quarta-feira, julho 12, 2017

Desnudo - de corpo e alma

O homem que se fotografou nu a fazer o pino por esse mundo fora - DAQUI
- O que me revela mais? - perguntava-me ela - O meu corpo nu? Ou o acesso ao meu pensamento?
- O que é que acha? - retorqui eu.
- O meu corpo não é perfeito, sabe?! Não o consigo mostrar assim, sem mais nem menos.
- Mas não me disse ainda. Onde se sente mais exposta?
(Silêncio)
- Quando mostro o que penso aliado ao que o meu corpo sente. Quando consigo traduzir em palavras a forma como as emoções ecoam nos recantos do meu corpo. Quando dou voz ao desejo, ou à angústia, ou à tristeza. E consigo ao mesmo tempo ser corpo e pensamento. Aí o meu corpo passa a ser meio de expressão. Nem bonito nem feio. Sou eu! Uma expressão de mim complementar à palavra. Às vezes sinto que não chega, só corpo, ou só palavra. Quando consigo aliar os dois... Quando consigo os dois não tenho medo nem vergonha, nem do toque, nem do olhar, nem do choro.
(Silêncio)
- Não é exposta que me sinto nessa altura. É verdadeira!
- Revelada! Despida?
- Sim, é isso que procuro. Saber quem sou quando me mostro ao outro. No mais íntimo de mim. (...) Aí o corpo é só uma parte, nem penso muito nele. Aí sou corpo em acção. E a minha voz é corpo e palavra. Traduzo-me.
(Silêncio)
- O sentir-me exposta vem depois. Quando me sinto só, sem retorno.
- E isso acontece muitas vezes?
- Não, na verdade não! Escolho criteriosamente a quem me mostro de corpo e alma.

2 comentários:

Fatyly disse...

LI, reli e fez-me bem à alma que anda um pouco taralhoca:))

Beijocas

Boop disse...

Diálogos inexistentes, com pedacinhos dos outros e pedacinhos de mim.
:)