segunda-feira, setembro 18, 2017

Love is evil



Amor é...

O desequilibro cósmico
Algo particular surge 
Um desiquilibro
Um erro
...assumir o erro e ir até ao fim
Um, acto extremamente violento

Não ao amor universal
A realidade não tem sentido nem propósito

Escolhemos uma partícula infima que nos desequilibra
E amamos...


sábado, setembro 16, 2017

E das uvas se faz vinho

Ainda o sol está baixo e começam os sons.

As vozes dos homens a preparar a jorna.
Tesouras, baldes, preparar os lagares.

Nos socalcos as folhas das videiras começam já a ganhar a cor rubi que anuncia que chega ao fim mais um ciclo.
As uvas, fruto nobre, esperam a mão que as apanha.
Os homens e mulheres, em conversa animada, seguem cepa a cepa, bardo a bardo, socalco a socalco, contam histórias de outras vindimas, repetem rituais, inventam novos, lançam aqui e ali uma piada mais atrevida, enganam assim o tempo e as costas dobradas e evitam olhar para cima para saber o quanto falta.
"Balde!" - ouve-se de quando em vez e lá aparece alguém que troca um balde cheio por um balde por encher.
Desde manhãzinha alguém brinca dizendo amiúde "está quase!"

E entre risos, comendo aqui e ali umas uvas para matar a sede e a fome, vai-se subindo a encosta. 

Mais tarde, prensada a uva, os pés descalços entram no lagar para proceder à pisa. 
Mais uma vez são os risos que imperam. Há todos os anos alguém que entra pela primeira vez no lagar, e pela primeira vez sente na pele o esmagar da uva, o calor que emana, a textura  que envolve as pernas.
Alguém pega numa gaita de beiços e entoa uma música, batem-se as palmas a acompanhar, enquanto com os pés se dá cor ao vinho.

O trabalho árduo fica amenizado pelo encontro da família e amigos. 
As dores nas costas, os arranhões nas mãos feitos na apanha de um ou outro cacho mais entrelaçado nos arames e nos troncos, ficarão para amanhã.

Hoje do trabalho faz-se festa!

Foto da menina (filha) Boop


sábado, setembro 09, 2017

No aeroporto

Pronto

Outra vez no aeroporto
Outra vez sem ser eu a viajar
...
Muito viaja a minha gente!

Mas há sempre um quê de coisas boas por aqui!
:)

quinta-feira, setembro 07, 2017

Livros no jardim

Há tanto tempo não fazia isto!

Ler um livro nos jardins da Gulbenkian.
Sabe bem!
:)

E como leio sempre vários ao mesmo tempo (tenho um em cada sitio) hoje estou com Hector Abad Faciolince "Oculta"



quarta-feira, setembro 06, 2017

Novas leituras

"O ministério da felicidade suprema" - Arundhati Roy

domingo, setembro 03, 2017

Quando eu morrer



Não gosto de flores.
Não gosto de flores em arranjos.
Não gosto de flores em arranjos fúnebres.

São coisas belas que morrem ali presas enlaçadas, amarradas. Cingidas num espaço exíguo que contraria a sua natureza expontânea, desalinhada. Murcham pouco a pouco... Perdem o brilho... O fulgor... 

Não gosto de flores nas jarras, nos arranjos, nos arranjos fúnebres.

Quando eu morrer...
Quando eu morrer não me levem flores! Levem-me poesia! 
Escrevam num papel os afectos
Peçam, se quiserem, palavras emprestadas a um poeta, a uma canção.
Façam-me um desenho.
Escrevam "gosto de ti" ou "nunca vou esquecer aquele dia em que..." ou "eras tão irritante quando..."
Depositem no caixão papéis com a vossa caligrafia, ou com a tinta da vossa impressora.
Gosto de palavras!
E do cheiro do papel.

Deixem que os meus filhos recolham depois os papéis que se foram juntando "no meu colo", e que assim levem com eles partes de mim que se calhar nunca tive oportunidade de lhes mostrar.
Será tão mais colorida a despedida.

Quando eu morrer troquem as flores por palavras. Digam-me coisas como se vos pudesse ouvir mais uma última vez.
E falem uns com os outros. Contem histórias, de um passado comigo, e de um futuro sem mim.

Quando eu morrer não quero flores.

PS - não gosto particularmente desta música, mas é mais ou menos isto



segunda-feira, agosto 28, 2017

Bolinho de alfarroba

Que é como quem diz: "Em Roma sê romano"!

3 ovos
1 chávena açúcar
1 chávena farinha
1 chávena leite (TROQUEI POR 1 iogurte natural!!!!)
3/4 chávena óleo (pus menos)
1 colher sopa vinho do Porto
1 colher chá canela
1 colher chá fermento
2 colheres sopa farinha de alfarroba



sábado, agosto 26, 2017

Vizinhos

Rodeada de alfarrobeiras, figueiras, oliveiras e pinheiros.
O som é o do vento nas árvores, o canto das cigarras, e de quando em vez dos cascos dos cavalos. 
Muito raramente um pica-pau numa árvore ali ao fundo.
E as codornizes, que levantam voo rasteiras, quando apenas esperamos ver rolas e pardais.
No horizonte a serra.
À minha volta grandes formigas mantêm o alpendre limpo, uma ou outra vespa vem ver se há comida, e no fim da tarde as osgas colaboram na luta contra os mosquitos. 

São estes os vizinhos que prefiro nestas semanas de verão.

(Depois também há dos outros. Mas vejo-os muito menos vezes! 😊)







segunda-feira, agosto 14, 2017

1988

1988 - o primeiro ano que passamos férias nesta casa.

Sem electricidade ligada ainda.
Dia 25 de Agosto fomos comer fora de propósito para podermos ter notícias da nossa cidade que ardia.
O centro de Lisboa em chamas.

Hoje fomos almoçar nesse mesmo local.
Um restaurante (que nem tasca chega a ser), longe do fernesim turístico, frequentado por velhos algarvios, sempre os mesmos fregueses habituais, onde sabemos haver bom peixe e umas lulas recheadas bem boas.

Na televisão passavam imagens de um país a arder. O inferno à porta de amigos e conhecidos - e de tantos desconhecidos.
Lembrei com um certo mal estar um Mail que tinha mandado esta manhã, com um assunto menor, a alguém que talvez traga o coração inquieto com as chamas devoradoras.

O fogo assusta-me!
Quase com a mesma força com que me enfeitiça.
Não consigo imaginar o horror, que me chega filtrado num vidro retangular no canto do teto de um restaurante do Barlavento  - sem som, sem cheiro, sem calor...
E espero nunca experimentar esse horror...

A angústia em forma pura
O horror do indizível
A impotência perante uma força natural bruta
...




quarta-feira, agosto 09, 2017

Leituras de férias

É política cá de casa não "consumir férias inflacionadas" no mês de Agosto.

Mudo, com quem me pode acompanhar, para uma casa de férias da família algures no reino dos Algarves.

No ano passado juntamente com os livros que sempre nos acompanham trouxemos este caderno, onde vamos registando os livros (e respectiva crítica/pontuação) que são lidos por aqui.
27 entradas em 2016 (7 leitores, dos 7 aos 70, 10 dos quais lidos por mim)

Hoje acabei de dar a 1ª entrada de 2017, com o livro Teoria Geral do Esquecimento de José Eduardo Agualusa. 
O meu comentário: "mais uma visita à África no processo de independência. A história contada pela vida de várias personagens dos vários lados dos muitos espelhos por que se pode olhar para o 25 de Abril"
A pontuação (de 1 a 5) foi de 3,5






De volta ao Agualusa

"Erro, ao ler, e no erro, por vezes, encontro incríveis acertos. 
No erro me encontro muito.

Algumas páginas são melhoradas pelo equívoco."

terça-feira, agosto 08, 2017

quinta-feira, agosto 03, 2017

Dia longo

Cheguei à minha nova (antiga - a minha primeira) casa com esta luz maravilhosa!

A mudança está feita!
O Mr Boop teve uma das cirurgias mais complicadas dos últimos tempos e está ainda lá para o hospital. Há-de aparecer!
As crias entregues aos avós.

São 23h 
É este o aspecto da minha sala.
E eu em vez de ir arrumar qq coisa, ou tomar banho, ou jantar, ou.... sentei-me num canto e "blogo"!
(Sim, porque ainda nem sofá montado tenho!)

Amanhã - novo dia!




quarta-feira, agosto 02, 2017

Gaivotas

Uma manhã igual a tantas outras e para mim tão diferente.

O acordar dos próximos dias, de todos os próximos dias, terá bandas sonoras diferentes.
Estes juvenis em breve voarão para longe. 
Eu parto primeiro do que eles. Hoje é o meu dia de voar para longe.

(Será que o Hitchcock teve umas manhãs ruidosas quando se inspirou para "os pássaros"?)

PS - em mudança de casa


sábado, julho 29, 2017

De volta aos livros



A fazer de conta que tenho tempo para ler....