Abanou a cabeça, como se com aquele gesto afastasse tais pensamentos.
E sentou-se com o livro nas mãos.
Passou a mão pela capa. Com a ponta dos dedos sentiu o relevo do trabalhado daquela encadernação magnifica. Ela nunca chegara a dizer-lhe onde encontrara o livro.

Abriu-o!
Pode um livro só por si mudar o sentir de uma pessoa?
As páginas sem palavras, cem palavras, bebidas em grandes tragos, num turbilhão de cor, luz e magia, transformaram o dia sem ele dar por isso. Era um encantamento, um sentir maravilhado, um recolorir de cada pedacinho de vida.
Percebeu então, que o livro não tinha sido encontrado em lado algum. Era o mundo dela que ali estava, para ele abrir com cuidado, rever pensamentos, sentimentos e sonhos, partilhar medos e segredos. Feito com toda a ternura só para que naquele dia a sua estranheza se dissipasse.
Mas ele teve cuidado. Com um sorriso doce fechou o livro. Não a queria saber por completo.
Afinal a magia está naquilo que lhe vai descobrindo.



