quinta-feira, setembro 27, 2007

Douro

"Ó São, sabes quem é aquela mulher a tirar fotografias?"
"Não sei, parece que pertence à Isabel, é de Lisboa, casada com o Dr"

E retomam às uvas...
São corpos cansados, de um dia atrás do outro, corpos dobrados, dores nas cruzes, sem uma queixa.

A São nunca foi a Lisboa. Ao Porto foi uma vez, à consulta ao S João. A cidade é um reboliço. Vai à Régua, quando tem de ser! Tem o Douro, os socalcos, as uvas, as oliveiras e as cerejeiras, que não sendo suas fazem parte de si. São como uma herança que recebeu dos pais mas que os filhos renegam. Nas mãos as marcas do trabalho, na pele o tom que lhe emprestou o sol e o suor.
E vai cantando com as mulheres, as mesmas canções que aprendeu com a mãe quando era gaiata.
E as uvas vão-se apanhando.
E o vinho há de se fazer.
As encostas do Douro vão mudar de cor...
Depois vem a poda... a geada... a enxertia... o sulfato...
E a São... vai cantando com as mulheres.
(foto do google)

terça-feira, setembro 25, 2007

Quem lhe comeu a carne...

... que lhe roa os ossos!

Estava eu na farmácia a comprar os novos pensos maravilha para o herpes labial (que veio aqui parar não sei como...), e oiço esta verdade inabalável:
"Quem lhe comeu a carne que lhe roa os ossos!"

Ora... pôs-me a pensar nesta coisa inevitável que é a idade, o envelhecimento, o vermos quem connosco gozou os prazeres da "carne" ver-se preocupado com os"ossos"...
Mas a minha divagação divergiu daqui... para algo que se me apresenta mais interessante.

A idade dos amigos!
Quando passou aquela fronteira indelével em que deixou de haver um "nós" e um "eles" e ficou só um "nós"! Quando é que os "adultos" deixaram de ser distantes e eu me senti isso - adulta...
E sentindo-me assim... não me sinto menos experiente e distante das questões dos mais velhos (não sei porquê mas só até aos 60 e...)... nem mais experiente que os mais novos (20 e muitos...).

Parece que simplesmente sou "crescida" como eles... que a vida é só uma, sendo muitas, que falamos a mesma linguagem, partilhamos os mesmos receios, problemas, prazeres.

Afinal quando deixamos de ser "meninos"?
E passamos a gozar dos outros as carnes e os ossos...

sexta-feira, setembro 21, 2007

Mais um...

Esta musica, que fala de um amor puro, está associada na minha cabeça aos meus amigos M e G. Ela com uma voz muito bonita.
No dia do casamento presenteou-o a Ele com esta música. Entrou cantando!

"coisas pequenas são tudo o que eu te quero dar, e estas palavras são coisas pequenas que dizem que eu te quero amar!"

"a hora que esperei a vida toda é esta!"

Olhem - é que foi mesmo bonito!!!

Lembro isto hoje porque lá vou eu a mais um casamento... esta vez para Ermesinde.
Espero poder surpreender-me com qualquer coisa que me encante... ou será só mais um...(?)

quarta-feira, setembro 19, 2007

"Feitiço para ter um homem"

A história está cheia de mulheres que vivem sem um homem! Por vontade própria?
Algumas mulheres de coragem, algumas mulheres feias, algumas mulheres soltas, algumas mulheres frágeis, algumas mulheres lindas, algumas mulheres deprimidas, algumas mulheres seguras - em comum - estão sós!

"A noiva" - Gustav Klimt (1918)



Esta é a narrativa de uma mulher sem homem...

Guilhermina vivia num povo ali para os lados de Vilar de Mouros, num tempo onde o lugarejo não se via invadido (e revitalizado) pelos seguidores dessas músicas modernas. Era terra de tradições, e música era ouvida na missa e nos ensaios da banda por alturas da festa do solesticio.

Ora Guilhermina sentia-se preterida. Culpava o nome que recebera de baptismo, herança da bisavó paterna falecida de "enlouquecimento". Matara-se ainda nova ao saber do enamoramento do seu homem pela Maria. Logo a Maria, menina tímida, temente a Deus, mas que nem por isso deixou de lhe levar o homem tendo partido os dois para terras de Espanha.
Chamasse-se ela Maria e talvez tivesse mais sorte.
Ia já nos seus 25 Invernos (tinha nascido numa gelada manhã de Fevereiro - que tinha deixado como marcas a brancura da sua pele, a frieza do seu sorriso, e a secura das suas carnes), e sem amor para contar.
Resolvida a mudar o seu destino procurou o velho bruxo de Caminha. Queria um feitiço para ter um homem! Não dizendo ao que ia partiu determinada!
O que por lá se passou não se sabe.
Mas consta que de lá veio aquecida de algum jeito... pele rosada, sorriso quente e carnes fartas.
Se chegou ao bruxo?
Uma revelação que irá com ela para a tumba.
Tenho para mim que o próprio bruxo lhe resolveu o problema. Mostrou-lhe, lá como sabia, o que um homem dá e o que um homem tira... e devolveu-a à aldeia, com um saquinho de couro pendurado ao pescoço para onde tinha soprado um pouco de esperança.



(não pensem que esta história saiu do nada. Alguém veio ao meu blog, pelas pesquisas do Yahoo, com a instrução "feitiço para ter um homem" - eu bem que tentei perceber como cá tinha vindo parar... mas não consegui. E como não gosto de desiludir os visitantes - arranjei o dito feitiço!)



sábado, setembro 15, 2007

Conta-se uma história...

Hoje apetece-me contar-vos uma história... se me permitem...
Em tempos na encosta da Estrela contava-se esta história.
Um homem solitário deambulava pelos recantos mais escondidos da serra. Dizia-se que falava com as estrelas, que eram elas as únicas a ouvir a voz enrouquecida pela falta de uso das cordas vocais - mas isso era uma coisa que se dizia, porque a bem da verdade ninguém nunca o ouvira, e tenho para mim que esses sons roucos eram os lobos a uivar à mãe/mulher lua.
Esse estranho homem plantara pela serra estranhos palheiros. Estranhos porque em todos eles parte do telhado estava por acabar, e mesmo por baixo dessa janela sob o céu era instalada uma solitária cadeira de baloiço... quem sabe para falar com as estrelas. E assim com uma parte inacabada da sua vida.
Mas nem sempre tinha sido assim!Tinha afinal sido num palheiro, ali para os lados do Sabugueiro, que ele a conhecera e amara pela primeira vez. Ninguém diria que este homem rude amava de forma tão gentil, quase delicada. Presenteou-a com toques subtis, beijos ardentes, deu-lhe tempo, o tempo necessário a quem se entrega pela primeira vez. Fe-la quere-lo, descobriu com ela uma doçura que não sabia existir.
Amou-a demais naquele momento. Um sentimento que não entendeu, que o confundiu.
Sentiu que não podia perder "aquele" momento, mas como guarda-lo?
Impossível!
Ficou com uma angústia imensa que raiava o desespero.
E abraçou-a, abraçou-a, abraçou-a, queria fundir-se com ela, que ela vestisse a sua pele, que fosse parte de si.
E quando a libertou desse abraço encontrou-a morta, morta pelo seu abraço. Enlouqueceu!
Semeou palheiros pela serra à procura dela, em todos deixou uma janela para o céu para ela poder voltar...Acho que nunca voltou!
Por isso é tão mágico amar num palheiro... está repleto de doçura, de amor, de loucura.
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Esta história foi escrita na caixa de comentários do Mixtu - inspirada por ele, pela/o Utupia - seja lá ela/e quem for, e como continuação de outra historieta que por lá deixei. E publico-a aqui para o Haddock não se zangar comigo!!! Eh eh eh


sexta-feira, setembro 14, 2007

Carinhoso - Marisa Monte e Paulinho da Viola

De vez em quando encontramos umas surpresas! Confesso que não gosto especialmente de publicar músicas. Mas foi uma surpresa agradável! (estou a repetir-me?). O que me encantou? Talvez a simplicidade, é que assim parece tudo tão simples! É simples e eu complico! Ou é tão complicado que fiquei enamorada da simplicidade?

Vou ouvir várias vezes!

segunda-feira, setembro 10, 2007

Às vezes há dias assim

Hoje, só hoje, apetecia-me que o fundo deste blog fosse negro! Para nele poder escrever palavras brancas que retirassem o negrume dos dias.
Encontrei-me a pensar sobre a mais óbvia das verdades - no fundo estamos realmente sós. Com uma história guardada dentro de cada um de nós, que só a nós pertence. E nem podemos dizer que essa é "a história", as verdades são coisas que não existem! Não é difícil fechar a alma a sete chaves e deitar as chaves fora. Mas consta que para isso é preciso ter alma... Não é difícil encontrar palavras para descrever o que por dentro se passa. Mas as palavras existem para serem ditas a alguém.


Hoje, só hoje, queria conseguir pedir um conselho ao mar, mas ele não me responde de volta!
Hoje, só hoje, queria não ter medo de ligar a alguém, por não ter a certeza se haveria espaço para mim.




(Às vezes há dias assim!)

Não foi hoje... mas foi muito pouco tempo!

O sapatinho serviu!

(fartei-me da bela adormecida... hoje apetece-me mais a cinderela!!!!)


A vida desde há um mês e meio para cá perdeu parte do seu encanto...
Aqui me vi eu, qual cinderela, presa num destino que não escolhi... numa vida madrasta afastada do mundo...


Esperava o meu "homem da tv cabo", sabia que ele viria mas essa certeza em tudo aumentava a minha angustiante espera... os dias passaram-se, um após outro, sol, chuva, vento, até que...


O encontro foi fugaz...

Imperceptível quase...

Mas o sapatinho serviu!!!!
Posso voltar a bailar, a voar!!!!!!!!!!

Agora vou seguir pela estrada que se abre!
(com a certeza redobrada de encontrar velhos lugares conhecidos, e tantos outros por descobrir!)

sexta-feira, setembro 07, 2007

E tudo indica...

... que terei net 2ª feira!


...

terça-feira, setembro 04, 2007

Ai ai ai

... ainda sem net ...

... sofro horrores ...