sábado, julho 29, 2017

De volta aos livros



A fazer de conta que tenho tempo para ler....

segunda-feira, julho 24, 2017

Impulsivo ou prudente

Em momento de procrastinação faço um teste idiota onde às tantas surge a pergunta:
- costuma ser impulsivo ou prudente?

99% das pessoas que me conhecem diriam "Prudente" - e foi essa a minha resposta à questão. Sou na esmagadora maioria das situações prudente!

Depois há o 1%...
E sabem? Sou grata às pessoas junto das quais sou impulsiva. Mesmo que atabalhoadamente, mesmo que sem noção de alguns limites. E às vezes fico à rasca. Mas vale a pena. Porque até esses que me vêm impulsiva me sabem 99% prudente.

NOTA: ser prudente não é sinónimo de por de lado a espontaneidade. É ter a cabeça no lugar. E ser capaz de ir pensando o que estou a fazer.

sábado, julho 22, 2017

Bucólica de Miguel Torga

A magia deste poema?

Ouvi-lo dito pelo meu filho!
Voz inocente.
Meio corrido.
"Mãe, procura a bucólica do Miguel Torga. Vê lá se eu sei!?"
E vem uma palavra atrás da outra.
Gosto de uma escola em que a poesia existe paredes meias com a filosofia, a matemática, o futebol e a pintura. Uma escola plural. Em que é tão natural um rapaz tocar violino, ser craque de futebol, fazer ginástica rítmica, ou uma arte marcial. A diferença como enriquecimento do todo.

E o meu filho sorri enquanto diz:

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha
.

Não dá para mais

Hoje não tenho cabeça para mais!

Será esta a minha leitura pré sono.



quinta-feira, julho 20, 2017

Debaixo de Algum Céu - Nuno Camarneiro

O prometido comentário que tardava...


Comecei a estar atenta aos prémios Leya quando a minha amiga Gabriela Ruivo Trindade foi a primeira mulher a ganha-lo (!!!) em 2013 - Com o livro "Uma Outra Voz" - gostei tanto desse livro!

Este, do Nuno Camarneiro, foi o de 2012... escapou-me!
:)
Peguei-lhe há tempos.
Li-o rapidamente.
Mas não ganha ao da Gabriela!
:)

Quero deixar-vos alguns excertos que gostei bastante:

"Há outras maneiras de ser feliz que não conheço mas intuo, serão fugazes e ardentes, arrebatadoras, isso, arrebatadoras. Como chegar ao cimo da montanha russa para depois descer e subir de novo, e assim sempre. Só loucos ou poetas podem acreditar que depois de um cimo vem outro maior e outro ainda, mas é assim que vivem, por isso cantam e gritam como eu não. E, no entanto, tenho dentro de mim partes descontentes que estejam há muito. Porque diabo esperam?"

"O problema é desenhar a vida em forma de montanha, dar um cume à vida e querer atingi-lo como se o seusentido dependesse desse facto. O sentido da vida, a existir, há-de ser como o sentido de uma montanha, e não muda por lhe chegarmos ao topo ou nos perdermos pelas encostas..."

"Aos homens muito perdidos só lhes restam caminhos que levem a uma mulher. A noite sem mulheres não tem fim, nem o medo ou a morte têm fim longe delas. Filhos delas toda a vida, mesmo que fingindo, mesmo a fugir. Para os homens muito perdidos só as mulheres são lugar."

terça-feira, julho 18, 2017

Tornar a vida picante


Há meia dúzia de anos, numa feira lisboeta de produtos biológicos comprei um vaso com uma pequena amostra de 20cm de altura com 5 pequenas folhas que, garantiu-me a senhora, era um pé de malagueta.

Já em casa duvidei que vingasse....
As plantas cá em casa só se aguentam se forem persistentes e autónomas.   


Mas lá passou para um vaso maior.
E depois para a terra.



A produção é mais do que muita. (Especialmente para quem usa 1 dúzia por ano).
E nesta altura do ano tenho "clientes frequentes" a quem ofereço um frasquinho de malaguetas.
Que lhes apimenta a vida por um ano inteiro (ou não... que cada um as gere como bem entende!) 
:)

Alguém é servido?

Eu faço o que posso para condimentar os dias daqueles que gosto!

segunda-feira, julho 17, 2017

Ou nos teus olhos

"Ver um mundo num grão de areia, E um céu numa flor silvestre, Segurar o infinito na palma da mão, E a eternidade numa única hora".

 "Auguries of Innocence", William Blake

domingo, julho 16, 2017

The winter is coming


Há poucas séries que provoquem em mim um comportamento aditivo.
Esta "quase" consegue!!!!
:)

7ª temporada de "A Guerra dos Tronos" à porta!!!!!

quarta-feira, julho 12, 2017

Duetos improváveis


Corações de Atum + Sophia de Mello Breyner Andresen

Hoje pareceu-me que iam bem juntos!
:)




CHAMO-TE
Sophia de Mello Breyner Andresen

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado

Desnudo - de corpo e alma

O homem que se fotografou nu a fazer o pino por esse mundo fora - DAQUI
- O que me revela mais? - perguntava-me ela - O meu corpo nu? Ou o acesso ao meu pensamento?
- O que é que acha? - retorqui eu.
- O meu corpo não é perfeito, sabe?! Não o consigo mostrar assim, sem mais nem menos.
- Mas não me disse ainda. Onde se sente mais exposta?
(Silêncio)
- Quando mostro o que penso aliado ao que o meu corpo sente. Quando consigo traduzir em palavras a forma como as emoções ecoam nos recantos do meu corpo. Quando dou voz ao desejo, ou à angústia, ou à tristeza. E consigo ao mesmo tempo ser corpo e pensamento. Aí o meu corpo passa a ser meio de expressão. Nem bonito nem feio. Sou eu! Uma expressão de mim complementar à palavra. Às vezes sinto que não chega, só corpo, ou só palavra. Quando consigo aliar os dois... Quando consigo os dois não tenho medo nem vergonha, nem do toque, nem do olhar, nem do choro.
(Silêncio)
- Não é exposta que me sinto nessa altura. É verdadeira!
- Revelada! Despida?
- Sim, é isso que procuro. Saber quem sou quando me mostro ao outro. No mais íntimo de mim. (...) Aí o corpo é só uma parte, nem penso muito nele. Aí sou corpo em acção. E a minha voz é corpo e palavra. Traduzo-me.
(Silêncio)
- O sentir-me exposta vem depois. Quando me sinto só, sem retorno.
- E isso acontece muitas vezes?
- Não, na verdade não! Escolho criteriosamente a quem me mostro de corpo e alma.

sábado, julho 08, 2017

Kundu




Dois livros terminados nestes dias.
Hoje escolho falar do Kundu.

Porque neste dia de Verão envergonhado, estive a termina-lo junto ao mar.
Um livro que nos traz a selva tórrida, de calor, corpos, misticismos, sexualidade primitiva, e europeus num mundo que não lhes pertence.
A Papua Nova Guiné lida, imaginada, fantasiada, na frescura aprazível de uma tarde atípica de Julho perto da praia do Guincho.
Uma combinação improvável.

E...

O reencontro com Morris West.
Não lia nada dele há uns 20 anos. Não sabia se me iria desiludir. Se a maturidade inevitável me faria olhar para a sua escrita de forma diferente.
Mas foi como reencontrar um amigo.
E estarmos os dois à conversa sabendo das histórias decorridas nos anos transactos.

Grande escritor!

quarta-feira, julho 05, 2017

Nas tuas escadas

Fragmento do livro Debaixo de algum Céu de Nuno Camarneiro

Eu 14, tu 16
Eu 44, tu 46
30 anos passaram
Não sei exactamente quando tu te tornaste TU para mim.
Vi miúdas a apaixonarem-se por ti. Vi-te entusiasmado com os primeiros passos nos relacionamentos "adultos" (que este é um blog familiar). Soubeste dos meus namoros, da minhas ânsias. E respeitaste o meu espaço quando alguém se sentiu ameaçado pela proximidade que tínhamos.
E embora recorde idas à praia, passeios a cavalo, tiros com pressão de ar em Sintra, passeios pelo estádio nacional, ..., onde eu acho que a nossa história se foi sedimentando e crescendo e tornando mágica, foi nas escadas do teu prédio.
Tantas e tantas horas passamos sentados no patamar do 1º andar. Tu e Eu.
Não sei se mais alguém se juntava a nós nessas horas perdidas (perdidas só por intemporais). Não me recordo - a memória é selectiva e tende a reconstruir-se de acordo com o nosso desejo.
A tua mãe bem nos convidou a entrar... eventualmente desistiu.
E ainda hoje és guardião de quem eu sou.
Sem escadas...
Ainda hoje recebes as minhas ânsias, entendes os meus passos sinuosos, acalmas as minhas angústias. Acarinhas os meus segredos.
És reduto da adolescência das verdades despidas.
És lugar para pensamento.
Estás longe e tão perto.
30 anos, e para ti continuo "apenas eu"
30 anos, e tu és TU para mim.

E por isso mesmo não sendo particularmente bonitas as escadas da tua casa.. é nelas que penso quando leio "Rien n'est plus beau dans les maisons anciennes que les escaliers."

segunda-feira, julho 03, 2017

Debaixo de algum céu

A conselho da menina Caliope aqui vou eu!

Depois digo da minha justiça!




Angústia

Fernando Pessoa - Heterónimo, Costa Pinheiro, 1978

Nunca, por Mais

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça 
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido, 
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une, 
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea — 
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma, 
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem — 
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração. 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
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Hoje escrevo para/por/no lugar de/... uma das pessoas que mais me diz nesta viagem que fazemos sem ter escolhido, viver nem sempre é fácil, e há momentos de angústia que nos assaltam. Pudesse eu livrar os que mais gosto de alguns tormentos. Quem me conhece sabe que o faço de forma espontânea a quando sinto que posso ajudar de alguma maneira, seja de que forma for. E que frustração não poder num passo de magia tornar a vida mais leve.


domingo, julho 02, 2017

Reflexões emprestadas

"Se espreitares os meus olhos encontrarás a sombra das aves.
Se não espreitares, encontrarás as aves, mas não saberás como os meus olhos brilham quando me olhas."

António Vilhena
In, "Canto Imperecível das Aves"