sábado, maio 24, 2014

Nota autobiográfica - ou os Psis na vida de uma Psi

A Boop teve a sua dose de psis.
Mas na verdade, dos primeiros, mal deu por eles!

O primeiro de traços já muito diluídos na memória, passou por ela aos 5 anos, recorda um senhor mais velho (na verdade não teria mais de 35/40 anos, mas ao olhar de uma criança…) redondinho, algo careca - objectivo: avaliar a hipótese de entrar com 5 anos para a escola primária. E lá fui!

O que me fez estar com 13 anos no 9º ano a fazer exames psicotécnicos - Psi nº 2!
Desta psicologa cujo nome não me recordo, guardo dois momentos: o primeiro o ter sido, em conversa com ela, a primeira vez que se me pôs a hipótese de seguir psicologia. (bem haja!)
O segundo.. Bem o segundo ficou-me atravessado estes anos todos! (não que me tenha dado muitas dores de cabeça!) - o desenho da família!
Instrumento diagnóstico vastamente utilizado serviu também ali esse propósito.
E esse desenho de então volta e meia vem-me à cabeça. É que não desenhei uma família! Desenhei uma pessoa sozinha, um jovem, sentado debaixo de uma árvore a ler um livro. A Psi perguntou-me se não tinha tido tempo de acabar. Anuí com um sorriso tímido, mas na verdade não ia desenhar mais ninguém!

E desde então, quando se fala em desenho da família, tenho o meu desenho bem presente. Não me recordo de nenhum outro desenho meu, deste lembro-me na perfeição.
Já tive tempo, e oportunidade ao longo dos anos que me separam dos meus 13, para entender esse meu desenho.Os psis que tive depois, já adulta, num processo de auto-conhecimento e formação, ajudaram-me a entender-me e a crescer. Mas este desenho, ainda me assalta a memória de vez em quando -  queria muda-lo!

Este fim-de-semana decorre o congresso da Sociedade Portuguesa de Psicanálise " Psicanálise e Família num mundo em mudança".
E perante comunicações menos aliciantes (que as há em todos os congressos) revisitei esse me desenho.
Comecei pela árvore , a mesma de há 28 anos. E reconstruí a cena. Desta vez com a "minha família de agora" - pais, dois filhos.
Mas o desenho estava errado / incompleto. Não era esta família que precisava de re-desenhar! Era a minha - a de origem. Faltava ainda um filho! - pronto! Desenha-se mais um!

Também este desenho daria aso a várias interpretações!
Mas prefiro-o ao outro!
Talvez se arrume num canto da minha memória,  e que o evoque quando aqui e alí ouvir falar no "desenho da família".




1 comentário:

Ana Ricardo disse...

É uma das leis da psi, não se apagam memórias mas pode-se reeditá-las. Foi um exercício positivo portanto :)