terça-feira, fevereiro 14, 2017
sexta-feira, fevereiro 10, 2017
Bairro Alto
Isabel passeava distraída por esta cidade que tanto gosta. Conhece-lhe os caminhos e por isso muitas vezes não atenta aos pormenores. Segue metida com os seus botões, embrenhada em pensamentos, evita encontrões, sorri aos rostos estrangeiros.
Gosta das ruelas escondidas, onde os turistas escasseiam. É nelas que a atenção se foca.
Nota o recorte dos edifícios, as roupas estendidas, a tinta envelhecida.
As ervas que furam os intervalos da calçada, o rio que parece correr manso lá longe no sopé da colina.
E encontra uma porta para os sonhos desenhada numa parede. Um convite. "Sonha".
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| Algures no Bairro Alto |
Clic
SMS "lembrei-me de ti"
Tem de explicar-lhe depois.
Não é ele o sonho. Ele é bem real.
Foi no mundo dela que se abriu um espaço para o sonho quando ele chegou. Por ele, para ele encontrou formas de se expressar, explorou mundos adormecidos dentro dela, aprendeu a nomear afectos, conheceu-se nos segredos partilhados.
Faz parte dos sonhos dela sim. Mas desta maneira tão única.
E segue caminho
Aquecida nesta tarde fria por este pensamento.
De que alguém, à distância de um SMS, lhe alimenta os sonhos.
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Boop
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6:34 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 09, 2017
Não vou ser!!
Verbo Ser
Carlos Drummont de Andrade
“Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.”
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7:24 da tarde
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Marcadores: Poesia
quarta-feira, fevereiro 08, 2017
Espera
Às vezes é-me tão difícil esperar...
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| Imagem encontrada "por aí" |
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12:48 da tarde
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terça-feira, fevereiro 07, 2017
Inferno
Sartre dizia que estamos condenados a ser livres, quando uma criança nasce, existe, mas é no exercício da sua liberdade que descobre a sua essência.
Eles, "os outros", tiram parte de nossa autonomia. Ao mesmo tempo, é pelo olhar do outro que nos reconhecemos a nós mesmos, com erros e acertos. Já que a convivência expõe as nossas fraquezas - logo os outros são o “inferno”
Percebendo minimamente o conceito de Sartre, tendo o preferir "o inferno somos nós". Quando perdemos a individualidade, a capacidade de escolha, quando nos vemos num sítio onde estão outros corpos, outras vidas, onde se deixou de ter um nome, onde se prescinde da essência, e nos encontramos à deriva sem rumo para a nossa liberdade.
Para mim é esse o inferno - a anulação de si mesmo, a inibição do pensamento (que não o ruminar cíclico e circular) a perda da capacidade de liberdade e de criatividade. São esses os lugares mais escuros.
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| Dante, perdido na floresta, de Gustave Doré (séc. XIX) |
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5:59 da tarde
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domingo, fevereiro 05, 2017
segunda-feira, janeiro 30, 2017
Qual?
- Qual o teu instrumento musical favorito?
- A pele.
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9:18 da tarde
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quarta-feira, janeiro 25, 2017
Bruce Springsteen - You Never Can Tell
E ao vivo se fazem coisas fantásticas.
Sem medos!
Procura-se o tom certo, e avança-se!
Na adolescência, tinha um amigo que era aficionado pelo Bruce.
O Paulo.
Hoje em dia são poucas as vezes que o vejo.
Há alguns anos ainda me surpreendi uma vez ou outra por ainda termos uma conversa tão fácil e interessante.
Mas os anos vão passando. E cada vez o tenho visto menos.
Mas tenho a certeza que ainda gosta MUITO de Bruce Springsteen!
Por isso... este post é para ele!
:)
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9:18 da manhã
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domingo, janeiro 22, 2017
Quando nasce
Lembras-te da sensação primeira quando foste pai/mae?
Nem do prazer e orgulho com que se apresenta um filho ao mundo.
Nem do achares o teu filho a mais perfeita das criaturas.
Falo daqueles momentos incomunicáveis.
De qualquer coisa que te esmaga. De um sentimento desconhecido até então do "para sempre".
Do sentires-te responsável - real e incontornavelmente responsável.
É frágil, dependente, insuportavelmente frágil.
E teu!
De algo que não cabe dentro de ti. Que te transborda desconcertadamente em choro ou riso.
E com o dia-a-dia, num processo lento de aprendizagem e encantamento, te vais descobrindo capaz. E encontras espaço para este amor tão grande que quase doi.
E descobres... que afinal metade das pessoas à tua volta foi capaz.
E tu? Tu serás tão ou mais capaz do que eles.
E saberás conter a angústia dos momentos frágeis, do não saber, do não ter a certeza.
A vida mudou para sempre.
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| Foto tirada hoje no Palácio da Ajuda pelo meu mais novo, agora com 8 anos. |
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Boop
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7:13 da tarde
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terça-feira, janeiro 17, 2017
É isso e couves!
Ainda a propósito das couves:
Às vezes penso que sou mesmo uma menina de cidade, algo pedante e afastada da dureza da vida.
Não tenho história familiar próxima de viver do que a terra dá.
Não sei o que é "comer o que há"
Sempre tive árvores de fruto, e uma horta (assim pequenita) com espinafres e umas cebolas. Sei o que é apanhar um fruto da árvore e comer. Ou ir apanhar um limão ou uma laranja para fazer um sumo, louro para um assado, Lúcia-lima para um chá, espinafres para a sopa, ...
Mas faz-me confusão ter de comer porque "é o que temos agora, até porque depois vai estragar-se!"
(Eu avisei-vos que tinha o seu quê de pedante este post!)
As couves.... Foram apanhadas, e por isso tinham de se comer!
Não as apanhei eu.
Não as pedi.
Não as quis.
E no entanto ali estavam e havia que as usar. "Quer queira, quer não"!
Sinto-me aprisionada (nos meus desejos e na minha criatividade) quando me impõem batatas, cebolas... ou couves!
Pronto... sou uma menina da cidade!
PS - a feijoada ficou deliciosa! 7 à mesa! Boa comida, bons amigos e bom tinto! Horas tão bem passadas que nem me ocorreu fotografar a panela para partilhar as ditas couves cozinhadas! 😉
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Boop
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2:29 da tarde
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sábado, janeiro 14, 2017
quarta-feira, janeiro 11, 2017
Paradoxos
"Só porque algo parece impossível, não o torna falso!"
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11:54 da manhã
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quinta-feira, janeiro 05, 2017
Numa cidade
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Boop
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6:25 da tarde
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Marcadores: Carlos Farinha, Histórias, Quadros
Agasalhar o pessoal
Acabei de entregar uns casacos para a "campanha de agasalhos para a noite de Reis".
Uma iniciativa da junta de freguesia das avenidas novas, aqui em Lisboa.
Fui a um dos pontos de entrega identificados - uma loja da Remax.
Para além do meu saco, com casacos meus e da minha excelsa irmã, havia mais uma dúzia deles.
Quem me recebeu vestia irrepreensivelmente. Um jovem dos seus 30 e muitos, com um sobretudo de marca de algumas centenas de euros, e umas senhoras de cabelos cuidados (e pintados de loiro como convém), que abriram um sorriso aberto, me olharam nos olhos e desejaram boas festas.
Ficou-me um sentimento ambivalente.
E suscitou o velho tema de quem ganha mais quando se faz caridade. Economicamente, narcisicamente, socialmente...
Mas seja!
Agasalhos entregues! E espero que por isso alguém durma mais quente esta noite!
Mais informações AQUI
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Boop
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4:31 da tarde
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