Medo
"Sim, às vezes tenho medo, e às vezes o medo invade-me e eu pareço menos eu. E parece que estou sozinho, mesmo que vos tenha ao pé de mim. É que não estão ao pé deste eu que não vos mostro. Este 'é' medo. E fico pequenino, incapaz, naquele tempo aquém das palavras porque não sei - não quero - nomear isto. É que tenho medo. Sou medo. Quero um colo que não há mulher no mundo que me o possa dar. Nem mulher, nem homem. Ninguém. Sim, às vezes tenho medo."
Eu... não me lembro de um medo que um colo não curasse.
Ou tenho "maus" medos...
... ou bons colos!
Mas a memória é curta e tende a amenizar as maiores dores. (que agora à medida que fui escrevendo fui recuperando algumas memórias de momentos de medo)
...ou vou sabendo dar colo a mim própria.
_____________
Acho que não foi por acaso que escrevi isto hoje, um dia em que mais uma vez o país está em chamas, em que temos Verão a meio de outubro, em que me chegam noticias inquietantes de países distantes que evocam horrores indiscritíveis. Desamparos legitimados pelo mundo - eu falei dos outros, legitimados pela verdade de quem os sente.


