domingo, dezembro 10, 2017

sábado, dezembro 09, 2017

A intimidade

Boop no museu Rodin
A proposito de um artigo de divulgação do psiquiatra Mário Lourenço ocorreram-me uma série de pensamentos.

Dizia ele: 
"a intimidade está associada ao despojamento do autocontrolo sensorial e afetivo, à entrega plena, sem o receio das consequências que daí possam advir"      "... é algo que só revelamos em relações de grande proximidade, que nos inspiram confiança e nos transmitem segurança. Quando sentimos que não vamos amachucar a nossa forma de ser e de estar no Mundo (...) a intimidade será sempre a capacidade de nos colocarmos na pele do outro sem perdermos a nossa."

E como aceito à partida que os pensamentos que temos não são sobre os outros mas sobre nós próprios... terá sido sobretudo sobre mim que pensei.
Quem não me conhece bem (not true - mesmo quem me conhece bem!) tem-me como uma pessoa afável, disponível, presente, mas algo reservada, mantendo uma distância não muito grande mas pouco flexível, e segura, forte... Ainda há dias a minha filha de 13 anos dizia que nunca me tinha visto chorar  (assim à séria!)

Depois há aquelas pessoas (tão poucas! 2?, 3? ...) a quem me dou de corpo e alma (não todas de corpo... ;) mas todas de alma!). E não sei dizer porquê... Em alguns casos posso dizer que há uma história, que há décadas de convívio e um conhecimento profundo. Mas e as outras? Que intuição é esta que me diz que posso confiar, entregar-me, fragilizar-me, falar de angustias, desejos, mostrar-me sem medo e sem pudor. Que encontros raros são estes, em que mesmo mostrando toda a minha fragilidade me sinto inteira e segura? De onde me vem a certeza de que não me vão magoar?
Sinto quase mágico este encontro. Um lado infantil que sem medo mergulha a Boop adulta num espaço de confiança e intimidade.

E sabem?
São preciosos estes momentos!





quarta-feira, dezembro 06, 2017

Faz-me falta o mar revolto

Da janela do meu carro esta manhã - Paço de Arcos

Onde está o vento forte?
E as fortes correntes?
Onde andam as ondas que galgam o paredão e se insurgem contra as paredes de rocha e betão?
Por onde anda o mar picado e salpicado de ondas brancas?

Faz-me falta o mar revolto para ser espelho da minha própria rebeldia.
Faz-me falta a inquietude que me diz que nem tudo tem de ser docemente tranquilo.
Faz-me falta a força indiferente às estruturas e às regras.

E o poder estar quente e segura com o pensamento solto à deriva, qual espectadora presa pelo encanto, com os olhos postos no mar.

_________________________

...porque gosto do mar de inverno!



Seal - Love [AUDIO]

terça-feira, dezembro 05, 2017

E eis que nos céus de washington...





Ora fico aqui cheia de ambivalências...

- a força aérea norte americana tem um dever de seriedade e honra, não só para com os americanos, mas tendo em  conta o seu  potencial destrutivo, com todo o mundo.

- este gesto pode ser considerado ofensivo e uma força do estado não se pode dar a estes luxos.

- a população de Washington, numa pacata manhã de Novembro, teve de lidar com algo inusitado, que terá levantado algumas questões, crianças curiosas, adolescentes a sentirem-se cúmplices e autorizados a práticas semelhantes (à sua medida, claro está), puritanos indignados, ...

- mas tenho um lado marginal que se congratula com a irreverência nos sistemas mais espartilhado.

- os pilotos mostraram habilidade e exactidão nas manobras (se são bons aqui, serão bons noutros contextos... digo eu...)

Enfim...
...assim se gasta dinheiro dos contribuintes...
...se alimenta a imprensa com questões de sumenos...
...e se fazem publicações em blogs sem a mínima consequência...

Teria sido escusado!

sábado, dezembro 02, 2017

l'autre "Le Baiser" - Rodin

Musée Rodin - Paris - aujourd'hui 


J'aspire aux autres bisous ...
Le doux, le tendre ... 
Qui viendrait avec le calme des jours. 
Mais le désir de ma bouche est encore vorace.

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Le Baiser - Pablo Picasso

Musée Nacional Picasso - Paris - aujourd'hui 



un bisou de toi 
et tout mon corps entre dans un rythme effréné. 
une confusion 
delicieux demembrement 
et dans tes bras je me reconstruis

terça-feira, novembro 28, 2017

Noite dentro



Tenho de confessar que me dá gozo trabalhar em coisas que gosto noite dentro enquanto o resto da casa dorme!
:)

domingo, novembro 26, 2017

Mar prateado

Hoje o mar é de prata.
E lembrei-me da Sophia...


O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


Sophia de Mello Breyner Andresen

(deixo-vos o "meu" mar)


Foto da Boop - ...ainda há pouco...


terça-feira, novembro 21, 2017

A Poesia Invadiu o Caos

Encontrei esta página - "A Poesia Invadiu o Caos".
Alguém anda a plantar poesia nas ruas.

:)





domingo, novembro 19, 2017

Oculta

Mais um livro acabado aqui há dias - "Oculta" de Héctor Abad Faciolince, escritor Colombiano, com a vida dividida entre a violenta Colômbia e o refugio de Itália.

Uma história contada a três vozes, de três irmãos, que nos leva numa viagem pelo desbravar da floresta colombiana, um percurso de maravilhas e horrores, de esperança, audácia e medos. E da quinta da família - La Oculta.

Deixo-vos um pouco das três vozes:

EVA
"Há dias em que acordo lúcido e então desprezo o campo. As vacas, as galinhas, o cheiro a estrume, os mosquitos (...) no caso as pessoas parecem meio aparvalhadas, no melhor dos casos, ou então tornam-se receosas, velhacas, desconfiadas. (...) O campo embrutece porque não há cinema, nem jornais, nem bibliotecas, nem salas de concertos, nem teatros, (...), nem pessoas de todos os tipos que vão e vêm e discutem nos cafés. Não há conversas inteligentes, informadas, que são o melhor remédio para não nos mantermos brutos (...) Quem permanece no campo vai-se tornando selvagem, vai mimetizando a terra até ficar parecido com as vacas ou, no melhor dos casos, com os pássaros.
Tenho esta casa, tenho a terça parte de uma quinta a que já quase não vou, e menos ainda desde que morreu a mina mãe. (...) Eu seria capaz de nunca mais voltar a La Oculta"

ANTÓNIO
"(as irmãs) São tão diferentes uma da outra que pode parecer estranho que goste delas da mesma maneira. (...) Desde que me conheço que as observo com interesse e curiosidade, com amor e paixão como se assistisse ao enredo de um filme, de dois filmes ao mesmo tempo. São como um mistério que tenho de decifrar todos os dias.(...) Não as julgo, não penso que uma é melhor que a outra. Acho que elas também não me julgam demasiado e aceitaram-me como sou, com as minhas luzes e as minhas sombras(...), com ou sem o Jon. Penso que se a Pilar não tivesse tido ao lado dela um homem como o Alberto, que é completamente excepcional entre os homens, se calhar não tinha constituído a família tão fiel às tradições que sempre quis ter(...) E se as primeiras experiência da Eva não tivessem sido com homens tão desagradáveis, machistas e egoístas como os que teve, talvez não tivesse sido obrigada a assumir uma atitude de desconfiança, liberdade e desprendimento.
Eu (...) vivi a primeira metade da minha vida como a Eva (...) na segunda metade desde que encontrei o Jon, a minha vida tornou-se mais parecida com a da Pilar:
Há coisas na vida que só contamos a nós próprios, desde que não nos descubram, coisas ocultas que não são o cerne das nossas vidas, mas uma zona escura da nossa intimidade.
Eu sei que a Pilar e o Alberto não têm segredos(...) mas quantos casais conseguem viver assim?"

PILAR
"(La Oculta) trata-se da versão local do paraíso perdido, da terra prometida que uma vez nos foi dada(...)
É por isso que eu e  o Alberto queremos conservar La Oculta, e fá-lo-emos seja como for, até ao dia da nossa morte. E não é por egoísmo, é para que o António e o Jon possam vir dos estados unidos e sentir-se felizes aqui.Para que os meus filhos e os meus netos venham para cá e sintam a mesma felicidade que eu sentia quando era menina e moça.
(...)
Cobo (o pai) não estava enganado quando me pediu para não a vender. Quem está muito bem enganado é quem vende as suas próprias terras."





sexta-feira, novembro 17, 2017

A musica que os filhos ouvem...


...mas tenho a certeza que não ouvem o mesmo que nós.

(ou sobre como as nossas histórias - as nossas , as dos outros, as dos filmes, as dos sonhos, as da fantasia - nos emprestam novas formas de ler, ouvir e pensar)

quinta-feira, novembro 16, 2017

Ter a casa encaixotada é...

... ter um pretexto para comprar novos livros!
:)

segunda-feira, novembro 13, 2017

Arundhati Roy

Há uns anos, atraída pelos prémios que a obra tinha recebido li "o Deus das Pequenas Coisas".
Foi já há muito tempo - uns 20 anos talvez.
Não me lembro muito bem do enredo. Mas lembro-me de que gostei, gostei o suficiente para o oferecer a amigos.

Este ano, passeando pela feira do livro, dei com um novo livro de Arundhati Roy. Nenhum romance foi escrito entretanto. 20 anos depois nova obra.
Comprei sem hesitar.

Não peguei nele imediatamente.
Ficou uns meses em espera.
E depois... foi lido lentamente.
Um retrato de uma Índia que desconheço (sempre foi um mistério para mim a Índia...) e de Caxemira, entalada entre Índia, Paquistão e China.
Um universo de Castas, de policia armada, de milícia, de revolucionários, de dialectos e línguas oficiais, o mundo caótico de Nova Deli, os milhões de pessoas, e a história contada pela voz de uma hijra ou seja de uma transexual.

Como disse foi lido lentamente...
(o que me fez perder às tantas o nome de tantas personagens com nomes nada ocidentais)
Terminado numa madrugada solitária deste fim de semana.

Aconselho!