sexta-feira, novembro 11, 2016

A Amiga Genial

1500 paginas depois...
(na verdade não sei quantas são)

É verdade que a escrita de Elena Ferrante me perturba.
Depois de terminar esta história, que se estende por 4 volumes, tentei perceber porquê.

É indiscutível a forma como mergulha no universo feminino. Como dá corpo, em palavras, a pensamentos e sentires secretos. As palavras são simples, o que abordam extremamente complexo.
Mas o que me perturba? Se não me sinto reflectida nas suas personagens?
Percebi, à medida que as páginas se esgotavam rapidamente (é aditiva a sua escrita), que o que me inquietava era a falta de esperança. Não sei se é esperança, se é sonho, ou simplesmente romantismo.
Nestas páginas as coisas são o que são... Cruas... de uma verdade despida de qualquer artificio.
E eu não sou capaz de ser assim!
Aflige-me a inevitabilidade das coisas, das repetições, da impossibilidade de mudança.
Como às tantas todos (ou quase todos) os acontecimentos que se iam sucedendo eram previsíveis, como um abismo que atrai numa vertigem a que é impossível escapar.

Escrito com mestria sim!
Mas perturbador.

Gostei mais do outro livro de Elena Ferrante que li "Crónicas do Mal de Amor" de que falei aqui.
Se calhar por ter sido o primeiro... Ou por serem estórias mais curtas, não menos cruas, talvez mais intensas ainda...

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Sobre a foto que se segue...
Devíamos poder fazer sempre isto: Ler um livro no cenário em que a acção se passa.
Esta estória passa-se entre Nápoles, Florença e Milão, e aqui estava eu, num jardim de Milão num final de tarde ameno, com este romance envolvente.




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