segunda-feira, maio 30, 2016

Ricardo

Passaste por mim sem me ver
Estavas absorto a falar com alguém
Vi-te eu a ti. Mas não te interrompi. Observei-te apenas.
Sabes, pensei que estás igual. Sim, os cabelos estão mais brancos, não fazes como eu afinal que os mascaro com tinturas.
O tempo anula-se, faz sempre isto o tempo…
Parece que ainda ontem estávamos cheios de projectos, de conversas, de partilhas.
Nunca foste muito próximo, mas soubeste de afectos meus, de pensamentos, de teorias sobre a vida e o mundo, conversamos algumas vezes noite dentro.
25 mn, 25 anos, que diferença faz?

E vi-te subir as escadas.
"Estás igual!" - continuava a pensar.
…sim é verdade! Agora somos "os outros" - os adultos… os pais… os que têm um trabalho… etc… etc… e ao mesmo tempo… Eras TU que subias a escada.

Chegaste lá a cima olhaste para trás e viste-me.
E o teu sorriso abriu-se, e os teus olhos sorriram contigo, e mandaste-me um beijo.
E eu sei que para ti eu estou igual!
E é tão bom sabermos que há lugares neste mundo em que permanecemos quem somos, mesmo que fugazmente, passe o tempo que passar.

1 comentário:

Carmem Grinheiro disse...

Boop, nem sabes o quanto me emocionei - isto está a ficar demais da conta! - é que é mesmo assim: a gente tem que fazer de outro, mas continua um, o original, aqui dentro, algures.
Pergunto-me: será que alguém vê a outra eu que está aqui? Não, respondo. Ninguém dos que "desfrutam" de minha presença viu essa "original", a que ficou do lado de lá do oceano.
Aqui sou muitas, mas nunca a original... talvez chegue o dia.
bjn mto amg