sábado, janeiro 25, 2014

Um beijo

"Um beijo do tamanho de um mar inteiro reflectido nos teus olhos."

Foi assim que ela terminou a sua escrita. Clicou no "enter" e a mensagem seguiu... fácil...
E esperou horas, dias, semanas...
E o mar da espera diluiu a precisão do contorno dos olhos dele.
A resposta não veio.
O mar prenho de sonho secou, devagar,
Transformou-se em deserto. Seco, estéril, amargo,
E quando não havia mais esperança recebe uma sms que diz: "olá"
...e contra a sua vontade uma torrente de água fecunda preenche-a por inteiro...



Pintura Por Carmen G. Junyent

quarta-feira, janeiro 22, 2014

7 e 7 são 14, e mais 7, 21....

... tenho 7 namorados e não gosto de nenhum!




Lá estavam elas, em jogos de roda, entoando cadências, ritmos emprestados a dizeres seculares, não pensados, nem sentidos.
E alí estava Silvia. De olhar perdido muito para além das crianças que brincam, e a sentir repetidas, marteladas, as palavras cantadas... tenho 7 namorados e não gosto de nenhum...
É que Sílvia está sozinha! Estará ela estragada de alguma maneira? "Ninguém te pega rapariga" dizia a mãe naquele tom distante, irritante, de quem não tem qualquer capacidade ou desejo de a ler.
7... Silvia só queria 1.....
34 anos!
E o amor?
E a promessa da infância do desprendimento total, de namoros possíveis, de superioridade afectiva, de futuro com escolha?
As crianças brincam, e Silvia olha-as sem sorriso nem esperança.


(em referência às 2524 pesquisas que vieram até hoje parar ao Canto da Boop a partir de 7 e 7 são cartoze e mais 7 21, tenho 7 namorados e não gosto de nenhum)

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Far far away...

Papu senta-se ao computador, lá fora um dia luminoso, o sol que entra pela janela leva-a para longe desta Londres que a acolheu, e empresta um calor reconfortante que ajuda a encontrar memórias, histórias, gentes e cheiros do seu Alentejo.
E escreve, dos seus dedos brotam palavras, da sua cabeça ideias e histórias. Papu escreve!
Quando escreve é muito mais do que mãe, é muito mais do que esposa, é muito mais do que ela própria. É um mundo inteiro que se espraia para lá do que a sua própria  imaginação. Reinventa-se através das personagens que conta. Reencontra-se nas suas origens aquém e além mar.
Papu é tudo isto e muito mais. É os amigos que deixou para trás, é a família que carrega consigo, é as histórias que habitam dentro de si, é capacidade de sonhar, é o que faz no dia-a-dia sem ninguém ver. É muito mais.

Gabriela Ruivo Trindade ganhou o prémio Leya.
Vezes sem conta é apresentada como "a desempregada que este ano ganhou o prémio Leya"
Mas Gabriela Ruivo Trindade é a Papu, não gosto que seja essa a característica a descreve-la.

Quem quiser ler a Gabriela tem-na aqui:  no blog far far away


domingo, janeiro 12, 2014

Escrever à mão

Mais uma vez se senta à mesa para escrever. É assim quando precisa de mostrar-lhe o desassossego que a revolve por dentro. É que as teclas do PC não servem o mesmo efeito! São as letras por ela desenhadas, uma a uma, numa folha em branco que aos poucos se enche dela, que verdadeiramente a descrevem. Especialmente quando lhe fala do nada que nela há perante a ausência.
Como se as palavras, assim tão dela, lhe dessem corpo. Como se do outro lado, quem lê, pudesse assim entende-la melhor, palavras desenhadas na folha branca, em traços tão seus,.
Ou quando lhe fala do amor... como se pode explicar o amor com as teclas do PC?
Sim, ela no fundo sabe que pode...
Mas é assim, de caneta em mãos que gosta de lhe escrever.
E começa sempre assim...

meu amor,