quarta-feira, abril 15, 2015

Carcavelos (ou partir de repente)

(fotografia tirada ontem em Carcavelos, com os pés enterrados na areia)


Para a minha querida Paula Bemmequer :) 

"Partir de repente é bem melhor do que arrastar"

Palavras grafitadas numa qualquer parede lisboeta.

Gosto das vozes anónimas que nos interpelam aqui e ali.
Como gritos nas paredes de quem se tenta encontrar consigo mesmo.
(pronto, não sei se fosse na minha parede se ia gostar assim tanto…)

Mas às vezes as palavras pintadas fazem Eco dentro de mim.
"É melhor partir de repente do que arrastar…"
Para o próprio, sem dúvida.
Eu gostava por exemplo de morrer de repente! Sem dor, sem desgaste…
Mas e quem fica? E de repente tem de lidar com um buraco gigante, outrora ocupado pela presença de alguém que se ama, se cuida, com quem se partilha o pensamento, as pequenas coisas.

E numa relação, quem parte, faz o corte, liberta-se, escolhe!
Mas e quem fica? E de repente tem de lidar com um buraco gigante, outrora ocupado pela presença de alguém que se ama, se cuida, com quem se partilha o pensamento, as pequenas coisas.

Mas o arrastar é horrível!
É sofrimento desnecessário
É ilusão

Haja tempo para o Adeus ao menos…


4 comentários:

Fatyly disse...

Não gosto nada desse "adeus", de que serve? O meu pai, o meu irmão e a minha querida Maria Rosa (e outros amigos(as) partiram de repente. É um vazio que se sente tal pedrada no charco, mas pensar que não "sofreram nada" reconforta e muito!

Para mim há uma coisa mais importante: dou e faço tudo enquanto "vivos" e depois de partirem sinto uma calma e nenhum remorso de que poderia ter feito mais e não fiz!

Tomara eu também não "dizer adeus a ninguém"!

Beijocas e força!

GL disse...

O defender esse arrastar não será uma certa forma de egoísmo? Para quem fica é um tremendo choque, mas para quem parte?! Haverá bênção maior?
Beijinho

GL disse...

O defender esse arrastar não será uma certa forma de egoísmo? Para quem fica é um tremendo choque, mas para quem parte?! Haverá bênção maior?
Beijinho

Carmem Grinheiro disse...

Eu quero, exijo a todas as células de meu ser - já as ando treinando, não é de hoje! - que se organizem de maneira a embarcar na partida, todas juntas, não ficando nada para trás, para que a partida se efetue de forma rápida sem hesitações, para que eu, de preferência nem me aperceba que me estão levando.
E algo que saia dessa ordem eu não tolero.

Quanto aos que ficam: a dor da perda será sempre terrível, mas hão de sobreviver a ela. E se amarem verdadeiramente, apenas querem evitar o sofrimento do outro, que é o que eu, de minha parte, desejo sempre. Das minhas perdas, as que mais me custam são as que sei que foram "arrastadas na dor de quem partiu" - é uma dor inultrapassável, essa.

bj amg