terça-feira, junho 27, 2017

citação

Eu confesso ter um fraquinho por plantas carnívoras...

:)


"...o pior das palavras não é dizê-las, escolhê-las cuidadosamente, traduzir-me, nem através delas partilhar-me. O pior das palavras é serem perdidas. É não encontrarem o leitor, é levarem consigo parte de quem sou e permanecerem a vaguear sem retornarem a mim, transformadas, seja de que forma for. Porque quem lança sementes desconhecidas à terra não sabe o que vai colher, mas  anseia pelo romper da terra, o emergir das folhas, o descobrir se é erva daninha, flor Silvestre, árvore frondosa ou planta carnívora."

A Boop cita a I

sábado, junho 24, 2017

Rapazes...

Festas de anos de rapazes são assim...

Onde anda o Mr Boop ?!?!?!
(É que nem as regras eu sei!)

;)

 

O Deslumbre de Cecília Fluss



O 3º da triologia de João Tordo.

Este versa sobre um período da vida fascinante, mas também dilacerante - a adolescência.
Este sim foi um livro mais "difícil"; talvez pelos ecos que fez em mim, ou pela luta tremenda, às vezes atroz, para encontrar esse caminho solitário que levará cada um à idade adulta. 
Fala também de prisões, de grilhões, âncoras, que mantêm os personagens num tempo que já passou.

"Mas eu agora sei: os factos são emoções disfarçadas de eventos e, porque somos gente, porque somos frágeis, existem certas coisas que nos recusamos a sentir, porque, para as abarcarmos, precisaríamos de asas."

"Tu disseste-me uma vez que estavas apaixonada.
Sim.
A almofada morna contra o meu rosto fazia-me sentir protegido, sem vergonha de fazer perguntas.
Como é estar apaixonado?
Ouvi-a respirar fundo; o corpo dela fez os cobertores subirem lentamente e, depois, descerem outra vez.
É como voar.
Mas as pessoas não voam.
Certo.
E isso é bom?
Se calhar há pessoas que detestam sentir-se apaixonadas, explicou. A mim, às vezes, dá-me náuseas. Apetece-me vomitar. Noutras vezen, sinto uma dor tão grande que só quero que ela termine. E, ao mesmo tempo, faz-me sentir viva. Tão viva que é como se eu nunca tivesse existido antes.
Fez uma pausa e depois disse:
Não te consigo explicar. É impossível."

"O que é feito das coisas que se perdem todos os dias, os isqueiros e as caricas, onde vão parar as sombrinhas e os guarda-sóis e as luvas e os cachecóis, o que sucede as coisas que nos ficam pequenas, aos carros que morrem de velhos, aos tinteiros vazios, às canetas gastas, aos sapatos usadas, o que acontece ao amor quando envelhece ou definha ou é trocado pela indiferença?"

PS - a ler sim. Mas o meu preferido da triologia é "O paraíso segundo Lars D."


quarta-feira, junho 21, 2017

terça-feira, junho 20, 2017

Quando morre uma criança.



Hoje tenho de comunicar a uma criança a morte de duas.
Hoje tenho de introduzir, como real, a ideia terrífica da finitude, não dos velhos, nem dos doentes, mas dos amigos com quem se brincava ontem no recreio da escola.
Hoje as notícias da televisão e da rádio vão entrar pela porta da frente da minha casa. Sem pedir licença, sem saberem se é oportuno, vão emiscuir-se para sempre nas memórias de infância.
Ê assim a morte. Nunca pede licença, nunca é oportuna.
Hoje vou querer proteger, segurar, unificar, sarar, o que a realidade, dia após dia, desfaz, parte, destrói, arrasa.
Hoje há uma criança que vai ter de crescer. 

E nas outras casas, umas que conheço, outras não, a cena vai replicar-se.
Crianças vão saber que outras duas não vão voltar nunca.
E um traço de angústia vai ficar desenhado no percurso de todas elas.

(Amanhã será a vez dos professores, explicarem, responderem, conterem, lidarem com as perguntas que forem capazes de ser formuladas. Será seguramente um dos dias mais difíceis desta escola. Só posso agradecer antecipadamente o vosso cuidado! - aos professores que tanto gosto)


2h45

 

...e um calor insuportável !
Vim até à varanda!

Gosto de varandas!

sábado, junho 17, 2017

Porque me caiu bem!

Royce Gracie, Lisboa, 17/06/2017
(foto minha)
Hoje houve cerimónia de graduação e aula com o Mestre Royce Gracie.

Este tipo, profissional de artes marciais, praticante de Jui-Jitsu (faixa preta, 6º grau) e MMA (Mixed Martials Arts), com varias vitórias nos campeonatos de Vale-tudo mundiais, deve ser quando quer uma arma destruidora.

Mas também é de uma simplicidade, humildade e proximidade com os miúdos que os faz perceber que são como ele. Praticantes de uma arte, em permanente evolução - estarão um pouco mais atras... é isso!
(E sim, isso surpreende-me um pouco porque tem o seu quê de brutamontes e aspecto letal!)

Será isso ser professor...
Saber colocar-se perto dos seus alunos, e ajuda-los a dar o passo que se segue no seu percurso.
Independentemente das conquistas que se fizeram já em nome individual.

Para os miúdos foi óptimo tê-lo cá.


quinta-feira, junho 15, 2017

terça-feira, junho 13, 2017

O Paraíso segundo Lars D.

 

Ontem foi noite de Sto António!
E o que fiz eu na noite de Sto António?
Devorei um... Livro!

"O Paraíso Segundo Lars D." de João Tordo.
Segundo da triologia que começou com o "o Luto de Elias Gro"
Tinha lido algures que era um livro depressivo e melancólico..???
Não achei!
Fala de solidão sim, mas fala com tal verdade e transparência que não foi nem tristeza nem melancolia que senti. É fácil identificarmo-nos com a lucidez com que os personagens pensam a sua vida, o seu percurso, os seus corpos, as suas relações.
Apetece-me partilhar alguns excertos convosco - transcritos em baixo)

Se vale a pena?
Sem duvida alguma!

"Ter vivido mais de trinta e cinco anos com o meu marido ajudou-me a praticar o desamor, essa espécie de tranquilidade em que nao amamos nada nem deixamos de amar coisa alguma. Gostamos de nós e, aos poucos, vamos descobrindo que nada há em nós para gostar, mas gostamos, mesmo assim. Talvez seja esta a resolução de toda a inquietação, o fim de toda a angústia: sabermos, no nosso interior, que tod a inquietação ou angústia são manifestações de uma mesma coisa, de um desejo de união com alguma coisa inefável que resiste a mostrar-se."

"...vasculhei os livros e encontrei o diário de Etty Hillesum. Abri o livro ao acaso e li: Toda a vida tive esta sensação: quem me dera que houvesse alguém que me pegasse pela mão e se ocupasse de mim; eu pareço forte e faço tudo sozinha, mas gostava tanto de me entregar completamente..."


sábado, junho 10, 2017

"Posso ir sozinho para o parque?"

 

Qual é o tempo da autonomia?
Tantas decisões pequeninas, espaços conquistados às vezes sem plena consciência.
Adormecer sozinho,
Passar a noite num amigo,
Ficar sozinho em casa,
Andar com dinheiro no bolso,
Ir sozinho às compras,
Fazer a pé o caminho para a escola,
Ter um telemóvel,
Ter autorização para sair da escola,
Levar um amigo para casa sem adultos por lá,
Cozinhar,
Ir de férias para o estrangeiro sem pais,
...

A minha máxima: até fazerem algum disparate têm o meu ok para cada aventura...
(Até porque são miúdos tranquilos e com noção das suas capacidades)
Não que isso me deixe sempre tranquila.

À pergunta de hoje respondi:
"Claro, tem cuidado a atravessar a rua"
Mas não resisti.... Mandei a S atrás dele...
:)

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PS - Como que num embalo, tornamos por momentos a vida mais leve.
        Nunca seremos velhos demais para nos sentarmos num baloiço.

quinta-feira, junho 08, 2017

Livros

 

quarta-feira, junho 07, 2017

É hoje!

É hoje!

É hoje que vou à feira do livro!
(Se não surgir um imprevisto qualquer....)

PS - não foi hoje! Mas o imprevisto foi muito bom! :)


Tudo com conta, peso e medida! ;)

 

terça-feira, junho 06, 2017

A cidadela branca - Orhan Pamuk

 



Dois homens, um escravo (de origem italiana) e um mestre (turco), na Istambul do séc XVII. Estes dois homens são fisicamente idênticos o que os perturba e confunde. Debatem-se à exaustão sobre o "Quem sou eu?"  e o "Porque sou o que sou?"
Um jogo de espelhos interminável, diabólico, onde as fronteiras entre um e outro se vão diluindo, onde lucidez e loucura se confundem. 

A minha opinião:
Fraquinho!
Li-o até ao fim por teimosia.