Os poetas escondidos e a declamação de poesia
Uma porta de entrada para um mundo mais íntimo. Para afectos e sentires.
Cada leitor empresta ao texto algo seu, e transforma dentro de si as palavras e intenções do escritor/poeta.
Por isso acho que partilhar, publicar, um texto é um acto de coragem. É prescindir de algo que nasceu nas vísceras e permitir que outro o mastigue, redescubra, reinvente.
Prefiro ler no meu silêncio. E emprestar à palavra escrita o meu ritmo, a minha entoação, a minha emoção, a minha leitura.
É muito raro gostar de ouvir dizer um poema. Prefiro a minha voz interna."
Serei só eu a ter esta resistência a prescindir da minha própria leitura?
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ADENDA
(Obrigada JPR por enriqueceres o meu post!)
VERTIGEM
Detenho-me no declive vertiginoso da escarpa,
é uma vertigem,
uma força que me impele a sobreviver
no lapso final do instante.
Ao longe, na idade da velhice,
falam-me de paraísos,
dizem que os astros brindam
ao triunfo laborioso do amor.
Sempre exististe em mim,
e eu ainda não te descobri,
ou descobri-te no fulcro da fatídica cegueira.
João Paulo Ribeiro

