sábado, setembro 15, 2007

Conta-se uma história...

Hoje apetece-me contar-vos uma história... se me permitem...
Em tempos na encosta da Estrela contava-se esta história.
Um homem solitário deambulava pelos recantos mais escondidos da serra. Dizia-se que falava com as estrelas, que eram elas as únicas a ouvir a voz enrouquecida pela falta de uso das cordas vocais - mas isso era uma coisa que se dizia, porque a bem da verdade ninguém nunca o ouvira, e tenho para mim que esses sons roucos eram os lobos a uivar à mãe/mulher lua.
Esse estranho homem plantara pela serra estranhos palheiros. Estranhos porque em todos eles parte do telhado estava por acabar, e mesmo por baixo dessa janela sob o céu era instalada uma solitária cadeira de baloiço... quem sabe para falar com as estrelas. E assim com uma parte inacabada da sua vida.
Mas nem sempre tinha sido assim!Tinha afinal sido num palheiro, ali para os lados do Sabugueiro, que ele a conhecera e amara pela primeira vez. Ninguém diria que este homem rude amava de forma tão gentil, quase delicada. Presenteou-a com toques subtis, beijos ardentes, deu-lhe tempo, o tempo necessário a quem se entrega pela primeira vez. Fe-la quere-lo, descobriu com ela uma doçura que não sabia existir.
Amou-a demais naquele momento. Um sentimento que não entendeu, que o confundiu.
Sentiu que não podia perder "aquele" momento, mas como guarda-lo?
Impossível!
Ficou com uma angústia imensa que raiava o desespero.
E abraçou-a, abraçou-a, abraçou-a, queria fundir-se com ela, que ela vestisse a sua pele, que fosse parte de si.
E quando a libertou desse abraço encontrou-a morta, morta pelo seu abraço. Enlouqueceu!
Semeou palheiros pela serra à procura dela, em todos deixou uma janela para o céu para ela poder voltar...Acho que nunca voltou!
Por isso é tão mágico amar num palheiro... está repleto de doçura, de amor, de loucura.
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Esta história foi escrita na caixa de comentários do Mixtu - inspirada por ele, pela/o Utupia - seja lá ela/e quem for, e como continuação de outra historieta que por lá deixei. E publico-a aqui para o Haddock não se zangar comigo!!! Eh eh eh


20 comentários:

Haddock disse...

mna boop... deliciados!!!!
vamos até permitir-nos mais ênfase: LINDO!!!
e vou continuar a zangar-me contigo de cada vez que ignorares o teu próprio baloiço com contos destes em carteira!!!

e tenho de prestar mais atenção à esperteza do pastor. não só já nem se dá ao trabalho de postar, como, por artes mágicas, consegue que os fregueses depositem esmolas deste calibre!!

bjecas!!

Anónimo disse...

Gostei imenso.

Beijos

Fatyly

mixtu disse...

yayayaya
pois lhe digo caro haddock, os posts são apenas pretextos para se ler o que verdadeiramente conta... os comentários, os verdadeiros comentários...

Boop... excelente conto... não fazia a minima ideia que a senhora escrevia com esta imaginação...
excelente

fui... ver nascer o sol à praia, antes vou para os copos...

Gi disse...

Já deixei o meu apreço pela magnífica história . Não podia deixar de vir aqui fazê-lo pessoalmente.

Muito bela. Poética, bem estruturada, linguagem muito simples, muito pura, deu-me um enorme prazer lê-la.

Noite feliz

beijinhos

Anónimo disse...

...realmente, o que é que aconteceu aqui/ali/acolá?

um conto de se lhe tirar o chapéu! e a forma - obrigatória - de nos levar a seguir o enredo nas "caixas de esmolas" de outros "calhaus" - de obrigatória visita -, é sem dúvida alguma, brilhantismo de uma alma cujo baloiço não baloiça à toa!

sem o "restante" e a "utopia", este conto é muitíssimo bonito!
mas, se juntarmos os três... opah! ficamos, no mínimo, com água na boca, à espera de mais "brincadeiras" destas, assim, escritas em cima do joelho!

venham elas!

mfc disse...

Gostei da história(é linda..) e da forma como a contaste, que foi sentida.

Barão Van Blogh disse...

"Na fresca manhã a cintilar
A fugaz luz da sua existência"

Boa semana .

Rafeiro Perfumado disse...

Bonita, a hsitória, até fico sem vontade de lançar suspeitas sobre o nível de alcool no sangue do tipo...

Haddock disse...

...
mas esse barão é parvo ou faz-se??
esmolinha primeiro, visitinha después!! olha a lata!!!

(as armas e) os barões assinalados... presumidos!!

Lídia disse...

História cheia de emotividade... e a simplicidade como a partilhaste. O abraço forte que leva à loucura. Deixemos respirar...

1entre1000's disse...

temos contadora de histórias muito gira!!!

Anita disse...

Adorei...mesmo!

A Sara tem cá uma sorte...=D
Beijinho!

Dulce disse...

Linda e mágica esta história!
Beijos

Marco Ferreira disse...

Muito bonita esta história.

marinheiroaguadoce a navegar

Anita disse...

Obrigada...

Não sei se tens consiciência do quão bom é para mim saber que é bom para ti sabê-lo de volta à escola, à seca, ao trabalho...

Um grande beijinho!

Eli disse...

Já tinha lido esta história naquele lugar (leia-se "calhau" - rendida às denominações)...

E... também me encantei, embora possa parecer repetitiva, tinha que deixar aqui a minha referência!

:)

Haddock disse...

...
definitivamente, post ganho!!
estás a ver, mna. boop??
aprende, que eu não duro sempre!!

Francis disse...

Lindo.

Anónimo disse...

... e de picadelas de bichos , de alergias e de corridas à frente do pai da gaiata , que nos persegue com uma forquilha...

su disse...

Passei por aqui e fiquei entretecida nesta história: LINDA!