terça-feira, junho 13, 2017

"Ter vivido mais de trinta e cinco anos com o meu marido ajudou-me a praticar o desamor, essa espécie de tranquilidade em que nao amamos nada nem deixamos de amar coisa alguma. Gostamos de nós e, aos poucos, vamos descobrindo que nada há em nós para gostar, mas gostamos, mesmo assim. Talvez seja esta a resolução de toda a inquietação, o fim de toda a angústia: sabermos, no nosso interior, que tod a inquietação ou angústia são manifestações de uma mesma coisa, de um desejo de união com alguma coisa inefável que resiste a mostrar-se."

"...vasculhei os livros e encontrei o diário de Etty Hillesum. Abri o livro ao acaso e li: Toda a vida tive esta sensação: quem me dera que houvesse alguém que me pegasse pela mão e se ocupasse de mim; eu pareço forte e faço tudo sozinha, mas gostava tanto de me entregar completamente..."


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