. Eu fico preocupada com ela. Acho que não consegue sair, e que ali não tem com que se alimentar. Vou deixando a janela aberta para ela poder ir embora...

É tão pequenina....

______

PS - (no dia depois) Ontem à noite quando me fui deitar procurei por ele e já não estava lá. Conseguiu sair, terá percebido que ali o alimento escasseava e não se iria safar. Foi à vida dele! 😀

segunda-feira, outubro 21, 2019

Greenfest

Ontem, na companhia de minha irmã 😊, fiz uma bela caminhada (11 km - ida e volta).
Fomos até ao Greenfest que estava a decorrer na Nova School of Business and Economics, em Carcavelos.
Ainda não tinha lá ido (e tenho uma visita prometida à biblioteca, um amigo da adolescência que não vejo há uns 30 anos é responsável da dita, e tenho de passar por lá!!!). O edifício é bonito, e ontem - Domingo, estava a transbordar de vida!
Tínhamos como incentivo para a caminhada o “bolo de chocolate mais feio do mundo”, feito pela minha amiga Paula (que ainda é capaz de estar aqui na barra lateral, na lista de blogs, sob o nome de Bemmequer). Estava, como sempre, delicioso!
Trouxemos também umas batatas doces de Odemira que tinham cores fantásticas!
E lá seguiu uma mensagem de WhatsApp para o grupo dos jantares de Domingo a dizer “Ainda não sei o que vai ser o jantar mas terá batata doce!”



domingo, outubro 20, 2019

Dia de congresso

Um programa de dois dias.
Eu propus dois trabalhos.
Dois trabalhos foram aceites.
E, imagino que para me facilitar a vida (não fui a única nestas circunstâncias), puseram um trabalho logo a seguir ao outro.
Sábado às 9h  - comunicação
Sábado às 10h - workshop

Correram os dois muito bem!
😊
Fiquei mesmo contente!

Na comunicação acabei por conseguir um trabalho interessante (digo eu...) sobre a co-construção de narrativas pela dupla terapêutica - paciente/analista
O Workshop é mais fácil para mim, exige que esteja muito atenta para gerir o grupo durante o tempo em que decorre, mas não requer muito trabalho prévio (quase nenhum na verdade) - e não é segredo para ninguém o quanto eu gosto de psicodrama e o prazer que retiro destes momentos. O grupo foi fantástico, fizeram acontecer momentos francamente bonitos.

E sabem que mais?
Estou a preparar mais duas propostas para dois congressos internacionais que decorrerão em Portugal em 2020 (que sorte serem os dois cá! Vou rever pessoas de quem gosto muito, de várias nacionalidades, e sem ter de viajar!)
Com Workshops de psicodrama, claro. Um será feito em “portinhol” (nunca aprendi a falar espanhol...) e outro em Inglês.
Que as comunicações prefiro fazê-las em português, ficarão para encontros nacionais.

E como vos disse há dias, lá tive o painel do Malangatana a fazer-me companhia!



sexta-feira, outubro 18, 2019

quarta-feira, outubro 16, 2019

1h42

Com a ligeira impressão que trabalhar noite fora já foi mais fácil do que está a ser hoje...
(continuemos por mais um bocadinho!)



terça-feira, outubro 15, 2019

Richard Hawley - Open up your door

Linha

Hoje tive de ir à conservatória de Cascais
Dei-me umas horas para isso, à espera de muita gente e de um serviço demorado.
Mas não é que foi rápido?!?!
Pude por isso dar-me ao luxo de parar 15min na praia.
Que bem que me soube!
Depois...
...voltar à labuta!


segunda-feira, outubro 14, 2019

Acabei de perceber!!

Sobre o que irei falar no tal encontro de que vos dei conta há umas semanas.
O tema do colóquio é Psicanálise e Depressão e terá lugar esta 6ª e sábado.
Enfim...
Mais vale tarde do que nunca!

O Workshop já estava alinhavado há mais ou menos 1 semana, e na verdade não há muito a preparar, será o que os participantes fizerem dele! A mim caber-me-á apenas dirigir bem o grupo! Terá o título "A tristeza é um muro entre dois jardins"  (uma expressão de Khalil Gibran).

a comunicação... estava ainda em estadio muito larvar.
Tinha enviado um resumo:

"O brincar, que na criança estabelece a relação entre o mundo interno e o mundo externo, é uma ferramenta essencial para aceder ao mundo dos adultos, e o ponto de equilíbrio do lugar dado ao principio do prazer - na sustentação do desejo e na forma encontrada pelo pré-consciente para lhe dar expressão.
No adulto o brincar é substituído pela actividade imaginativa (ou fantasia). O prazer do brincar é trocado pelo prazer de fantasiar.
As histórias são instrumento de todas as idades. 
No processo analítico, paciente e analista vão co-construindo metáforas, alegorias, uma linguagem (fantasia) comum que atenua os mecanismos de defesa, tocando a barreira de contacto com o inconsciente, e permitindo que as soluções das narrativas construídas passem a fazer parte da sua história de vida."


Mas na verdade sabia a forma que queria dar à comunicação mas não fazia ideia do conteúdo!
E hoje descobri!!!
Yeiiii !!!!

Vou pegar num caso de "depressão branca", uma história cheia de vazios em que foi percurso da análise criar metáforas, imagens, ligações, ...
Quero começar a comunicação com uma história, ser durante 5 min uma contadora de histórias, para depois enquadrar teoricamente os processos que se vão sucedendo. E explicar aos mais novos (estudantes de psicologia, que serão a maioria dos participantes) que a teoria serve "apenas" de estrutura interna do terapeuta que de "nada serve" na relação com o outro. Ou seja que tem de ser integrada até ser tão nossa que a possamos esquecer, e que por isso vai aparecendo sem nunca ser nomeada.

Pronto!
Era isto.
Na verdade não sei se isto interessa a alguém!
Eehheeheh
Mas estou contente por ter finalmente desfeito o nó que não me permitia escrever nada!

domingo, outubro 13, 2019

Jantar de Domingo

Eram pelas 18h de ontem quando no telemóvel de 8 pessoas caiu uma mensagem de WhatsApp. Terrim! Plim! Bzzz! Ploc! Tã-nã-nã! ...
“Amanhã há Cachupa para o jantar!”
Não sei já quantos anos tem esta combinação. Muitos!
Vem quem pode! Sem qualquer obrigação.
É raro, mesmo muito raro, que o menu seja decidido com tanta antecedência.
(Mas era preciso por o feijão e o milho de molho)
O mais comum é lá para meio da tarde de domingo se perguntar “Quem janta hoje?”, e depois lá se decide.
Uma ida às compras. Procura-se inspiração nos corredores. E lá se faz um qualquer petisco.
Alguém traz vinho, ou sobremesa, ou uma entrada, ou simplesmente nada 😄!

Gosto tanto dos jantares de Domingo!
É sempre um prazer cozinhar.




sexta-feira, outubro 11, 2019

quinta-feira, outubro 10, 2019

Dia da Saúde Mental

(Devo ter publicado isto no ano passado... não faz mal! Publico outra vez!)



10 Outubro
Dia da Saúde Mental

Loucos e Santos
Oscar Wilde

“Escolho os meus amigos, não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila dos olhos.
Tem que ter um brilho questionador e uma tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espíritos, nem os maus de hábitos.
Fico com os que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero respostas, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isto, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só ombros e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim, metade maluquice, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, que e lutem para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças para que não esqueçam o valor do vento no nosso rosto; e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem sou.
Pois vendo os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca me esquecerei de que a ‘normalidade’ é uma ilusão imbecil e estéril…”



terça-feira, outubro 08, 2019

Variações

Continuo nos filmes, o que quer dizer que ando a ler muito pouco...


Estava ambivalente em ir ou não ver o “Variações”. Já tinha ouvido dizer que o filme não era lá grande coisa, que as músicas mais marcantes dele não apareciam (ao que me constou por uma questão de direitos de autor), enfim... que era sofrível.
Preferia ter ido ver “o conto das doninhas”, ou o “Vita e Virginia” mas as minhas fugidas à hora do almoço são apertadas e fico condicionada aos horários das sessões. 

Ir para um filme com expectativas baixas é sempre bom! É a melhor maneira de nos surpreendermos!
E foi isso que aconteceu!
Não é que gostei muito?

Não tenho muito para vos dizer, o filme retrata parte da vida do António.
Relembra-nos um tempo outro em que o preconceito ainda imperava, mas em que havia já algum espaço para se ser diferente/exótico/provocador. E em que a SIDA derrubava rapidamente, inclemente e escondida.
(Se calhar as coisas não mudaram tanto quanto deviam...)

Também me fez pensar muito num amigo meu da adolescência. Que felizmente nasceu 30 anos depois deste António e que por isso vê a sua sexualidade mais aceite, mas nem por isso ausente de preconceito, tumultuosa, sofrida. Fiquei cheia de saudades dele. Não o vejo quase nunca e acho que entre hoje e amanhã lhe vou mandar um mail!

E é isto por hoje!




sexta-feira, outubro 04, 2019

Ide às urnas!



Desde os 18 anos que assumi que o meu “direito de voto” é um “dever”!
Nestes 28 anos já tive algumas flutuações de voto.
Não tenho convicções políticas muito fortes. Mas tenho alguma consciência política e social.
São tantas as variáveis que influenciam o meu voto: (sem ordem de prioridade) o “candidato” (tenho de sentir que é uma pessoa de bem), a necessidade de mudança, a necessidade de estabilidade, o estarmos a falar de poder local, de legislativas, de...
Há partidos em que nunca votarei.
Houve já eleições em que estava tão desesperançada que fui lá dizer que nenhuma das candidaturas merecia a minha escolha, e votei em branco.
Não me lembro de ter feito um voto nulo.

Mas voto!
Sempre!

Somos diferentes.
Todos
Teremos opções de voto diferentes.
Somos diversidade.
E essa diversidade deve estar espelhada nos órgãos governativos.
Isso só acontecerá se formos votar.

Por isso

IDE ÀS URNAS!

quarta-feira, outubro 02, 2019

Grandes filmes (ou) Dias cinéfilos!

Pronto Calíope...
Aqui vai!

DOR E GLÓRIA
Pedro Almodovar no seu melhor.
Um filme com um traço auto-biográfico conta-nos a história de um realizador num fim de carreira algo decadente, um olhar para trás, para os sucessos e as zangas que com os anos se diluem. Com Antonio Banderas no papel principal, num desempenho fantástico. a homossexualidade é tratada sem ondas, um amor de uma vida, que se adivinha belo e sofrido mas que no filme é abordado sem espalhafato, uma cena apenas que nos deixa construir a história por nós próprios.
Destes 4 foi o filme que mais gostei
No final do filme apeteceu-me aplaudir!
(Se quiserem espreitar no Blog da Soc Port de Psicanálise um comentário ao filme está aqui: A PESTE)
⭐⭐⭐⭐⭐


















A HERDADE
Tem por trás dois nomes grandes do cinema português - Paulo Branco e Tiago Guedes
Esteve já no festival de Veneza e em Toronto, e foi escolhido para representar Portugal nos Oscares 2020
Gostei bastante da fotografia.
Os planos de um alentejo latifundiário, das planicies sem fim.
Tem alguns lugares comuns das obras portuguesas o que lhe emprestou alguma previsibilidade de que não gostei tanto.
A história da revolução de Abril contada a partir de uma grande propriedade alentejana. Em que o patrão (Albano Jerónimo) não sendo má pessoa tem os vícios de quem tem o poder em mãos. E os trabalhadores, que nada têm que lhes pertença, ousam sonhar esse futuro diferente a que o 25 de Abril abriu portas.
⭐⭐⭐⭐


















O PINTASSILGO
De John Crowley
Um atentado no metropolitan museum em NY faz com que morram a maior parte dos visitantes, uma criança que estava no museu com a mãe vê-se sozinho no cenário de destruição e traz com ele um quadro único - "o Pintassilgo". Meio perdido na vida, sem qualquer referência familiar que lhe dê estrutura, esse menino vai crescendo guardando com ele esse segredo valioso. Por esse facto é-lhe traçado indelevelmente um percurso de vida que o leva a tornar-se um falsificador de arte. Tem momentos muito belos. Os meus preferidos envolvem a relação de amizade que consegue estabelecer no contexto mais inóspito com um rapaz russo que o acompanha inesperadamente no momento mais revelador da sua idade adulta.
há claro o "amor" pelo meio, mas não é, para mim, o mais relevante neste filme.
⭐⭐⭐⭐ (e meia)


PARASITA
De Bong Joon-ho
Um delicado filme Sul Coreano.
Aparentemente uma comédia dramática é para mim uma metáfora estrondosa.
Aborda a clivagem intransponível das classes sociais. A incomunicabilidade entre mundos que estando a paredes meias têm códigos de conduta distintos e por isso ilegiveis.
A brutalidade da sobrevivência, e a avidez da ascensão social.
O filme prima pelos pormenores, as subtilezas que são postas em cima da mesa. O roçar das fronteiras dos dois mundos, numa dicotomia a que ninguém consegue escapar.
O final aponta a uma meia redenção... porque não podemos nunca deixar de ser quem somos.
⭐⭐⭐⭐⭐