quarta-feira, julho 06, 2016

Auzenda




Todos os dias Auzenda se sentava perto da máquina do café.
Se gostava de café? Gostava claro! Mas mais do que do café gostava da conversa.
Os amigos… já os tinha perdido quase todos.
91 anos… muitas histórias, muitas perdas, muitas memórias.
E ali ia falando com quem passava e parava um bocadinho. Mas não pensem que eram tristes as suas histórias. Eram ricas isso sim. De uma vida cheia!

Mas é tão diferente ser a D. Auzenda ou a Zi…
A Zi que foi para quem a amou, pais, amigos, marido
Lamentou sempre os filhos que não teve, mas essas histórias estavam reservadas para os que a tinham como Zi.

A D. Auzenda… era paciente, partilhava com quem a quisesse ouvir aventuras de uma vida, e guardou o dom de saber ouvir
A Zi, de uma doçura…

E houve um dia que a Auzenda não apareceu para o café…
Não voltará mais.
Partiu sem estardalhaços e sem dar trabalho a ninguém.
Fazem hoje falta as suas histórias. Mas vão-se ouvindo as músicas de que gostava.

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