quinta-feira, janeiro 29, 2015

D'oiro (?)

Sabe? - dizia-me ela - eu entendo o silêncio dele.
Não lhe sei explicar bem... Aquele homem teve de mim uma verdade quase crua, não sei se límpida.
Se calhar por saber que nunca seria meu, não senti necessidade alguma de me apresentar diferente do que sou no meu mais íntimo.

Não me mascarei. Não fiz de conta que gostava de nada. Não tive medo de lhe mostrar o que pensava. Não tive medo que não gostasse de mim.
Percebe? Não lhe escondi nada! Não era preciso.
Não tinha nada a perder.

Estava segura de mim, serena, não tive medo!
Acho que pela primeira vez não tive medo!
Não me sabia capaz de mostrar a alguém tanta verdade.
E assim, o homem que nunca seria meu, teve-me mais do que qualquer outro.

E sabe? Eu percebi, não me pergunte como, que podia saltar, mesmo sem rede, mesmo que para o desconhecido, simplesmente podia!

Podem os nossos mundos ser tão diferentes assim? Diga-me! Podem?
Posso estar enganada na forma como vejo isto tudo?

E, ridículo.... acho eu que o conheço também...
E que sei ler o seu silêncio.
E por isso não me dói que se cale
Também ele sabia que eu nunca seria dele.
Mas não consigo conceber que tanta verdade seja mal interpretada, acha que estou a ser ingênua?
Acredita?
Que as pessoas conseguem comunicar assim? Sem palavras? Sem se olharem?

Sei que lhe dei a minha verdade.
E por isso ganhei tanto.
Acha que ele percebeu? Que me deu tanto?

Fiquei preenchida. É por isso que não me dói o seu silêncio?





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