sexta-feira, dezembro 29, 2017

Inverno

Portimão - hoje




quinta-feira, dezembro 28, 2017

2018 está alí a 20 metros

Foto da Boop - Castro Daire - 25 Dez 2017

A ideia de que "a única forma de prever o futuro é criá-lo" não é nova.
Precisamos da doce ilusão de que a vida não é um livre arbítrio, e de que temos na mão, se formos sábios e hábeis, o controlo da nossa vida.
Eu acho que o que temos é mais ou menos isto: Fazer uma viagem de 350 km a ver apenas 20 metros de cada vez.
O que ficou para trás é uma memória reconstruída
O que vem para a frente uma incógnita.

1 de Janeiro está quase a aparecer...
...e eu continuarei a ver apenas 20 metros de cada vez.

Terão de bastar!


sábado, dezembro 23, 2017

Na grande clareira.

Foto da Boop - vale do Douro - hoje

Há muito, muito tempo, tanto que já ninguém sabe ao certo o tempo exacto, contava-se que por alturas do solstício de inverno uma bruma mágica cobria todo a vale, ocultando de todos os olhares, o percurso do rio.
Esse era um dia estranhamente silencioso. Parecia que o nevoeiro absorvia todos os sons, os cães não latiam, o vento não assobiava, ficava o mundo como que em suspenso.
Em algumas casas, sabia-se, havia homens, que sem dizerem palavra, arrumavam na sacola um mata bicho, e sem acordarem ninguém, saiam de casa, desciam a encosta e embrenhavam-se na espessa neblina.
Era com dificuldade que encontravam o carreiro que levava à grande clareira. Viam pouco mais do que espaço entre um pé e outro a cada passo. Era por isso lento o caminho. E embora todos soubessem que outros fariam o mesmo percurso, na verdade nunca encontravam ninguém. Era uma viagem solitária em que se preparavam para o verdadeiro encontro.
No centro da grande clareira crescia um carvalho. Era uma árvore secular, com um tronco tão largo que eram precisos 11 homens para o abraçar. Exemplar único e extraordinário, criava um ambiente algo encantador em qualquer dia do ano, e não era raro servir de abrigo, do sol ou da chuva, a caminhantes, pastores, estafetas ou namorados. Também se contava que feiticeiros, bruxos, magos, macumbeiros e adivinhos, por aqui passavam e recolhiam folhas, seiva, e até a terra e o musgo que crescia nas grandes raízes, onde as crianças brincavam.
Mas neste dia revelava toda a sua magia.
Aqueles que lá chegassem, encontrando o caminho pelo meio da névoa, e se viessem de coração aberto (que a magia da floresta pouco se importa com as regras morais dos homens, ou com o que consideram puro ou digno de recompensa) podiam formular, perante o majestoso Carvalho, o seu mais secreto desejo de mudança. E sabia-se que voltariam a casa homens novos, e que nos seus rostos trariam a calma e a serenidade daqueles que nada devem e nada temem. E por isso parecia que os seus lares ficavam mais iluminados, como se uma estrela por eles velasse.

Tenho para mim que esta história foi inventada por uma qualquer mãe, numa manhã de silenciador nevoeiro, para sossegar os filhos inquietos com a misteriosa névoa. E que na sua ingénua sabedoria intuiu que é nos caminhos morosos e incertos que se produzem verdadeiras mudanças.

Votos de boas festas, pagãs ou cristãs.


sexta-feira, dezembro 22, 2017

terça-feira, dezembro 19, 2017

count down

(em resistência massiva, e algo inesperada, à quadra natalícia)


sábado, dezembro 16, 2017

Does it count?

Does it count being really good at being bad? 





domingo, dezembro 10, 2017

sábado, dezembro 09, 2017

A intimidade

Boop no museu Rodin
A proposito de um artigo de divulgação do psiquiatra Mário Lourenço ocorreram-me uma série de pensamentos.

Dizia ele: 
"a intimidade está associada ao despojamento do autocontrolo sensorial e afetivo, à entrega plena, sem o receio das consequências que daí possam advir"      "... é algo que só revelamos em relações de grande proximidade, que nos inspiram confiança e nos transmitem segurança. Quando sentimos que não vamos amachucar a nossa forma de ser e de estar no Mundo (...) a intimidade será sempre a capacidade de nos colocarmos na pele do outro sem perdermos a nossa."

E como aceito à partida que os pensamentos que temos não são sobre os outros mas sobre nós próprios... terá sido sobretudo sobre mim que pensei.
Quem não me conhece bem (not true - mesmo quem me conhece bem!) tem-me como uma pessoa afável, disponível, presente, mas algo reservada, mantendo uma distância não muito grande mas pouco flexível, e segura, forte... Ainda há dias a minha filha de 13 anos dizia que nunca me tinha visto chorar  (assim à séria!)

Depois há aquelas pessoas (tão poucas! 2?, 3? ...) a quem me dou de corpo e alma (não todas de corpo... ;) mas todas de alma!). E não sei dizer porquê... Em alguns casos posso dizer que há uma história, que há décadas de convívio e um conhecimento profundo. Mas e as outras? Que intuição é esta que me diz que posso confiar, entregar-me, fragilizar-me, falar de angustias, desejos, mostrar-me sem medo e sem pudor. Que encontros raros são estes, em que mesmo mostrando toda a minha fragilidade me sinto inteira e segura? De onde me vem a certeza de que não me vão magoar?
Sinto quase mágico este encontro. Um lado infantil que sem medo mergulha a Boop adulta num espaço de confiança e intimidade.

E sabem?
São preciosos estes momentos!





quarta-feira, dezembro 06, 2017

Faz-me falta o mar revolto

Da janela do meu carro esta manhã - Paço de Arcos

Onde está o vento forte?
E as fortes correntes?
Onde andam as ondas que galgam o paredão e se insurgem contra as paredes de rocha e betão?
Por onde anda o mar picado e salpicado de ondas brancas?

Faz-me falta o mar revolto para ser espelho da minha própria rebeldia.
Faz-me falta a inquietude que me diz que nem tudo tem de ser docemente tranquilo.
Faz-me falta a força indiferente às estruturas e às regras.

E o poder estar quente e segura com o pensamento solto à deriva, qual espectadora presa pelo encanto, com os olhos postos no mar.

_________________________

...porque gosto do mar de inverno!



Seal - Love [AUDIO]

terça-feira, dezembro 05, 2017

E eis que nos céus de washington...





Ora fico aqui cheia de ambivalências...

- a força aérea norte americana tem um dever de seriedade e honra, não só para com os americanos, mas tendo em  conta o seu  potencial destrutivo, com todo o mundo.

- este gesto pode ser considerado ofensivo e uma força do estado não se pode dar a estes luxos.

- a população de Washington, numa pacata manhã de Novembro, teve de lidar com algo inusitado, que terá levantado algumas questões, crianças curiosas, adolescentes a sentirem-se cúmplices e autorizados a práticas semelhantes (à sua medida, claro está), puritanos indignados, ...

- mas tenho um lado marginal que se congratula com a irreverência nos sistemas mais espartilhado.

- os pilotos mostraram habilidade e exactidão nas manobras (se são bons aqui, serão bons noutros contextos... digo eu...)

Enfim...
...assim se gasta dinheiro dos contribuintes...
...se alimenta a imprensa com questões de sumenos...
...e se fazem publicações em blogs sem a mínima consequência...

Teria sido escusado!

sábado, dezembro 02, 2017

l'autre "Le Baiser" - Rodin

Musée Rodin - Paris - aujourd'hui 


J'aspire aux autres bisous ...
Le doux, le tendre ... 
Qui viendrait avec le calme des jours. 
Mais le désir de ma bouche est encore vorace.

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Le Baiser - Pablo Picasso

Musée Nacional Picasso - Paris - aujourd'hui 



un bisou de toi 
et tout mon corps entre dans un rythme effréné. 
une confusion 
delicieux demembrement 
et dans tes bras je me reconstruis