sexta-feira, outubro 14, 2022

35/40 Berta Isla

 


E assim me reconciliei com Javier Marías!
(Só tinha lido “Todas as Almas” que não me tinha enchido as medidas)
Berta Isla é uma história sobre todos nós. Permite a identificação mesmo sendo as personagens aparentemente excepcionais, na inteligência, na beleza, nos percursos profissionais. A condição humana não exclui “os especiais”.
Sobre a ilusão. Sobre a inutilidade da vida - e ao mesmo tempo sobre a sua unicidade.
Traz-nos o vazio de uma vida inteira mascarado de aventura e de heroísmo. O ’nada’ é o que fica no fim.
É uma história sobre o silêncio, o segredo, e a sempre reforçada tolerância (a raiar por vezes o desespero) perante o não saber.
Faz-me pensar sobre os nossos limites individuais. Até onde? Até quando? O que suporta um amor? Uma corda que se vai esticando e que não percebendo bem condiciona todas as nossas escolhas.


SINOPSE

Berta casou com Tomás pensando que o conhecia desde sempre mas, na realidade, não sabia nada verdadeiramente importante sobre ele. Tomás escondia-lhe algo que não podia partilhar com ninguém, nem mesmo com ela. Berta Isla é a história de um homem que quer intervir na História, acabando desterrado do mundo.

É a história de uma mulher que espera por uma vida completa e, nessa espera, se transforma. É sobretudo uma história da fragilidade e tenacidade de uma relação condenada ao segredo, ao fingimento, ao desencontro; uma história de amor em que lealdade e ressentimento se entrelaçam.

Berta Isla

de Javier Marías; Tradução: Paulo Ramos

ISBN:9789896655662
Editor:Alfaguara Portugal
Idioma:Português
Dimensões:148 x 233 x 34 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:496
Tipo de produto:Livro
Classificação temática:Livros em Português Literatura Romance
EAN:9789896655662

quinta-feira, setembro 22, 2022

34/40 Dia de Silêncio



Tahar Ben Jelloun é um romancista, ensaísta, poeta e pintor franco-marroquino. A minha vizinha falou-me nele e fiquei curiosa, acabei por trazer este livro emprestado.

Dos vários que a F tinha (alguns em língua francesa e por isso infelizmente inacessíveis para mim) escolhi este por ser mais pequeno - o que naturalmente não é um bom critério (já devia ter aprendido isto!!!) - mas garantia que o devolveria rapidamente.

“Dia de Silêncio” é um ensaio sobre o envelhecimento. Traz-nos um dia na vida de um homem octogenário, e mostra-nos, a cima de tudo, a natureza da sua solidão. Aborda o incomunicável. A fragilidade interna e secreta de quem viu partir os pares, de quem têm dificuldade em mudar o resisto rigijificado da relação com os filhos a quem parece poder amar apenas se estiver garantida uma “distância segura”, de quem vive com a mulher uma relação sustentada no medo - o medo de morrer só.
Com alguma nostalgia visita alguns aspectos do seu passado, deixa-nos aceder à sua história com laivos de zanga pelas perdas que vai sentido, e de inveja por aqueles que têm ainda uma vida inteira pela frente.

Não sabem os novos o que é envelhecer!


SINOPSE
(não encontro o livro on-line - não vos consigo deixar a sinopse oficial, nem as referencias sobre o livro como é habitual)


segunda-feira, setembro 19, 2022

33/40 Kyoto




É o segundo livro de Yasunari Kawabata que leio, mas este encheu-me menos as medidas do que o anterior “A casa das belas adormecidas”

Kawabata foi prémio Nobel da literatura em 68, e este “Kyoto” é considerado uma das suas obras primas.

Ora seguem algumas considerações:
- é um livro que combina o romance com o que me pareceu uma reportagem/literatura de viagem sobre a cidade de Kyoto. Este não é de todo um tipo de literatura que me encante. Mas ficamos a conhecer os jardins, as flores, os costumes, as paisagens de Kyoto.
- introduz ao de leve o mundo das gueixas, que é um tema que me mexe com os nervos. Bem sei que é uma questão cultural e bla, bla, bla, mas esse lugar que na cultura oriental é dado ao feminino é-me desagradável.
- estive tentada a pô-lo de parte, mas confiei no que geralmente acontece (também iria acontecer desta vez!) e ter esperança que à medida que o livro avançasse me cativaria mais, e assim aconteceu!
- há quem ache a história comovente… eu não achei. 


SINOPSE

Kyoto, é uma das mais belas obras de Yasunari Kawabata, autor galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 1968. Considerado a sua obra-prima, este romance mergulha profundamente no Universo da psicologia feminina. O tema do amor impossível, já tratado noutros romances de Kawabata, aflora novamente nesta obra de uma tão delicada e subtil narrativa.

Kyoto
ISBN 9789722039550Editor: Dom QuixoteIdioma: PortuguêsDimensões: 156 x 233 x 11 mmEncadernação: Capa molePáginas: 150

quarta-feira, agosto 31, 2022

Por a casa em ordem!

 Já há muito tempo que não actualizava as minhas leituras.
Também é verdade que este mês de férias me permite ler muito mais do que o habitual.

Estamos em altura de feira do livro em Lisboa e por isso vão chegar mais uns quantos livros cá a casa nos próximos dias. Nada a fazer! Diria que há vícios piores....


Se tiverem curiosidade e/ou paciência é só irem por aí a baixo e verem o que se foi lendo por aqui!



32/40 O Mergulho


Bendita a hora em que comecei a ler BD!

Um olhar muito realista para o envelhecimento.
Temos a depressividade, as perdas, a solidão, mas também os esforços que se fazem para encontrar algum prazer numa vida cada vez mais limitada.
É um olhar agridoce sobre a velhice.
Se por um lado se mantém a possibilidade de brincar, de amar, de ser irreverente, por outro há a consciência subliminar e surda do que se vai escapando por entre os dedos, e a angústia, medo, confusão inevitáveis de quem teme perder-se de si próprio.
Os autores foram benevolentes sem se escudarem de tocar os pontos mais difíceis do processo de envelhecer. Benevolentes porque se aliaram à vontade de sonhar das personagens que criaram, foram cumplices no desejo de viver aventuras em qualquer altura da vida. E pararam a história na altura em se estava em alta. Fugindo mais uma vez (e não é isso que fazemos todos?) do desamparo e da morte.


SINOPSE

Yvonne, de 80 anos, fecha pela última vez as portadas de sua casa e muda-se para uma residência para a terceira idade, pondo um ponto final a quarenta anos de vida passados naquela casa.

A mudança é dura para esta mulher livre e independente, sobretudo porque continua activa e muito lúcida. E Yvonne tem dificuldade em adaptar-se a essa nova vida, que a aproxima dolorosamente da morte…

No entanto, e contra todas as expectativas, faz novos amigos e inclusive apaixona-se. Mas a velhice não lhe dá tréguas e a memória começa a falhar. Presa no turbilhão inelutável da vida, a octogenária decide oferecer-se uma última digressão encantada.

Publicado entre nós pela Ala dos Livros, a obra O Mergulho é um relato actual e comovente, impregnado de amor e de nostalgia, que conta com a assinatura de uma das mais prestigiadas escritoras francesas da actualidade.


O Mergulho
ISBN 9789899108011Edição/Reimpressão 07-2022Editor: Ala dos LivrosIdioma: PortuguêsDimensões: 228 x 300 x 12 mmEncadernação: Capa duraPáginas: 80

31/40 A pérola

 


Uma parábola que me desviou do excesso de realismo dos últimos livros que li.
Não é por isso menos duro.
É uma caricatura da ganância e do desvirtuar da inocência quando se impõem valores estrangeiros numa comunidade equalitária.


SINOPSE

História comovente de uma pérola enorme, de como foi descoberta e de como se perdeu, levando com ela os sonhos bons e maus que representava. História também de uma família e da solidariedade especial entre uma mulher, um pobre pescador índio e o filho de ambos. Baseada num conto popular mexicano, A Pérola constitui uma inesquecível parábola poética sobre as grandezas e as misérias do mundo em que vivemos.


A Pérola
ISBN 978-972-38-2922-8Editor: Livros do BrasilIdioma: PortuguêsDimensões: 152 x 235 x 8 mmEncadernação: Capa molePáginas: 80

30/40 Insubmissos

 


Nos primeiros capítulos acompanhou-me uma sensação de frustração. Nunca tinha lido Richard Zimler e queria mesmo que me surpreendesse! Queria gostar de o ler, assim como gosto de ouvir o Alexandre Quintanilha. Aliás foi curioso que às vezes me pareceu ler (ouvir?) o pensamento do Quintanilha - será o que naturalmente acontece quando duas pessoas vivem juntas muitos anos (?)
Mas depois a história cativou-me.
Fiquei com a sensação que este livro tem uma temática muito específica - distinta da dos outros livros (mas como não li mais nenhum…).
Traz-nos uma temática que me diz alguma coisa (Por ter coincidido com o início da minha vida profissional e me ter colocado muitos desafios) - a proliferação nos anos 90 do HIV, as mortes anunciadas, os corpos a cederem a um vírus ainda pouco conhecido e contra o qual tínhamos na altura muito poucas armas. Felizmente esse cenário mudou muito, o HIV é uma doença crónica com a qual se pode aprender a viver, e com bastantes qualidade de vida.
O livro traz uma outra questão que quero salientar. Porque me incomoda, me provoca angústia, me faz questionar sobre o que é “normal” afinal (desculpem a necessidade desta coisa do “normal”…) - a forma como é vivida a sexualidade (aqui homo, mas bem podia ser num registo hetero). Como a angústia e a destrutividade é vivida através do sexo. Como os corpos são “usados” (não de uma forma necessariamente negativa) como veículos de descarga independentemente da relação afectiva. Como procuramos (todos?) no encontro com o outro (com o corpo do outro) uma completude impossível, um tampão para um desamparo primordial.
Há no livro cenas de grande violência, de impotência perante a agressividade do outro, de como o medo se transforma em soco, e deixa a nu a solidão e o desamparo.
Há uma tentativa de compreender a homofobia, mas essa compreensão obriga a um tipo de cedência.
Felizmente vamos evoluindo, enquanto sociedade, no sentido de uma diminuição da descriminação … lentamente…
O livro foi escrito em 1995 (exactamente o ano do meu estágio) mas publicado aqui em Portugal apenas em 2020 - foram precisos 25 anos…


SINOPSE

Depois da morte de muitos dos seus amigos, um professor de guitarra clássica, mundano, judeu e antiga estrela da equipa de basquetebol de Greenwich Village, decide abandonar os Estados Unidos e procurar uma nova vida em Portugal. Mas aquilo a que ele chama o eclipse viral da sexualidade persegue-o até ali, quando António, o seu mais talentoso aluno, testa positivo para VIH e ameaça desistir da vida aos vinte e quatro anos. Desesperado por mostrar ao jovem que ele ainda tem um futuro pela frente, «o Professor» organiza uma viagem de carro com destino a Paris, esperando ser capaz de convencer um virtuoso a aceitá-lo como aluno. O pai de António, um homem rígido e presença distante na sua vida, decide acompanhá-los e, de passagem, os três mergulham num triângulo de aventuras, violência e revelações pessoais. Será que de caminho vão encontrar uma oportunidade de redenção?
Publicado originalmente em 1996, e inédito até agora em Portugal, Insubmissos é um romance vívido e intimista que ousa dar luz a temas que ainda persistem nas sombras.


Insubmissos
ISBN 978-972-0-03385-7Edição/Reimpressão 10-2020Editor: Porto EditoraIdioma: PortuguêsDimensões: 152 x 235 x 23 mmEncadernação: Capa molePáginas: 356

29/40 Pode um desejo imenso


Uma excelente surpresa.

É verdade que a recomendação veio de alguém cujas escolhas literárias muito respeito. Mas, não sabia muito bem ao que é que ia.
Uma escrita fluida, combina o romance com uma reflexão quase académica sobre a poesia quinhentista com ênfase em Camões. E consegue de uma forma extraordinária tornar conteúdos que à primeira vista seriam puramente teóricos em puro deleite.
A história contada tem um intransponível fundo depressivo. O sentimento transversal, ora subliminar, ora gritante, de que a existência humana é trespassada pela procura de um lugar, um lugar na família, profissional, afectivo, amoroso, no mundo, lugar esse do qual, com sorte, se pode ter momentâneos vislumbres. E do quão disruptivos podem ser os momentos de angústia e desespero.
Mas também traz o “que nos salva”
É também uma ode à amizade, àquelas pessoas que se enlaçam nas nossas vidas e estão presentes desde que nos conhecemos como gente, ou até que nos ajudam a reconhecermos quem somos no âmago; e ao investimento amoroso que tanto tem de altruísta e desinteressado como de exigente e tirano.
Um livro de afectos. Sem “maquilhagem” desnecessária. De tormentos, mas também de redenção.


SINOPSE

Pode Um Desejo Imenso conta a história de Nuno Galvão, professor universitário de Literatura, que pensa ter descoberto a chave para a compreensão da poesia lírica de Camões: a paixão do poeta pelo jovem D. António de Noronha, de quem Camões teria sido precetor. Nuno está ele próprio apaixonado por um estudante, em quem projeta a história de amor por si imaginada entre o poeta quinhentista e o seu aluno. Na parte central do livro, a narrativa volta atrás, aos tempos em que o próprio Nuno era estudante, já nessa altura ocupado com a poesia lírica de Camões e com a paixão não correspondida por um colega de curso. No final do romance, juntam-se os vários fios da história; e Nuno acaba por aprender como rumar «em direção à outra margem», onde se abre a hipótese possível de um amor feliz.
Vinte anos depois da primeira edição, esta é a versão definitiva de Pode Um Desejo Imenso, como é desejo do autor.


Pode Um Desejo Imenso
ISBN 9789897224799Edição/Reimpressão 04-2022Editor: Quetzal EditoresIdioma: PortuguêsDimensões: 138 x 208 x 30 mmEncadernação: Capa molePáginas: 512

28/40 O Mapeador de Ausências


Continuo no grande continente Africano, que nunca visitei. (Com a excepção de um saltinho a Cabo Verde que num encontro tão rico me levou a esse centro nevrálgico de uma parte terrível da história do encontro entre Europa e África)

Mas vou lendo as suas histórias, através de muitos autores.
Mia Couto, é um moçambicano “privilegiado” (acho que não ofendo ninguém adjectivando-o assim), que por isso mesmo tem a possibilidade de contar as histórias da sua terra simultaneamente de dentro e e fora. E fá-lo, como todos sabem, com aquela sua característica de ir inventando palavras que vão dando expressão às vivências dos seus personagens. É como que um atrevimento, o nomear o que ainda não foi dito.
Acabo por ir acompanhando a sua obra.
Este romance não está dentro das histórias por ele contadas de que mais gostei.
Mas lê-se bem.
Conta-nos a história de um regresso a casa, à Beira, de alguém que fez a vida adulta em Maputo onde se tornou professor universitário. Nesse regresso visitamos um Moçambique pré 25 de Abril, com soldados, com segregação, com a PIDE, mas também o encontro com a magia de um continente, o relembrar dos cheiros, dos lugares, de personagens cheias de afectos de uma infância e adolescência longínqua que esta viagem reaviva.
Fica pelas ⭐️⭐️⭐️


SINOPSE

Diogo Santiago é um prestigiado e respeitado intelectual moçambicano. Professor universitário em Maputo, poeta, desloca-se pela primeira vez em muitos anos à sua terra natal, a cidade da Beira, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem que os seus concidadãos lhe querem prestar.
Mas o regresso à Beira é também, e talvez para ele seja sobretudo, o regresso a um passado longínquo, à sua infância e juventude, quando ainda Moçambique era uma colónia portuguesa. Menino branco, é filho de um pai jornalista e sobretudo poeta, e de uma mãe toda sentido prático e completamente terra-a-terra. Do pai recorda o que viveu com ele: duas viagens ao local de terríveis massacres cometidos pela tropa colonial, a sua perseguição e prisão pela PIDE, mas sobretudo, e em tudo isto, o seu amor pela poesia. Mas recorda também, entre os vivos, o criado Benedito (agora dirigente da FRELIMO) e o seu irmão Jerónimo Fungai, morto a tiro nos braços da sua amada, a bela e infeliz Mariana Sarmento, o farmacêutico Natalino Fernandes, o inspector da PIDE Óscar Campos, a tenaz e poderosa Maniara, e muitos outros; e de entre os mortos sobressaem o régulo Capitine, que vê uma mulher a voar.

O Mapeador de Ausências
de Mia Couto 
ISBN 9789722130608Edição/Reimpressão 11-2020Editor: Editorial CaminhoIdioma: PortuguêsDimensões: 135 x 209 x 27 mmEncadernação: Capa molePáginas: 416






27/40 A cor do Hibisco

 

Gosto de ler autores africanos.
Há uma cadência, um ritmo, uma musicalidade, que não encontro nos europeus, americanos ou asiáticos.
Este livro traz-nos a vida de uma adolescente que vive num mundo isolado, protegido, no mundo artificial daqueles que têm estatuto e poder de compra num país com tantas carências. Mas é também uma denúncia, do quantas vezes por trás do “estatuto” e da ”fé”, está a violência doméstica e a patologia dogmática, sobre a qual a crítica é muito pouca ou inexistente.
A perversidade do poder.
A tirania disfarçada exercida implacavelmente.
E depois…
Depois há a descoberta da liberdade, de uma vida simples, sem a opulência da casa paterna, mas o de finalmente se aprende a sorrir, a correr, a fazer tarefas comuns do dia-a-dia, a questionar, e claro, a amar.
Foi comparado, pelo “The Times” com ”o deus das pequenas coisas” de Arundhati Roy - não estou de acordo. ChImamanda Ngozi Adichie vale bem por si!


SINOPSE
Os limites do mundo da jovem Kambili são definidos pelos muros da luxuosa propriedade da família e pelas regras de um pai repressivo. O dia-a-dia é regulado por horários: rezar, dormir, estudar e rezar ainda mais. A sua vida é privilegiada mas o ambiente familiar é tenso. O pai tem expectativas irreais para a mulher e os filhos, e pune-os severamente quando se mostram menos que perfeitos.

Quando um golpe militar ameaça fazer desmoronar a Nigéria, o pai de Kambili envia-a, juntamente com o irmão, para casa da tia. É aí, nessa casa cheia de energia e riso, que ela descobre todo um novo mundo onde os livros não são proibidos, os aromas a caril e noz-moscada impregnam o ar, e a alegria dos primos ecoa.

Esta visita vai despertá-la para a vida e para o amor e acabar de vez com o silêncio sufocante que a amordaçava. Mas a sua desobediência vai ter consequências inesperadas.

Uma obra sobre liberdade, amor e ódio, e a linha ténue que separa a infância da idade adulta, que marcou a estreia de uma escritora extraordinária.


A Cor do Hibisco
ISBN 9789722066563Editor: Dom QuixoteIdioma: PortuguêsDimensões: 156 x 234 x 24 mmEncadernação: Capa molePáginas: 368

26/40 A vida contada por um Sapiens e um Neandertal


Aqui há tempos recebi uma recomendação de leitura vinda de Coimbra, de um homem que, sendo família, na verdade pouco conheço, mas por quem tenho grande respeito.

Sendo um livro que sai do espectro daqueles que costumo ler, suscitou-me logo curiosidade por ser um livro ’a meias’ com Juan José Millás, que já me fez companhia em mui prazerosos momentos de leitura.
O conceito do livro é simultaneamente interessante, leve, estimulante, acessível e divertido.
Um escritor - Millás, encontra-se com um paleontólogo - Arsuaga, este último leva-o aos mais diversos lugares, desde escavações arqueológicas, a uma loja de brinquedos, passando por um cemitério ou ao museu do Prado, e aí vão conversando sobre o Humano, sobre o que prevalece (tudo!) desde a pré-história até aos dias de hoje.
A forma que Millás encontrou para transformar essas conversas em livro é muito curiosa.
Apresenta-nos Arsuaga como um intelectual brilhante, capaz de transportar consigo séculos de história e de saber, com a jovialidade de quem se maravilha com tudo, e com o inevitável peso da consciência da efemeridade e mortalidade.
Enquanto ele próprio, Millás, surge como um ser a transbordar afectos, transcreve de forma desarmada o que vai sentindo nesta relação com o paleontólogo. Admiração, ciúme, inveja, ódio, cumplicidade, como se nos trouxesse assim a substância das relações humanas, e ilustrasse, partindo de si próprio, a complexidade daquilo que nos mantém gregários, as relações de dependência, a criação dos laços, o que serve de alimento ao tecido social.
Leve e ao mesmo tempo tão cheio de conhecimento.


SINOPSE

O génio de Juan José Millás e a sabedoria de Juan Luis Arsuaga.
No livro que nos leva até à origem e nos devolve ao presente, sob nova luz. Quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos?

Há muito que a vontade de entender a vida, as suas origens e a sua evolução ressoava no pensamento de Juan José Millás. Por isso, lançou-se na aventura do conhecimento, ao lado de um dos maiores especialistas do tema, Juan Luis Arsuaga. Porque somos como somos e o que nos fez chegar onde estamos?

A sabedoria do paleontólogo alimenta, neste livro, a genialidade do escritor. Arsuaga, o sapiens, e Millás, o neandertal, segundo ambos se descrevem, formam a dupla perfeita entre ciência e literatura, para nos levarem numa viagem absolutamente memorável.

Durante meses, os dois autores visitaram vários lugares - muitos deles locais comuns da nossa vida quotidiana e, outros, espaços únicos habitados por vestígios do que fomos há milhões de anos. Nessas viagens, quais Quixote e Sancho Pança, o sapiens ensinou o neandertal a pensar como um sapiens, mostrando-lhe, sobretudo, que a pré-história não é uma coisa do passado.

As pegadas humanas deixadas ao longo dos milénios encontram-se por toda a parte: tão depressa as vemos numa caverna ou numa paisagem, como as vislumbramos num parque infantil ou numa loja de peluches. Neste livro, pulsa a vida. Nestas páginas, lê-se a melhor de todas as histórias.


A Vida Contada por um Sapiens a um Neandertal
ISBN 9789722368766Edição/Reimpressão 03-2022Editor: Editorial PresençaIdioma: PortuguêsDimensões: 150 x 230 x 11 mmEncadernação: Capa molePáginas: 184

25/40 O primeiro homem


Ando a descobrir as novelas gráficas
E o quanto as imagens nos dizem, do enredo, das emoções, do não dito.
Não substitui a obra original. Mas também não é esse o propósito.
Vale por si!
“O Primeiro Homem”, o romance em que Camus trabalhava à altura da sua morte. Permanece inacabado, e com pontas soltas. Mas muito nos é dado, nesta narrativa autobiográfica em que um escritor procura reconstruir, e assim conhecer, a vida do pai, um trabalhador agrícola argelino, que morre em pleno cenário da Grande Guerra.



SINOPSE

A adaptação gráfica do manuscrito inacabado de Camus conta a história de Jacques Cormery, um menino que teve uma vida semelhante à de Camus. Esta edição impressionante convoca o panorama, os sons e as texturas de uma infância circunscrita pela pobreza e pela morte de um pai, mas redimida pela beleza austera de Argel, pelo amor que Jacques tem à mãe e à avó, e por um professor que transformará a sua visão do mundo.

O primeiro homem - novela gráfica
ISBN 978-972-0-03170-9Editor: Porto EditoraIdioma: PortuguêsDimensões: 215 x 284 x 18 mmEncadernação: Capa duraPáginas: 184


 

24/40 Filho de Deus



De início algo desgarrado, com pedaços soltos de um história ainda inacessível, este é um livro que acaba por se entranhar.

Cormac McCarthy traz-nos a história de Lester Ballard, um homem de uma América rural, rude e tacanho, de fraca inteligência e tolerado pelos seus compatriotas, cuja existência é bem resumida nesta frase já no final do livro: “Ballard de frágil camisa de noite branca num frágil quarto branco, falso acólito ou criminoso antisséptico, um aprendiz da perversidade, um violador de sepulturas nas horas vagas”.

McCarthy consegue trazer-nos a escalada degradante de um homem que pelas suas limitações não se apercebe verdadeiramente da irreversibilidade dos seus actos. Um percurso onde o agir impera, sem qualquer pejo moral, sem respeito por qualquer lei, um homem ao sabor do impulso.
Sem educação, moral, ou lei, prevalece tudo o que é primário.

Interessante como é possível trazer este personagem tão básico (no que respeita às suas capacidade emocionais, sociais e intelectuais) com uma linguagem tão cuidada e elaborada como é a de Cormac McCarthy, que é indiscutivelmente um dos pontos positivos desta obra, o que levou os críticos a usarem palavras como: “paixão” “ternura” “eloquência” “belo” “violento”.

Não sei se recomendaria a muito gente (pensando nos meus filhos por ex.) pela tamanha imoralidade.
Mas reconheço-o um bom livro! 



SINOPSE

Filho de Deus é a história de Lester Ballard, um solitário homem rural que foi afastado das suas terras. Psicologicamente desequilibrado, mas dotado de uma imaginação fértil, cruel e pervertida, deambula pelos montanhosos domínios do Tennessee.

Filho de Deus
ISBN 9789896414160Editor: Relógio D'ÁguaIdioma: PortuguêsDimensões: 152 x 232 x 11 mmPáginas: 193