Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, dezembro 10, 2019

28/30 Paris é uma festa


(post para manter a contabilidade!)

Há muito tempo não lia Hemingway.
Nunca me encantei pela escrita dele, mas pareceu-me uma muito boa sugestão para ler em Paris.
E foi mesmo.
O livro é quase um roteiro, falando das ruas, dos bairros, dos jardins, dos cafés. É um mergulho na cidade.
____________________

Deixo-vos a lista dos livros que me sugerirem para ler em Paris (sim, fiz um pedido de recomendações na minha página de FaceBook):

"Paris nuca se acaba" - Enrique Vila-Matas
"Cavalo de Fogo Paris" - Florencia Bonelli (um romance cor-de-rosa?)
"O livreiro de Paris" - Nina George
"Conto das Duas Cidades" - Charles Dickens
"Vou-me embora" - Jean Echenoz
"Henry & June" - Anais Nin

E também houve quem recomendasse filmes:
"O último tango em Paris"
"Antes do anoitecer"
e...
"As aventuras de Ladybug" !  - ahahahah


quarta-feira, novembro 27, 2019

27/30 Aves Migratórias



A poesia de Gabriela Ruivo Trindade!
Este livro foi mais um pretexto para ver a Papu na Feira do Livro deste ano.
Falei-vos na altura da quantidade de gente que conhecia este ano a lançar/apresentar livros na feira.
Mais uma faceta de uma escritora versátil! - poesia!

Já vos disse quando falei do livro dela "Uma outra voz" o quão encantada/maravilhada fico quando tenho acesso ao que os meus amigos são capazes de fazer - Aqui!
ADORO!

E o livro dela - UMA OUTRA VOZ - é mesmo muito bom!!!
Leiam por favor que vão dar o tempo como muito bem gasto!
Gosto mais de um romance do que de um livro de poesia, e por isso tenho de dizer que "Quero que a Papu escreva um livro novo!!!"


DEsta vez ficou a poesia!

domingo, novembro 24, 2019

26/30 Na floresta


Uma realidade dura e crua que não queremos crer que seja possivel.
A construção de um assassino.
Brilhantemente contada. O direito e o avesso da história. Percebemos empaticamente que há circunstâncias extremas na vida de alguém que provocam estragos irreparáveis. Ao mesmo tempo que nos horrorizamos com actos violentos e desumanos.
A viagem a uma mente psicótica.

O capítulo que me causou mais impacto foi mesmo o primeiro, o da infância. Esse foi para mim um verdadeiro murro no estômago. O restante, foi lido num ápice, mas de alguma maneira não foi tão inesperado. Como se depois de uma infância assim tudo fosse possive!
Gostei!
Quero ler mais Edna O’brien. Mas não foi um 5⭐️. 4!

A sinopse:
Baseado num caso real que chocou a Irlanda nos anos 90, Na Floresta conta-nos a história do regresso de Mich O'Kane, o Kinderschreck, a casa. Órfão violento e perturbado, tratado desde criança por todos como um bicho-papão, ninguém na pequena comunidade onde cresceu consegue lidar com ele. Até que uma jovem mãe e o seu filho de quatro anos desaparecem na floresta. 
Descrito pela crítica como um dos romances mais ambiciosos e expressivos de Edna O'Brien, Na Floresta arrasta o leitor para o interior da mente psicótica de um assassino, compondo um retrato chocante e compassivo da solidão, do desespero e da violência.

sexta-feira, novembro 22, 2019

25/30 Um Estranho em Goa


Volta e meia pego num livro do José Eduardo Agualusa.
Às vezes gosto bastante.
Não foi o caso!
Lido sem grande entusiasmo.
Um livro onde se cruzam vários "mundos portugueses" - Angola, Portugal, Goa - mas que não me cativou.
É que tinha potencial para ser uma boa história.... senti-o mais um relato.
E eu prefiro ser evolvida por uma narrativa, que me transporte par um outro mundo, diferente do meu, em que possa aprender (sobre os outros e também sobre mim mesma) através as vivências dos personagens.
Nada disso aconteceu!

24/30 Perfil dos Dias


Não tenho por hábito comprar livros de poesia. acho que poderei contar pelos dedos de uma mão os livro de poesia que terei comprado na vida.
No entanto...
Tenho lido poemas que gosto muito no Relógio de Pêndulo e por isso na feira do livro deste ano fui procurar o "Perfil dos Dias".
Não sei como se costuma ler um livro de poesia.
Este esteve por perto por uns tempos e foi sendo  lido lentamente, uma página aberta ao acaso, e deixar-me mergulhar no jogo poético que brinca com as palavras.
Gostei!
__________

Ah!
E o livro está mesmo bonito!
A estética também conta! :)

segunda-feira, outubro 28, 2019

23/30 A filha de Vercingétorix

Os livros do Astérix fazem parte da minha infância e adolescência. Tínhamos todos lá em casa, guardados religiosamente, por ordem, no quarto do meu irmão.
Há livros que reli dezenas de vezes. Sempre sem perceber muito bem porque não se chamava o livro "As Aventuras de Obelix", personagem que sempre gostei mais!
A dupla Uderzo & Goscinny era fenomenal!
Os livros que vieram depois deixam-me sempre com a sensação de que falta qualquer coisa...
Mas são, claro, devorados de uma assentada!
Resisto ao envelhecimento das personagens que na minha imaginação serão iguais para sempre.
Esta é a história de uma adolescente, e dos outros adolescentes da aldeia dos invenciveis.
Alguém se lembra de alguma vez terem existido adolescentes?!?!?
Bem... podem ler...


22/30 Os meus sentimentos

Dulce Maria Cardoso tem-me surpreendido sempre.
São sempre histórias de pessoas comuns, sem heróis nem façanhas.
Cada um protagonista na sua própria vida, que seria indiferente para os demais, não fosse serem contadas pela magnífica Dulce Maria Cardoso.
Esta é a história sem tabus nem complacências de uma mulher obesa, que nunca foi amada por ninguém, contada a partir de dentro, com todos os segredos revelados de uma forma completamente amoral. E o contexto em que se revisita a vida desta mulher é brilhante (não vos digo para não estragar todo o impacto).

Mais uma vez aplaudo a escritora!



domingo, setembro 15, 2019

21/30 cenas da vida de aldeia



Mais um livro do Amos Oz.
Mais uma vez uma escrita directa, com capítulos curtos.
Progressivamente vamos sabendo histórias das gentes que por ali circundam.
Não gostei particularmente.....


segunda-feira, setembro 02, 2019

19 e 20 /30 (Ida à biblioteca)

Passei a ultima semana fora e os dois livros que tinha levado comigo esgotaram-se mais depressa do que estaria à espera...
Fui à biblioteca lá do sítio procurar um livro em português ou inglês para ler.
Calculo que os livros que lá haviam tivessem sido deixados por hospedes anteriores, e para grande surpresa minha havia umas 3x mais livros em português do que em inglês.
Já não me restavam muitas horas de leitura por isso tinha de me dirigir a um livro com poucas páginas...
... e assim me vi com a Agatha Christie em mãos.
(não sei há quantas decadas não lia Agatha Christie!)


E não é que me sobrou ainda tempo?!?
Voltei à prateleira....
E escolho um prémio Camões que por lá andava: "Um copo de Cólera" de Ruduan Nassar
Não gostei nada!
O retrato de uma relação desequilibrada, violenta, doentia. Ainda para mais a escrita era a tradução directa do pensamento/ acções / palavras mais ou menos caóticas que me dificultaram a leitura.
Pronto... era pequenino... leu-se....



sábado, agosto 31, 2019

18/30 A morte do Comendador Vol II


Há muita gente (pessoas cujo gosto literário muito respeito e que já me aconselharam livros extraordinários) que não gosta de Haruki Murakami.
Eu gosto. Do lado mais surreal, do registo onírico da sua prosa.
Vou continuar a lê-lo seguramente.

(desta vez gostei mais do vol I)

sexta-feira, agosto 30, 2019

17/30 Carol


Ainda não vi o filme e ainda bem!
Não gosto de ser sugestionada por cenários, personagens, cores, condições atmosféricas, e todas as outras pequenas singularidades que os sentidos nos impõem.
Gostei!
Da descoberta de um amor, do crescimento, da forma como está retratada a inevitável perda da inocência.
E como li algures é um livro diferente também por ter sido escrito na preconceituosa década de 50 sobre um amor proibido entre duas mulheres e não acaba mal.
Recomendo!

E como já me disseram que não é de longe o melhor livro de Patricia Highsmith, fiquei com vontade de ler outros!

quarta-feira, agosto 21, 2019

16/30 A Morte do Comendador Vol.I

O último livro terminado no Algarve este ano.
(Mas acho que ainda vou começar outro! 😉)

Uma das características que aprecio em Marakami é conseguir surpreender-me sempre.
O seu estilo é fluido, quase simples, mas as ideias que explora são livres, quase irreverentes, como se fossem entidades próprias que brincam com o autor, atiçando-o para ver até onde ele chega.


quarta-feira, agosto 14, 2019

15/30 Uma pequena sorte

Como vos disse ando a por a leitura em dia!

😊

Este foi-me “recomendado” por uma amiga.
Li a crítica que fez e acrescentei-o de imediato à minha lista
(Mesmo que não tenhamos gostos muito semelhantes no que diz respeito a estilos)



Uma escrita simples e directa.
Um tema difícil.
O que leva uma mulher a abandonar a sua vida, a escolher deixar um filho pequeno para trás 
Há muito tempo que não chorava a ler um livro.
E chorei por a redenção ser possível. Não por ser lamechas!!! Ou fácil! Ou óbvia!

A 10 páginas de acabar o livro o menino Boop pediu-me para ir com ele à piscina. Acho que se estivesse a ler outro livro teria pedido que esperasse um bocadinho.
Mas estando a ler este.... fui! Claro!

Deixo-vos um excerto:
“A sequência (de pensamentos) decorre toda em menos de um minuto. No entanto, são precisas muitas palavras para contar minutos, segundos, instantes, frações de tempo quase imperceptíveis. A sequência ocorre com uma rapidez que as palavras que a contam não conseguem acompanhar. Do mesmo modo que podemos precisar de anos para aquilo que acontece num instante, e para que as palavras que o contam desapareçam. Às vezes nenés consegue que alguma vez desapareçam. Um instante que nos acompanha a vida inteira recriado em palavras milhares de vezes como uma condenação. O tempo comprimido e a narração desse tempo que o expande para se poder entender”

terça-feira, agosto 13, 2019

14/30 Campo de Sangue


O percurso de um homem que vive no limiar da realidade. Sem se ligar verdadeiramente ao mundo e às pessoas. E de como as suas defesas se vão quebrando à medida que deixa de conseguir controlar o que se passa à sua volta o que o leva à loucura

Dulce Maria Cardoso, nunca desilude!
Cada vez dá mais prazer ler autores portugueses!

sexta-feira, agosto 09, 2019

13/30 A desumanização



Na desolada região das fiordes da Islândia uma menina vê morrer a sua irmã gémea.
Valter Hugo Mãe leva-nos para o mágico universo infantil sem o dourar ou banalizar. Fala-nos antes do sofrimento solitário, da raiva, do ódio, da desilusão, e das vãs desesperadas formas de se tentar escapar do próprio sofrimento.
Mas fá-lo como se de um sonho se tratasse. Em palavras que parecem desenhadas a pincel, com cuidado, com poesia, com ternura.
Assim se podem falar dos pensamentos mais atrozes, dos desejos mais mortíferos, dos horrores de se crescer sem a metade que falta.

Não é decididamente o livro de VHM que mais gostei.
Mas não dei por perdido o tempo.
(Até porque as 250 páginas se lêem num tirinho)

quarta-feira, agosto 07, 2019

12/30 A caixa preta


Troca de correspondência entre 7 pessoas 
(Duas delas completamente periféricas)
Nestas cartas cabe tudo: amor, ciúme, inveja, paternidade, solidão, desejo, horror, tormento, lembranças, batalhas, religião, ódio, desprezo, ... com Israel como cenário.

O que me fica deste livro é a verdade despida, quase crua, mas repleta de afecto e respeito pelo outro, com que algumas das cartas são escritas. São dádivas ao outro, entrega absoluta, onde o íntimo e o secreto se revelam, não gratuitamente, são palavras medidas, sentidas (por vezes sofridas), de quem se mostra numa partilha quase confessional.
Para mim este é o uso mais nobre das palavras. Quando são usadas para nos por em verdadeiro contacto com o outro.

Amos Oz é um escritor e jornalista israelita. Dedicou-se militantemente a favor da paz entre palestinianos e israelitas. Faleceu em dezembro de 2018.

segunda-feira, agosto 05, 2019

11/30 A Mancha Humana


Gosto (muito!) quando um livro consegue trazer o mundo através da idiossincrasia de uma história individual. Uma história de uma pessoa comum. Que todos nós encerramos em nós a História que trespassamos.
Fica o retrato, não só da América (assanhada com a história de Clinton e Mónica Lewinsky), mas de todo o mundo ocidental.

“O que nós sabemos é que, de um modo que não tem nada de lugar-comum, ninguém sabe coisa nenhuma. Não podemos saber nada. Mesmo as coisas que sabemos, não as sabemos. Intenção? Motivo? Consequência? Significado? É espantosa a quantidade de coisas que não sabemos. E mais espantoso ainda é o que passa por saber.”

É uma das personagens do livro (e tão improvável ter sido exactamente esta!) que nos explica a “manca humana”:

“...nós deixamos uma mancha, deixamos um rasto, deixamos a nossa marca. Impureza, crueldade, mau trato, erro, excremento, sémen. Não há outra maneira de estar aqui. Não tem nada a ver com a desobediência. Nem com Graça, ou salvação, ou redenção. Está em todos. Sopro interior. Inerente. Determinante. A mancha que existe antes da sua marca. Sem o sinal de que está lá. A mancha que é tão intrínseca que não precisa de uma marca. A mancha que precede a desobediência, que engloba a desobediência e confunde toda e qualquer explicação e compreensão. É por isso que toda a purificação é uma anedota. E uma anedota bárbara ainda por cima. A fantasia da pureza é aterradora. É demencial. (...) Tudo quanto estava a dizer à cerca da mancha era que ela é inelutável. (...) as criaturas inevitavelmente manchadas que nós somos. (...)”

terça-feira, julho 30, 2019

10/30 Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai



Este livro é como um eterno retorno à metáfora.
Os capítulos curtos que são um bom convite à leitura levam-nos ao encontro de personagens caricatas, plenas de idiossincrasias, mas numa de “outra leitura” revelam aspectos do ser humano que urge pensar - ou talvez, indo um pouco mais longe as personagens não são simples pessoas, representam aspectos da vida, situações, funcionamentos, e por isso mesmo no livro apareçam como inusitados , surpreendentes, ou melhor - inesperados

A Hanna (com sindrome de Down) é o olhar infantil, simples, desprovido de qualquer maldade, o ser humano em estado puro, não corrompido, inclusive pelo saber/a aprendizagem..

O sentimento transversal a todo o livro, que é trazido pela Hanna e depois por quem escolhe acompanha-la na jornada, de que o tempo é um conceito abstrato, que a urgência é um conceito relativo. Que há que lidar com os acontecimentos, afectos, impulsos, à medida que eles vão surgindo, mesmo que sejam assustadores, e que a reacção mais imediata seja a de virar costas e não agarrar o desafio.

A descoberta que o personagem do livro faz de que quando está com Hanna as pessoas confiam nele de forma pouco habitual. Como se fosse contagiante a inocência dela, como se o "estado puro" desarmasse o outro. (É delicioso o jogo de contar sorrisos quando andam pela rua)

E depois há o antiquário que habita o 4º andar. cujo acesso é feito por umas escadas sem corrimão, no apartamento repleto de objectos que despertam a atenção, todos eles pequenas viagens a momentos da vida, a outros tempos, a outros lugares. Para mim foi como a descrição de uma viagem ao inconsciente, à procura das origens, da sua própria história, lugar onde se podem demorar tempos infindos, onde se perde a noção do tempo, onde nem sempre se encontram respostas.
Este homem tem uma tarefa herdada de gerações passadas, que perpetua sem questionar, torna-se o seu propósito de vida, que não escolheu mas ao qual não pode escapar- é o que é!


Não é o livro de Gonçalo M Tavares que mais gostei.
Mas fez-me pensar algumas coisas o que já não é mau!

quinta-feira, julho 11, 2019

9/30 - A Aparição Segundo a Memória


Sobre o livro: 

É um livro difícil de comentar sem spoilers... Mas vou tentar!
Um exercício interessante, e para alguns seguramente considerado de ousado, de colocar Deus como personagem principal, com voz própria, pensamento, e (imaginem só)  crítica.
Com a acção a decorrer na primeira metade do século XX, num mundo em conflitos cada vez mais sangrentos e abomináveis, temos um deus inicialmente interventivo, pensando em como poderá guiar a sua criação (a quem em bendita hora tomou a decisão de dar o "livre arbítrio", mas que por isso mesmo se vê impedido de uma acção mais directa e efectiva na mudança do curso dos acontecimentos), e que progressivamente se desmorona e horroriza observando impotente o rumo da sua criação.
O final não vos conto, evidentemente!
É um deus que bebe, fuma, lê romances e poesia. Que sabe que só existe enquanto existir no pensamento do Homem, numa existência simbiótica (usando um termo da biologia). E que não alimenta a ideia de uma vida eterna pós morte, essa, a eternidade, só a Ele pertence, desde que alimentado pela fé dos homens ou pela sua própria vontade.
Não será certamente um livro recomendado pela Santa Madre Igreja! (o que acho que é de todo o agrado do escritor!)


Sobre o autor:

Conheci o Alexandre (Hoffman Castela) ainda antes dos seus 10 anos de idade. O que recordo é um menino educado, algo tímido (pelo menos perante os amigos dos pais que só vê muito de vez em quando), mas que se adivinhava vivo e atento. Na curta passagem pela sala da frente da casa dos pais para educadamente cumprimentar as visitas, arrumar um ou outro brinquedo e passar a mão numa festa por um dos sempre presentes cães lá de casa, pouco mais deu para perceber.
Fui sabendo noticias nas conversas entre "adultos" de "Como estão os miúdos?".
A escola. A escolha do curso. A ida para a faculdade em Coimbra. A boémia.
E fui sendo surpreendida pelas conquistas (as poucas que me chegaram, porque serão seguramente muitas mais) deste menino que já não o é há muito - destaco a candidatura como cabeça de lista às autárquicas de Lamego pela CDU, e agora o lançamento do seu primeiro romance!


Foi um prazer ler o Alexandre!
Talvez por não o conhecer muito bem, mas ao mesmo tempo ter acompanhado a sua vida há mais de 20 anos (mesmo que de muito, muito longe) ao lê-lo a voz dele foi estando pontualmente presente, não só nos trechos em que dá voz ao escritor numa leitura exterior à narrativa central do texto, mas também num ou outro pensamento, numa ou outra construção frásica, em que as idiossincrasias se revelam. Mas muitas outras vezes o enredo envolveu-me e era "lá" que estava. (não vos digo onde porque é bem mais interessante lerem!)

Parabéns Alexandre!

Ficarei atenta a um próximo livro!

quarta-feira, julho 03, 2019

8/30 Os Transparentes



Estive tanto tempo sem apresentar resultados do meu desafio para este ano... - 30 livros!
Será que ainda lá chego?

Mas aqui vamos!
"Os Transparentes"
de Ondjaki

Primeiro peço palavras emprestadas:
"A história do homem transparente e do prédio onde vive está marcada por um delicioso registo humorístico, por vezes irónico, que se constitui como contraponto às acutilantes denúncias da degradação social e à visão amarga da vida na capital […] É no mesmo registo bem humorado que outras obras da literatura mundial são convocadas para a representação das coisas angolanas: antes de mais Dom Quixote, de Cervantes, através da nomeação do assessor do ministro, o SantosPrancha; mas também Camões, presente na designação atribuída ao galo a quem falta um olho, o GaloCamões; ou ainda James Cain com a referência ao carteiro que toca sempre duas vezes."
Agripina Carriço Vieira, JL

E as minhas:
Na verdade demorei a lê-lo. Foi ficando na mesinha de cabeceira, no carro, no sofá... Mas na ultima semana li os últimos 2/3.
Uma Luanda corrupta, onde se vive de oportunidades em todos os escalões sócio-económicos. Retrata muitíssimo bem a omnipotência da ignorância. A prepotência de quem tem algum tipo de poder sobre o outro (mais uma vez a qualquer nível sócio-económico). E de como a se "desaparece" nesta cidade tumultuosa - a metáfora do homem transparente está muito bem conseguida!

Todos os escritores africanos que li têm uma educação europeia. Não sei se é impressão minha (leia-se egocentrismo, falta de capacidade de olhar para além de mim mesma, o que quiserem), mas sinto-os neste olhar de fora, numa leitura simultaneamente de dentro, e de um olhar estrangeiro, exterior, de quem lê "para além de".

Bem.
Lido!
Venha o próximo!