domingo, janeiro 22, 2017

Quando nasce

Lembras-te da sensação primeira quando foste pai/mae?

Não! Não falo do misto mais ou menos (in)definido de planos, desejos, fantasias, alegrias, sustos, que acompanham todo o processo de uma gravidez.
Nem do prazer e orgulho com que se apresenta um filho ao mundo.
Nem do achares o teu filho a mais perfeita das criaturas.

Falo daqueles momentos incomunicáveis.
De qualquer coisa que te esmaga. De um sentimento desconhecido até então do "para sempre".
Do sentires-te responsável - real e incontornavelmente responsável.
É frágil, dependente, insuportavelmente frágil.
E teu!
De algo que não cabe dentro de ti. Que te transborda desconcertadamente em choro ou riso.

E com o dia-a-dia, num processo lento de aprendizagem e encantamento, te vais descobrindo capaz. E encontras espaço para este amor tão grande que quase doi.
E descobres... que afinal metade das pessoas à tua volta foi capaz.
E tu? Tu serás tão ou mais capaz do que eles.
E saberás conter a angústia dos momentos frágeis, do não saber, do não ter a certeza.

A vida mudou para sempre.


Foto tirada hoje no Palácio da Ajuda
 pelo meu mais novo, agora com 8 anos.


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