terça-feira, novembro 28, 2017

Noite dentro



Tenho de confessar que me dá gozo trabalhar em coisas que gosto noite dentro enquanto o resto da casa dorme!
:)

domingo, novembro 26, 2017

Mar prateado

Hoje o mar é de prata.
E lembrei-me da Sophia...


O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


Sophia de Mello Breyner Andresen

(deixo-vos o "meu" mar)


Foto da Boop - ...ainda há pouco...


terça-feira, novembro 21, 2017

A Poesia Invadiu o Caos

Encontrei esta página - "A Poesia Invadiu o Caos".
Alguém anda a plantar poesia nas ruas.

:)





domingo, novembro 19, 2017

Oculta

Mais um livro acabado aqui há dias - "Oculta" de Héctor Abad Faciolince, escritor Colombiano, com a vida dividida entre a violenta Colômbia e o refugio de Itália.

Uma história contada a três vozes, de três irmãos, que nos leva numa viagem pelo desbravar da floresta colombiana, um percurso de maravilhas e horrores, de esperança, audácia e medos. E da quinta da família - La Oculta.

Deixo-vos um pouco das três vozes:

EVA
"Há dias em que acordo lúcido e então desprezo o campo. As vacas, as galinhas, o cheiro a estrume, os mosquitos (...) no caso as pessoas parecem meio aparvalhadas, no melhor dos casos, ou então tornam-se receosas, velhacas, desconfiadas. (...) O campo embrutece porque não há cinema, nem jornais, nem bibliotecas, nem salas de concertos, nem teatros, (...), nem pessoas de todos os tipos que vão e vêm e discutem nos cafés. Não há conversas inteligentes, informadas, que são o melhor remédio para não nos mantermos brutos (...) Quem permanece no campo vai-se tornando selvagem, vai mimetizando a terra até ficar parecido com as vacas ou, no melhor dos casos, com os pássaros.
Tenho esta casa, tenho a terça parte de uma quinta a que já quase não vou, e menos ainda desde que morreu a mina mãe. (...) Eu seria capaz de nunca mais voltar a La Oculta"

ANTÓNIO
"(as irmãs) São tão diferentes uma da outra que pode parecer estranho que goste delas da mesma maneira. (...) Desde que me conheço que as observo com interesse e curiosidade, com amor e paixão como se assistisse ao enredo de um filme, de dois filmes ao mesmo tempo. São como um mistério que tenho de decifrar todos os dias.(...) Não as julgo, não penso que uma é melhor que a outra. Acho que elas também não me julgam demasiado e aceitaram-me como sou, com as minhas luzes e as minhas sombras(...), com ou sem o Jon. Penso que se a Pilar não tivesse tido ao lado dela um homem como o Alberto, que é completamente excepcional entre os homens, se calhar não tinha constituído a família tão fiel às tradições que sempre quis ter(...) E se as primeiras experiência da Eva não tivessem sido com homens tão desagradáveis, machistas e egoístas como os que teve, talvez não tivesse sido obrigada a assumir uma atitude de desconfiança, liberdade e desprendimento.
Eu (...) vivi a primeira metade da minha vida como a Eva (...) na segunda metade desde que encontrei o Jon, a minha vida tornou-se mais parecida com a da Pilar:
Há coisas na vida que só contamos a nós próprios, desde que não nos descubram, coisas ocultas que não são o cerne das nossas vidas, mas uma zona escura da nossa intimidade.
Eu sei que a Pilar e o Alberto não têm segredos(...) mas quantos casais conseguem viver assim?"

PILAR
"(La Oculta) trata-se da versão local do paraíso perdido, da terra prometida que uma vez nos foi dada(...)
É por isso que eu e  o Alberto queremos conservar La Oculta, e fá-lo-emos seja como for, até ao dia da nossa morte. E não é por egoísmo, é para que o António e o Jon possam vir dos estados unidos e sentir-se felizes aqui.Para que os meus filhos e os meus netos venham para cá e sintam a mesma felicidade que eu sentia quando era menina e moça.
(...)
Cobo (o pai) não estava enganado quando me pediu para não a vender. Quem está muito bem enganado é quem vende as suas próprias terras."





sexta-feira, novembro 17, 2017

A musica que os filhos ouvem...


...mas tenho a certeza que não ouvem o mesmo que nós.

(ou sobre como as nossas histórias - as nossas , as dos outros, as dos filmes, as dos sonhos, as da fantasia - nos emprestam novas formas de ler, ouvir e pensar)

quinta-feira, novembro 16, 2017

Ter a casa encaixotada é...

... ter um pretexto para comprar novos livros!
:)

segunda-feira, novembro 13, 2017

Arundhati Roy

Há uns anos, atraída pelos prémios que a obra tinha recebido li "o Deus das Pequenas Coisas".
Foi já há muito tempo - uns 20 anos talvez.
Não me lembro muito bem do enredo. Mas lembro-me de que gostei, gostei o suficiente para o oferecer a amigos.

Este ano, passeando pela feira do livro, dei com um novo livro de Arundhati Roy. Nenhum romance foi escrito entretanto. 20 anos depois nova obra.
Comprei sem hesitar.

Não peguei nele imediatamente.
Ficou uns meses em espera.
E depois... foi lido lentamente.
Um retrato de uma Índia que desconheço (sempre foi um mistério para mim a Índia...) e de Caxemira, entalada entre Índia, Paquistão e China.
Um universo de Castas, de policia armada, de milícia, de revolucionários, de dialectos e línguas oficiais, o mundo caótico de Nova Deli, os milhões de pessoas, e a história contada pela voz de uma hijra ou seja de uma transexual.

Como disse foi lido lentamente...
(o que me fez perder às tantas o nome de tantas personagens com nomes nada ocidentais)
Terminado numa madrugada solitária deste fim de semana.

Aconselho!

domingo, novembro 05, 2017

Apeteceu-me...





Que memória tão boa!!!

Passei algures pela fotografia de uma fogueira.
E vieram-me à memória as fogueiras de S Martinho, que fazíamos na nossa rua. 
Os vizinhos juntavam-se. Assavam-se castanhas. Saltava-se à fogueira.
Que memória tão boa!! 
O sabor das castanhas.
O calor da fogueira.
O cheiro a fumo na roupa.
Parece que faz parte de outra vida.
Os lugares hoje são os mesmos. E as vivências tão, tão diferentes! 
:)

(E esta memória estava totalmente perdida neste misterioso mundo que é a nossa mente e a nossa possibilidade/capacidade para nos recordarmos das coisas.)

quarta-feira, novembro 01, 2017

A propósito da época


Americanices à parte (que a tradição não é equivalente à máquina economicista de uma nação que dela se apodera) saúdo a capacidade humana de recorrer à criatividade para elaborar os seus medos e superstições. Brincar com o que nos assusta é, e sempre será, uma arma indiscutível para lidar com o medo. Sejam mexicanos com festas religiosas, ou irlandeses com festas pagãs, em comum o uso da cor e da alegria, e do prazer da gula.

E não tenho mais nada a dizer!

domingo, outubro 29, 2017

Da inocência

Foto da Boop - Av Marginal 

Momentos havia em que a natureza se impunha, forte, impetuosa, alheia às considerações humanas, aos seus desejos e projectos. Às vezes mágica e encantadora, outras tirana e disruptiva, sempre magnânime. 

Era nessas alturas que involuntariamente se sentia esmagada por um mundo tão para além dela própria. Um mundo indiferente ao livre arbítrio, às leis, à moral, a toda e qualquer produção política, filosófica, metafísica. Um mundo que não precisa ser explicado nem entendido, seja porque ciência for. Sem deus nem rei. 

Esmagada e simultaneamente liberta.
A sua pequenez relativiza todo o impacto que possa ter no outro, no mundo. Nada é! E uma leveza inunda-a. Desresponsabilizada de todo e qualquer acto. É indiferente o que faça ou não. Não é necessária, o mundo avançará sem ela, indiferente às suas escolhas, às suas prevaricações, aos seus erros, às suas ousadias, às suas angústias. Nada é!

E ali, naqueles momentos efêmeros, esquece-se até de ser capaz de produzir tais pensamentos. Recua a um tempo de inocência em que o maravilhamento é possível.

(Há pessoas com quem se cruza que têm essa capacidade, de sem saber porquê, fazer com que se sinta de novo menina, capaz de confiar, de se entregar, de "ser verdade", de reencontrar inocência - saberão elas quão raras são?)


terça-feira, outubro 24, 2017

Quando o pensamento nos foge

Foto da Boop - praia de Algés

É-me muito cara a frase de Pessoa "Que prazer ter um livro para ler e não o fazer"
Permite-me de quando em vez fugir sem culpa dos meus afazeres e deixar o pensamento vaguear.
Um destes dias parei o carro aqui, com um texto para escrever em mãos, mas perdi-me por momentos a olhar o rio, a praia, as nuvens, e a na verdade a não atentar a coisa nenhuma.
Os pensamentos foram vários.
E a vontade que de vez em quando me assalta de um momento sem amarras em que pudesse reinventar a minha história. E o pensamento fugiu-me para...
...e depois voltei ao texto!
Que me levou a um bom resultado por sinal! ;)

(Mas vejam lá se o poema de Fernando Pessoa não se encaixa tão bem aqui!)



       Liberdade

          Ai que prazer 
          Não cumprir um dever, 
          Ter um livro para ler 
          E não fazer! 
          Ler é maçada, 
          Estudar é nada. 
          Sol doira 
          Sem literatura 
          O rio corre, bem ou mal, 
          Sem edição original. 
          E a brisa, essa, 
          De tão naturalmente matinal, 
          Como o tempo não tem pressa... 


          Livros são papéis pintados com tinta. 
          Estudar é uma coisa em que está indistinta 
          A distinção entre nada e coisa nenhuma. 


          Quanto é melhor, quanto há bruma, 
          Esperar por D.Sebastião, 
          Quer venha ou não! 


          Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
          Mas o melhor do mundo são as crianças, 


          Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
          Só quando, em vez de criar, seca. 


          Mais que isto 
          É Jesus Cristo, 
          Que não sabia nada de finanças 
          Nem consta que tivesse biblioteca... 

sábado, outubro 21, 2017

Asterix

E o que faz uma psi quando ao fim de semana se transforma numa solitária motorista dos filhos e ruma a kms de distância de casa?


Isto!

Em Fonte da Telha





quarta-feira, outubro 18, 2017

A borboleta




Escrito pela minha pequena menina Boop quando tinha 7 anos, e hoje, passados 6, voltou a passar pela minha mão, e que bem me soube!
Porque às vezes precisamos de poesia.

Uma borboleta no chão voa com harmonia,
eu ao vê-la poisar adormeço de repente
fecho os olhos e voo como a própria borboleta
asas de par cor de laranja, preto a acompanhar,
um poço avermelhado.