sábado, dezembro 09, 2017

A intimidade

Boop no museu Rodin
A proposito de um artigo de divulgação do psiquiatra Mário Lourenço ocorreram-me uma série de pensamentos.

Dizia ele: 
"a intimidade está associada ao despojamento do autocontrolo sensorial e afetivo, à entrega plena, sem o receio das consequências que daí possam advir"      "... é algo que só revelamos em relações de grande proximidade, que nos inspiram confiança e nos transmitem segurança. Quando sentimos que não vamos amachucar a nossa forma de ser e de estar no Mundo (...) a intimidade será sempre a capacidade de nos colocarmos na pele do outro sem perdermos a nossa."

E como aceito à partida que os pensamentos que temos não são sobre os outros mas sobre nós próprios... terá sido sobretudo sobre mim que pensei.
Quem não me conhece bem (not true - mesmo quem me conhece bem!) tem-me como uma pessoa afável, disponível, presente, mas algo reservada, mantendo uma distância não muito grande mas pouco flexível, e segura, forte... Ainda há dias a minha filha de 13 anos dizia que nunca me tinha visto chorar  (assim à séria!)

Depois há aquelas pessoas (tão poucas! 2?, 3? ...) a quem me dou de corpo e alma (não todas de corpo... ;) mas todas de alma!). E não sei dizer porquê... Em alguns casos posso dizer que há uma história, que há décadas de convívio e um conhecimento profundo. Mas e as outras? Que intuição é esta que me diz que posso confiar, entregar-me, fragilizar-me, falar de angustias, desejos, mostrar-me sem medo e sem pudor. Que encontros raros são estes, em que mesmo mostrando toda a minha fragilidade me sinto inteira e segura? De onde me vem a certeza de que não me vão magoar?
Sinto quase mágico este encontro. Um lado infantil que sem medo mergulha a Boop adulta num espaço de confiança e intimidade.

E sabem?
São preciosos estes momentos!





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