quinta-feira, março 31, 2016

domingo, março 27, 2016

Páscoa

Na Páscoa interessa-me menos a paixão de JC e mais a compaixão dos homens.
Crentes ou não.
Mas capazes de se identificarem com o sofrimento alheio e de irem ao encontro das necessidades do outro.

É mais ou menos isto!


sábado, março 19, 2016

Loves on runs

"Loves on Runs" de Carlos Farinha

Ele acorda mais uma vez num quarto vazio.
É assim que o sente na ausência dela.
Olha para o lado direito da cama e parece ainda conseguir adivinhar a marca da sua cabeça no travesseiro. Ainda mal acordado, num acto pouco pensado, alcança a almofada dela e procura nele o cheiro dos seus cabelos.
A memória dela assalta-lhe o corpo.
Como se a própria pele a evocasse, sem qualquer recurso ao pensamento consciente.
Mas o quarto está vazio.
E a vida dela corre lá fora.
Corre sempre!
A uma velocidade atroz,
E ele… Ele aprendeu a correr também. Ainda não percebeu como?, nem quando? Mas percebeu porquê.
Tinha de acompanha-la.
Correr sempre.
Para quê…?
E o quarto está vazio.
Hoje não quer correr.

Levanta-se vagarosamente, quase como que num desafio às corridas diárias, hoje não vai correr.
O telefone toca.
Chegou uma SMS
E um sorriso conquista-o.
E de repente o dia começa de novo.
As palavras são dela:
"Não penses nunca que não vou ter tempo para amar-te."

sexta-feira, março 18, 2016

Drummond


Espero ser sempre capaz de sentir - Muito!
:)

segunda-feira, março 14, 2016

E nada fica como antes


Um livro, 
uma viagem, 
uma decisão,
um professor, 
uma derrota,
um amigo, 
uma perda,
um animal de estimação, 
uma missão, 
um mestre, 
um amor, 
...



domingo, março 13, 2016

Há mulheres

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in OBRA POÉTICA (Ed. Caminho, 2010)

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma

sábado, março 12, 2016

É no mar que te encontro

Guincho Março 2016 - foto de Jorge Piteira

É no mar que te encontro
Mesmo quando não estás é contigo que quero partilha-lo
É como um abraço
Como um sonho de encontro
É no mar que te encontro quando não estás.

sexta-feira, março 11, 2016

Uma branca

"Uma branca" Carlos Farinha
Não sei escrever senão para ti.
Não, isto não é correto!
Não sei escrever como escrevia para ti!

Aparentemente as palavras que uso são as mesmas. Ou quase as mesmas, na verdade há palavras que só as dizia a ti. Mas palavras são só isso, palavras... a nossa língua tão rica permite aceder a conceitos sem usar essas palavras, as que só dizia a ti.

É que é oco o meu texto...
Palavras juntas, compostas, em receitas fáceis e universais. "Escreves muito bem!" - dizem eles...
Não escrevo, papagueio, ponho uma palavra a seguir à outra, imito-me descaradamente recorrendo a chavões e redundâncias.
Sei que o que escrevo é uma fraude!
"Escreves muito bem"!? - dizem eles.
Não saberão distinguir o que é genuíno, do novelesco e enfadonho?

Para ti reinventava-me, redescobria-me, escutava-me, traduzia-me.
Ia além do meu limite, não sabia o que vinha depois, não tinha fronteiras, não tinha tabús, Sabia que me lerias, e que saberias acompanhar-me. Divertia-me a seguir um pensamento, encantava-me com uma ideia, perdia-me numa fantasia.

Na verdade não sei escrever como escrevia para ti.
Para escrever assim precisava de ti,