domingo, junho 19, 2022

21/40 Romão e Juliana



Leve, 
Amores e desamores
Encontros e desencontros
Lê-se num tirinho 
Um Romeu e Julieta em terras lusas.
Bem humorado e com um final bem português.


SINOPSE

Com Romão e Juliana vamos ao reinado de D. João V, ele próprio protagonista de aventuras galantes, ficou célebre a que manteve com Soror Madre Paula Teresa de Almeida, Madre do Convento de Odivelas. De igual liberdade não gozam Romão e Juliana pelo que tentam vencer as barreiras em peripécias sucessivas. Fiel ao seu consagrado estilo narrativo, pleno de imaginação e humor, Mário Zambujal traz-nos uma nova e apaixonante história.

Romão e Juliana 
ISBN 9789897243349Editor: Clube do AutorIdioma: Português Dimensões: 155 x 234 x 11 mmEncadernação: Capa molePáginas: 144







sábado, junho 18, 2022

20/40 Beraca



Mais uma BD (que me foi oferecida só porque sim! 🙃).

Beraca é a cidade paraíso. De onde brota a vida e que se apresenta como sinónimo de fartura e felicidade. Livre ainda da contaminação da volúpia e da inveja, surge como a cidade impoluta, secreta, a proteger.

Ao ser desvelada é de imediato alvo de cobiça dos poderosos.

Inicia-se a disputa. Dois generais num braço de ferro pela posse daquilo que desejam - pura gratificação narcísica e falocêntrica - fazem da utopia, distopia.

Forças iguais, destruição igual, mortes iguais… não se vislumbram vencedores nesta guerra.

5 personagens representam os inocentes - interessante que são personagens cheios de falhas (morais, de comportamento), a sua inocência não é intrínseca. São apenas peões descartados, irrelevantes, danos colaterais das guerras dos soldados. (Um frade, uma mãe, uma criança, um casal de velhos).

Uma BD pequena, que retrata de forma simples (quase simplista) os conflitos que os homens perpetuam por vaidade e ambição.



sábado, junho 04, 2022

Lá vai o Mr Boop

Há 101 dias neste longe tão perto iniciou-se uma guerra. A imponente Rússia frente à resistente Ucrânia. Milhares de homens e mulheres que se viram obrigados a pegar em armas e a militarizarem o seu dia a dia. E os refugiados que numa torrente continua tentam escapar dos horrores terríficos e inomináveis. Ambos russos e ucranianos, soldados ou refugiados, jovens ou idosos, viram a sua existência revirada. É agora terreno fértil de medos, pesadelos, lutos, dores, angústia e morte. Não há descrição possível para a guerra. Principalmente para quem, como eu, nunca a sentiu na pele, nas entranhas, no olfacto, no paladar…

Nem creio que exista alguma guerra justa, limpa, sem “crimes de guerra”, sem ser fonte de traumas individuais e colectivos, que não se inscreva na história pessoal, nacional e universal como ensinamento de desconfiança, de desesperança, de desmembramento.

Esta guerra terá muito de semelhante a outras guerras. Tem a grande diferença de ser televisionada, uma ameaça à integridade europeia é naturalmente pornograficamente explorada. Temos histórias de dor, histórias de amor, e uma solicitação muito premente de nos posicionarmos. Toda a gente tem aparentemente uma opinião formada e não se coíbe de a partilhar.

Desde o primeiro dia o Mr Boop diz: “devia lá estar!” E…

Foi!

Que faça a diferença. Não na resolução do conflito, nem na estratégia política-militar, mas nas vidas com que se cruze, nos pequenos gestos de perícia mas também de amor com que se dedica à medicina e ao próximo.

Bem haja!

Cá o esperamos de volta




quinta-feira, maio 05, 2022

19/40 O Jardim de Cimento


5 estrelas!

Nada neste livro soa a “1.o romance”.
A escrita é de uma acutilancia brilhante e desconcertante.
Falado na primeira pessoa dá voz a um adolescente de 15 anos (o 2.º de 4 irmãos), cujos pais morrem, e que se vê confrontado com a impossibilidade de aceder às suas próprias experiências emocionais.
O que acontece quando a coluna vertebral da vida das crianças - os pais - desaparece.
A casa (como universo de contenção e pertença) desmorona rapidamente. O caos vai-se instalando interna e externamente enquanto os 4 vão oscilando entre a depressividade passiva e vazia, e a passagem ao acto em descargas violentas e destrutivas.
Tudo é descrito com realismo, levando-nos a acompanhar a escalada do deslimite, fazendo do leitor um cúmplice, por vezes incrédulo.
As sensações ganham um lugar sobrevalorizado uma vez que ocupam as vezes das emoções com as quais nenhum dos 4 está capaz de lidar - os cheiros, o não tomar banho, o tacto, a pele, as moscas, os ratos, os risos desadequados, a necessidade de estarem perto uns dos outros mas de só o conseguirem fazer implicando, agredindo, magoando.
E neste universo desregrado em que se veem, onde a própria temporalidade fica suspensa, em que não é possível sonhar um (qualquer) futuro, a sexualidade surge como forma de combater o mortífero - uma tábua de salvação aparente que na tentativa de os agarrar à vida os vai alienando cada vez mais.
Vou querer ler mais de Ian McEwan!

________________


SINOPSE:

A publicação de "O Jardim de Cimento" - o primeiro romance de Ian McEwan, cuja colectânea de contos "Primeiro Amor, Últimos Ritos" já havia sido galardoada com o Prémio Somerset — anunciava a singularidade das obras futuras de um autor que, integrando-se numa geração que procurou renovar as letras inglesas, é hoje reconhecido como um dos maiores escritores da ficção mundial contemporânea.

"O Jardim de Cimento" considerado pela crítica simultaneamente chocante e perfeito, mórbido mas terrivelmente irresistível, é uma narrativa contada na primeira pessoa pelo seu protagonista, Jack, um rapaz de quinze anos que vive com duas irmãs adolescentes e um irmão pequeno. Com a morte dos pais, os quatro jovens experimentam uma sensação extraordinária de perda e liberdade. Num clima de isolamento quase doentio, tornam-se personagens de um universo estranho e entregam-se despreocupadamente a jogos solitários, ao desmazelo, à apatia e às fantasias mais arrebatadoras. Mas a consistência destas figuras está longe de se cingir a uma minoria marginal, remetendo-nos antes para a organização simbólica da comunidade como um todo. A ausência de valores não aparece neste romance como um caso específico, constituindo um sintoma de que nada afinal distingue o verdadeiro do falso, o útil do inútil, o sagrado do interdito. E tudo isto contado com um realismo inquietante, sem concessões nem rodeios, onde a morte e o sexo espreitam a cada porta para fazer saltar o verniz das convenções, dos preconceitos morais e do conservadorismo britânico. Sensual, perturbador, fascinante: uma pequena obra-prima.


O Jardim de Cimento
ISBN 9789726620624Editor: GradivaIdioma: PortuguêsDimensões: 146 x 220 x 7 mmEncadernação: Capa molePáginas: 160

domingo, maio 01, 2022

Mãe




Ser mãe é ser muita coisa.

Nem todas as coisas fáceis. Mesmo quando se tem uns filhos fantásticos como os meus.
:)
Mas é verdade que a vida muda para sempre.
Não acho que se precise de filhos para ter uma vida plena. Nem que a única pegada que se deixe neste mundo seja através da prole. 
Sei sim, que é uma experiência diferente de qualquer outra.
De repente alguém é realmente e indiscutivelmente responsabilidade tua! Nos bons momentos, nos maus, e naqueles que não fazes ideia do que está a acontecer.

Deixo-vos hoje, dia da mãe (e com algumas saudades do azul no meu cabelo), um poema de Pablo Neruda a respeito dos filhos

"Fizeste-me ver a claridade do mundo
e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível porque,
graças a ti,
não termino em mim mesmo"

 

sexta-feira, abril 29, 2022

É isto!

 Mas tenho escrito tão pouco....




18/40 Onde as Pêras Caem



Entrei neste livro num ritmo lento. Aparentemente não me foi fácil entrar no registo da escrita de Nana Ekvtimishvili. Não que a leitura fosse lenta, não foi isso, o que demorou foi a minha possibilidade de entrar na narrativa e de acompanhar de mais perto a vida das crianças e adultos desta escola.

Depois deixei-me levar. 

A vida dura destes miúdos, órfãos e desamparados, deixou-os à mercê de todo o tipo de mau trato e manipulação. Como pode alguém existir (no verdadeiro sentido do “ser” “Ego-sintónico”) se a realidade em que se encontra não lhe reconhece essa existência?

Mas o que é cativante neste livro não é a história de desamparo, nem sequer a raiva que cresce no âmago e que se torna motor de subsistência, emprestando objectivos de vida, destrutivos mas claros e precisos.

O que me cativou a mim foi a possibilidade de momentos de infância, de meninice, de cumplicidades, de amor fraterno, que no meio de tanta desolação mantêm presente a possibilidade de um futuro diferente.



SINOPSE 

Lela, a protagonista deste romance, tem duas certezas na vida: a de que o seu professor de História tem de morrer e a de que ela precisa de começar uma vida nova para lá desse campo onde as peras caem.

Numa Geórgia recém-independente, nos arredores de Tbilisi, fica uma casa apalaçada onde funciona uma instituição que acolhe órfãos e crianças com deficiência mental. É conhecida por Escola dos Idiotas, ainda que a maioria dos que hoje ali vivem - como o pequeno Irakli - tenham sido simplesmente abandonados pelas mães por desespero e não sofram de qualquer doença mental. Porém, em lugar de serem acarinhadas e educadas, as crianças da Escola dos Idiotas recebem dos professores sobretudo lições de negligência e abuso.

Com dezoito anos feitos, Lela já tem idade para poder deixar o estabelecimento, mas está lá há tanto tempo que não se lembra de ter tido família. E, não sabendo para onde ir, aceita um trabalho na instituição para poder planear à vontade a sua vingança suprema e, ao mesmo tempo, preparar a adoção de Irakli por um casal norte-americano. Mas nem tudo corre como planeado…

Este é um retrato poderoso, mas sem sentimentalismos, de um grupo de jovens que se defendem mutuamente da crueldade do mundo dos adultos. Premiado e aplaudido pela crítica e pelo público, ficará seguramente na memória de todos os leitores.


Onde as Peras Caem 
ISBN 9789722074384Edição/Reimpressão 03-2022Editor: Dom QuixoteIdioma: Português Dimensões: 156 x 235 x 10 mmEncadernação: Capa molePáginas: 160



 

quarta-feira, abril 27, 2022

17/40 Romance 11, Livro 18

“Em Roma sê romano”
A adaptação à minha existência enquanto leitora traduz-se em: quando viajo leio livros cuja acção se passe na cidade/pais que visito.
E por isso escolhi agora este romance de Dag Solstad - lido nos finais de dia, já cansada de tanto andar, pelas ruas da cidade que pertence ao passado de Bjørn Hansen, a personagem principal deste livro - OSLO.
Um livro que lendo-se sem esforço, nos leva a entrar em contacto com o que é a condição humana, as perguntas que se nos colocam ao chegarmos aos 50’s (estou quase lá). Fiz da minha vida o que queria ter feito? As pessoas que me rodeiam sabem quem eu sou? Como cheguei onde estou agora? As “escolhas” profissionais foram realmente escolhas ou foi a vida que “me aconteceu”?
Ao passar das páginas vemos como Bjørn se vai enredando nos próprios pensamentos. De um discurso mais narrativo e claro, que nos traz a vida anterior em Oslo e justifica a mudança para uma cidade de província e como decorreu a integração nessa realidade tão diferente, passamos a um pensamento cada vez mais intrincado e solitário em que Bjørn acaba por se ver prisioneiro de si próprio de uma forma inesperada e irreversível.




SINOPSE:

Aos cinquenta anos de idade, Bjørn Hansen não consegue deixar de pensar que toda a sua vida tem sido governada pelo acaso, pelo jogo ilusório da sociedade, por escolhas difíceis de explicar até para si mesmo. Dezoito anos antes, abandonou a sua mulher, o filho pequeno e o emprego seguro em Oslo, para se juntar com Turid, a sua amante, numa cidade de província. Com o decorrer do tempo, porém, também essa relação esmoreceu e terminou.

Sozinho há quatro anos, Bjørn está agora decidido a tomar as rédeas da sua própria existência, congeminando um plano tão louco como extraordinário. E nem a inesperada chegada à cidade do filho o dissuadirá de pôr em prática, com a ajuda de um médico amigo, a sua perigosa decisão.

Obra com a qual Dag Solstad recebeu pela segunda vez o prestigiado Prémio da Crítica na Noruega, Romance 11, Livro 18 foi um livro definido pela crítica como impiedoso, cómico e brilhante, no qual o autor sonda até ao extremo o paradoxo da própria condição humana.



Romance 11, Livro 18
ISBN 9789896686369Editor: Cavalo de FerroIdioma: PortuguêsDimensões: 151 x 227 x 12 mmEncadernação: Capa molePáginas: 172

sábado, abril 16, 2022

16/40 A queda



Fiquei curiosa por ter sido o último livro de ficção publicado em vida por Camus.

Mas foi penoso, em alguns trechos…

Outros houve que trouxeram ideias mais interessantes, mas não o suficiente para o considerar uma boa leitura.

Foi como se eu estivesse activamente a procurar no livro razões para o continuar a ler. E fui encontrando aqui e ali…

Algumas das ideias:

- uma sala cheia de livros meio lidos é tão repulsiva como a ideia das pessoas que encetam um foie gras e mandam o resto fora…

- que Cristo (interessante nesta época Pascal) teria sentido que merecia o castigo da morte por ter com ele uma culpa ancestral - ou não mataram todos os bebés na tentativa de o matar a ele?

- que a ideia de fazer parte da “resistência” lhe era estranha e desagradável, por ter de se proteger desse mundo “inferior” das trincheiras.

- (…)

Começamos com um homem cheio de virtudes, altruísta, disponível, que se vai revelando aos poucos, na sua postura narcisica, egoista, e de quem usa o outro, sabendo ler as suas fragilidades, sugando-o, manipulando-o para se validar, no final, na sua presunção e “verdade individual”.

E cansativo também por ser um monólogo do princípio ao fim? O “outro” existe apenas como interlocutor imaginado (por nós os leitores) como um personagem neste enredo mas, de quem nada sabemos na verdade.


SINOPSE:

Num bar de marinheiros em Amsterdão, um homem que se apresenta como juiz-penitente enceta conversa com um desconhecido. Entre copos de genebra e deambulações pelas ruas daquela cidade de canais concêntricos, a fazer lembrar os círculos do inferno, recorda a sua vida passada como respeitável advogado parisiense, insuperável na defesa de causas nobres e nas conquistas amorosas. Mas à medida que a confissão se desenrola as ambiguidades acumulam-se, os motivos ocultos revelam-se, os triunfos desabam.

Narrativa mordaz, de uma ironia brilhante, A Queda descreve uma viagem de decadência até às mais obscuras infâmias do homem moderno. Publicado pela primeira vez em 1956, foi o último livro de ficção lançado em vida por Albert Camus.


A Queda 
ISBN 978-972-38-2933-4Editor: Livros do BrasilIdioma: Português Dimensões: 152 x 235 x 9 mmEncadernação: Capa molePáginas: 88



quarta-feira, abril 13, 2022

Os nossos monstros


(Texto rascunhado após visita ao museu do azulejo e que está em processo de transformação para ser publicado em outras instancias!)


OS NOSSOS MONSTROS.

São descritos, desde que há palavra escrita, monstros terríficos, personificando todo o mal que o desconhecido encerra.
Antes da escrita, teríamos já a tradição oral, as histórias contadas e repetidas nessa necessidade tão nossa (é do humano que se trata) de nomear, visualizar, tornar concreto, para assim ganhar (a ilusão de) controlo.
E antes disso eram provavelmente desenhados.
Dos mitos, aos contos de fadas, os seres mágicos que os povos do mundo inventaram são de uma riqueza que me maravilha.
Não podemos hoje em dia separarmo-nos dos caldo sócio-cultural onde mergulhámos desde o nascimento. Por isso mesmo são essas as mesmas criaturas que habitam os sonhos/pesadelos, as metáforas que criamos ou as histórias que inventamos.

Ontem fui visitar o Convento Madre de Deus em Lisboa (onde está hoje situado o museu do azulejo).
Numa das paredes laterais da igreja do convento (na parte reconstruída nos séc XVII e XVIII), num cantinho que provavelmente me teria passado despercebido não me tivesse eu sentado num banco por uns momentos, encontrei este “monstro”.
De imediato me vieram à lembrança os monstros do livro “Onde vivem os monstros” de Maurice Sendak (título original - “Where the Wild Things Are”). Nesse livro infantil magnífico uma criança é chamada de “monstro” devido ao seu mau comportamento e mandada para o quarto sem jantar, e entramos de seguida, numa viagem pelo fantástico mundo onírico, no confronto com as projeções internas transformadas em terríveis criaturas que Max progressivamente teme, aceita e domina, para só então poder regressar a casa.

Mas voltando ao azulejo.
Fez-me mergulhar nesta ideia de inconsciente colectivo. Do caldo comum em que todos estamos submersos. Seguramente que Maurice Sendak nunca visitou a igreja do convento de Madre de Deus, mas estamos a falar dos mesmos monstros que habitam as entranhas dos homens. Seja em que século for.

terça-feira, abril 12, 2022

15/40 The Borgias

 




Tenho mantido o registo dos livros que leio… por isso… aqui vai:
Demasiada perversão.
A desconstrução total do poder da igreja, das leis da ética e da boa fé.
O poder e o prazer acima de tudo.
Sem respeito por qualquer outra lei que não a do proveito próprio.

Lido em inglês.
Foi-me oferecido… não o teria comprado


SINOPSE:
A saga arrebatadora de sexo, sangue e religião de Alejandro Jodorowsky e Milo Manara em quatro partes agora é coletada em uma edição de brochura comercial pela primeira vez, um volume companheiro perfeito para a premiada série Manara Library da Dark Horse! Quando o Papa Inocêncio VIII morre, o corrupto e licencioso Cardeal Rodrigo Borgia trama, assassina e seduz seu caminho para se tornar o novo Papa, garantindo imediatamente posições para sua família e, assim, garantindo uma dinastia Borgia. Com obras de arte pintadas de tirar o fôlego por Manara, este relato da primeira família da máfia da Itália está entre os quadrinhos - e da história - épicos mais sexy, violentos e envolventes!
Bórgia vol. 1-4



The Borgias

de Alejandro Jodorowsky e Milo Manara
ISBN 9781506712451
Editor: DARK HORSE COMICS
Idioma: Inglês 
Dimensões: 213 x 274 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 216



quarta-feira, abril 06, 2022

14/40 Afirma Pereira (novela gráfica)

 “Afirma Pereira” - a adaptação a novela gráfica do romance homónimo de Antonio Tabucchi.


Um livro sobre a censura e a repressão. Sobre a violência policial. Sobre a sobrevivência sob a proteção  do regime.

Mas também sobre a tentativa de se ser apolitico num mundo em que a voz é roubada. 

Afirma Pereira (sobre)vive anos a fio sem se posicionar perante o que vê acontecer à sua volta. Preso num luto difícil vai-se anulando enquanto sujeito desejante. A morte, ou a ideia da morte, torna-se companhia frequente numa busca difusa de um sentido para a vida. É por aqui que entra em contacto com um jovem casal, que se vem a revelar revolucionário, e o nosso “herói deprimido” vê a pouco e pouco surgir a sua faceta humanista. 

Ao mesmo tempo que assistimos ao “acordar” deste bom homem, esta versão gráfica traz-nos uma Lisboa que já não sendo igual é tão facilmente reconhecível. Nas suas cores e na sua luz, no seu traço melancólico das vielas e dos cafés. No Tejo sempre à espreita. As tonalidades sóbrias e escuras, utilizadas para reforçar o ambiente de censura e medo vivido à época, contrastam com a força do azul do céu. Como quem sabe que alguma luz surgirá, esperança sustentada enquanto houver homens de bom coração.


Não fiquei fã do traço.

Outras novelas gráficas que por aqui têm passado têm sido mais interessantes.



SINOPSE 

“Afirma Pereira é um romance existencial decididamente optimista."
Antonio Tabucchi Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem contra a ditadura, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. Um verdadeiro retrato duplo: o de um homem cheio de sensibilidade humanista, e o de uma Lisboa ao mesmo tempo plena de cor e de melancolia.


Afirma Pereira 
ISBN 9788416510672Editor: G. Floy StudioIdioma: Português Dimensões: 216 x 284 x 18 mmEncadernação: Capa duraPáginas: 160Tipo de Produto: Livro

sábado, abril 02, 2022

13/40 Vinte e quatro horas da vida de uma mulher

 



Magnífico.

Curiosamente o que mais gostei neste livro não foi exactamente a história narrada do que aconteceu naquelas 24 h. Facto que provavelmente não tem nada de curioso, na verdade, não é esse o mote do livro.

Há algo muito maior do que isso. É um livro sobre a pulsão, sobre a paixão, sobre a descoberta. Mas acima de tudo sobre a tolerância, sobre a aceitação. Explora o que há de irracional nos actos humanos. De passional.

Traz a questão de como a “verdade” sobre o próprio se valida na partilha. De como nos descobrimos quando nos obrigamos a encontrar as palavras que nos permitem comunicarmo-nos a outrem. Que esse passo de mágica que faz com que um interlocutor seja válido e outro não, vem da intuição, de um encontro qualquer entre a necessidade do próprio e a disponibilidade do outro.

Que para a verdade, como para o amor (ou talvez aqui se fale de paixão), a única coisa necessária é um acto de fé, um salto no escuro, uma força irracional. Só com um acto assim tresloucado, alguém se coloca à mercê de outro alguém, e entrega toda a sua fragilidade, saindo às vezes desfeito da contenda.

Um livro onde há a tentativa da “amoralidade” - ainda mais delicioso por ter sido escrito em 1927 - e o reconhecimento do humano, da sua força e da sua fragilidade.


SINOPSE

Numa respeitável pensão familiar na Côte d’Azur, no início do século XX, ocorre um escândalo. Madame Henriette, esposa de um dos hóspedes, foge com um jovem que ali passara apenas um dia.
Todos se unem na condenação da imoralidade de Madame Henriette. Só o narrador, com a ajuda de uma idosa dama inglesa, procura compreender o que se passou. Será ela a explicar-lhe, numa longa conversa, as apaixonadas recordações que este episódio lhe suscitou.


 9789896413903
 11/13
 88
 15,3 x 23,3 cms
 Capa Mole
 168 gr


sábado, março 26, 2022

12/40 Raparigas de Província

 O primeiro romance de Edna O’Brien. Escrito há 62 anos. Está muito distante do último “girl”, separam-nos muitas décadas, uma vida inteira como mulher e como escritora.

É verdade que foi afinando brilhantemente a arte da escrita. Nomeadamente a possibilidade/capacidade que tem de escrever sobre as mais horríveis, desumanas, inomináveis experiências dos seus personagens. Tornando-os mais próximos, mais nossos, expondo o indescritível, nessa partilha íntima de episódios que não teriam palavras não fosse a mestria de Edna O’Brien. Expõe sem ser exibicionista. Fala do “mal” sem ser perversa. Leva-nos a conhecer os limites da condição humana, e enquanto a lêmos sabemos que somos todos feitos da mesma matéria, identificamos-nos com sofrimentos que não sabemos que existem.

Mas esta Edna é a mais madura.

A Edna de “Raparigas de província” estaria ela própria a descobrir o mundo, e o mundo da escrita. É um livro delicioso. Acompanhamos o crescimento de duas raparigas, desde o início da adolescência até ao início da vida adulta. 

(Tem qualquer coisa de Carson McCullers - talvez por trazer a adolescência no feminino - mas essa parecença vai-se diluindo à medida que o livro avança)

Foi um livro censurada pela forma como aborda a sexualidade - estávamos noutros tempos. A minha leitura agora encontra apenas o olhar inocente da descoberta, a excitação das novas experiências, e o desejo de liberdade e aventura.

Excelente pontapé de saída para uma carreira literária!



SINOPSE:

Início dos anos sessenta numa vila rural da Irlanda. Caithleen Brady e a sua atraente amiga Baba, duas raparigas a tornarem-se mulheres, querem abrir asas para o mundo, descobrir o amor e o luxo e o álcool; querem, acima de tudo, divertir-se. 
Com uma inocência travessa, astutas ainda que inexperientes, as duas raparigas deixam a escola do convento e chegam às luzes brilhantes de Dublin, onde Caithleen descobre que amantes meigos e ideais raramente existem no mundo real.

Raparigas de Província 
ISBN 9789896411763Editor: Relógio D'ÁguaIdioma: Português Dimensões: 153 x 232 x 15 mmEncadernação: Capa molePáginas: 224



quarta-feira, março 23, 2022

Um Haiku por dia

Aqui há tempos decidi pôr-me um desafio: escrever um Haiku por dia que reflectisse o que ia vendo, pensando, sentindo em relação a esta guerra que ameaça a Europa.

Digo-vos que foi mais difícil do que pensava. Isto de transmitir ideias em 17 sílabas tem que se lhe diga. E muitas vezes tive de me socorrer de uma imagem/fotografia para completar a ideia…

Não sou perita nisto!

Durante 19 dias escrevi 15 poemas. E acho que fico por aqui no desafio diário.

Acho que vou criar a rúbrica: “Um Haiku de vez em quando”

De qual gostam mais?

         1.
Frios tanques imperiais 
Fizeram nascer girassóis 
No mundo inteiro

2.
Da fria fronteira
Virão as mães 
Resgatar soldados?

3.
Soa o hino azul e amarelo 
Lá fora alheio
Voa um Gaio
4.
Manobras na neve
E o amor derramado
Na voz do soldado 

5.
Choram os homens
Ao abrigo das bombas
Canta um violino 

6.
Campos de trigo
Entrelaçam os cabelos
Da mulher soldado

7.
Ainda tarda 
O girassol primaveril 
No frio Leste

8.
Há rasgos de belo
No infinito ocidente
Mas ando a Leste

9.
São d’igual matéria 
As lágrimas dos soldados
No fim da batalha 

10.
Traçada no mapa
Uma linha imaginária 
Empresta esperança 

11.
Embalando o sono
Da pequena Nadezhda
Um fado luso

12.
Na fina haste
Cabe inteira a nação 
Dobra, não parte

13.
Em país distante
Heróis ou mártires?
Ficaram os pais 

14.
Contorce-se o ferro
Desta vez o mundo vê
Mas e do outro lado?

15.
Um livro à espera
Na cidade desfeita 
Foi prenda de Natal