sexta-feira, outubro 17, 2014

Malakal

Na página da ONU/Brasil
Chamam ao seu país, um país encravado.
Diz que é uma questão de geografia, que há lá longe um mar que nunca viu.
O seu país… o seu país é feito de terra, de sol, de chuvas.
É feito do calor que se sente na pele, do sol que queima. É feito do cheiro da terra e das gentes.

E é feito de guerra.

Não sabe dos seus irmãos. Uns foram embora para o Quénia, outros estão no SPLA/M, não sabe nada deles. 

Está aqui… Malakal.
O cheiro aqui é diferente.
Tão diferente do cheiro da quando era menina e brincava nas poças da água na época das chuvas, e a mãe lhe entrançava o cabelo.
Aqui cheira a podre, a urina, a merda.
Aqui não se fala de morte mas ela entra-nos pelas narinas.
Aqui estão os desenraizados, deslocados, e os desmembrados. 

Mas vai sair daqui!
Vai viver num Sudão livre de conflito. 
A vida não vai acabar aqui!


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Wikipédia: O Sudão do Sul, também chamado de Novo Sudão, possui quase todos os seus orgãos administrativos em Juba, a capital, que é também a maior cidade, considerando a população estimada. Apesar de ser rico em petróleo, o Sudão do Sul é um dos países mais pobres do mundo, com altas taxas de mortalidade infantil, e um sistema de saúde muito precário, considerado um dos piores do mundo. em termos de educação somente 27 % da população acima dos 15 anos sabe ler e escrever, chegando a 84‰ o índice de anafabetismo entre as mulheres e boa parte das crianças não frequenta unidades escolares.


4 comentários:

Francis disse...

Pobre gente que vive com lucidez aterradora, e uma esperança que a nós nos devia envergonhar, para tudo o que a rodeia. "Deus" não quer nada com esta parte do Mundo.

Boop disse...

Não consigo nem imaginar o que é viver assim. Imagino que o mais fácil seja não pensar. Uma espécie de alheamento, o viver o aqui e agora. Mas será possível sempre? E as mentes inquietas? Os pensadores? Os inquietos? Como se pode abarcar a angustia, a morte, o sofrimento, a incerteza?

Fatyly disse...

É uma chaga permanentemente aberta e conheço bem essa dura realidade. Tantos amigos e amigas dos "quimbos" cujas famílias foram dizimadas pela maldita guerra. Os meninos feito homens tinham que perfilar no exército e enfrentavam a dualidade...matar os seus entes e aldeia ou desertar? Ou até suicidarem-se? Lá tinha o que tenho cá em termos materiais mas o meu coração está lá, nos vários quimbos/sanzalas...como "Malakal".

Sabes Boop é tudo muito fácil e há soluções para tudo quando temos a barriga cheia. Pior, muito pior é viver e sobretudo ver a realidade no terreno.

Eu tive a sorte de sair da minha terra vencida apenas e tão só pela fome e terror que não tem sexo, cor e religião.

Fazem-se concertos, peditórios, resmas de dinheiro e bens alimentares que 90% são desviados por desvairados que...fico-me por aqui! As organizações mundiais poderiam fazer mais ou existem outros interesses?

Temos o exemplo do Ébola...foi preciso bater à porta dos "grandes" para acordarem? o que foi feito desde 1976? Assobiar para o lado...

Não consigo escrever mais nada, mal vejo as teclas e termino dizendo: devemos agradecer a todos que fazem voluntariado apoiando/respeitando todas as diferenças étnicas porque as há e muitas, a essas gentes filhos de ninguém, que respeitam dando tudo o que podem, porque deixei de acreditar em muitas organizações, associações e outros "ões" mundiais!!!!!

Beijos Boop

carlos broch disse...

A ajuda ocidental so faz aumentar ainda mais os nescessitados de amanha.e que eles se reproduzem como bacterias