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quinta-feira, novembro 29, 2018

Momento hilário

Ontem vinha no carro com as criaturas (denominação carinhosa dada aos dois seres de 10 e 14 anos que tenho o prazer de ver crescer), ela no banco da frente, e como boa adolescente nunca satisfeita com a música a passar na rádio - toca de mudar de estação a cada 3 min!
Heis que passa esta música na rádio (bem... não foi esta, foi a versão dos "Entre-aspas") e eles dizem com o ar espantado, maravilhado e divertido de quem resgata uma memória há muito perdida:

"Tu cantavas isto para nós adormecermos!!!" (na verdade não cantava nem versão Madalena Iglesias, nem Entre-aspas, recreei um tom e ritmo mais adequado ao convite ao sono)


E lá fomos os três felizes a cantar de uma ponta à outra!
:)



sexta-feira, julho 13, 2018

Hoje Vi e Ouvi






NOTA (mental) - ponderar numa próxima vez se será boa ideia ir a um festival uma semana depois de andar 120km.

quinta-feira, março 29, 2018

Se a minha vida fosse outra...

... iria seguramente a mais concertos!


(...but then again...
há músicas que me doem e eu nem sei bem porquê.
Fazem um eco cá dentro, que me aperta o peito e me sufoca.
Não me passam pelo pensamento nem preciso atentar à letra.
sinto-as só. )

sexta-feira, novembro 17, 2017

A musica que os filhos ouvem...


...mas tenho a certeza que não ouvem o mesmo que nós.

(ou sobre como as nossas histórias - as nossas , as dos outros, as dos filmes, as dos sonhos, as da fantasia - nos emprestam novas formas de ler, ouvir e pensar)

quinta-feira, junho 15, 2017

quarta-feira, maio 17, 2017

Abilio





(E assim continua esta história - Episódio 1)

Episódio 2

O Abilio saiu de casa.
Passa pelo café do Manel, pede um café e um bagaço.
Bebe os dois de um trago.
Arrepende-se logo de seguida. E se se notar no hálito a cheiro da aguardente? Quase instintivamente começa a remexer os lábios e a lingua, lavando a boca com a própria saliva, e a bufar para a mão a tentar verificar o cheiro.
Respira fundo!
"Raio da mulher que o está a por nervoso!"
Está quase com 60 anos (ainda faltam 3 anos, na verdade) e não quer ficar sozinho para o resto da vida. Vai dizendo de si para si, que ainda é muito homem! E que lhe faz falta uma mulher.

Nunca contou a ninguém daquela vez que foi à cidade e se deitou com uma mulher do ofício. Tinha cumprido a função, pois tinha, que o corpo funciona bem - se funciona! Mas aquilo não era para ele. Sentiu um misto de vergonha e culpa, não por ter procurado o serviço, já que tantos o fazem, e não deve nada a ninguém; mas um sentimento mais intimo, de ter estado com aquela mulher, tão à vontade com as coisas do corpo, que o fez sentir menino e acanhado - não que o tenha mostrado! Que a fanfarronice se aprende nos bancos da escola primária!

Quer uma mulher a sério.
Que não envergonhe a memória da Alice.
A Alice tinha sido a sua mulher. Mas sempre frágil de saúde. e foi-se com uma pneumonia num abrir e fechar de olhos. Até tinha custado a compreender tão rápido se deu a coisa.
Não lhe tinha dado filhos e sente-se só.
Precisa de uma mulher.
Sabe que apesar do seu esforço tem a casa desleixada e as camisas mal engomadas.
Quer companhia ao serão.
Quer a cama aquecida, e o corpo saciado.
Quer poder ir à igreja de cabeça erguida, participar da comunhão, e não sentir o olhar de piedade das beatas mal f*****, que vêem nele um homem acabado. Só esta lembrança o deixa furioso e a praguejar para dentro.

O carro faz a curva da estrada, lá está a Maria conforme o combinado. De repente sente um misto de alivio e nervosismo. Percebe só ali que queria, e ao mesmo tempo não queria, que ela comparecesse ao encontro.

Mas lembrou-se outra vez "Aprende-se a ser homem nos bancos da escola primária".
Faz pisca e encosta o carro na berma da estrada.

(depois continuo)
:)

(E termina aqui - Episódio 3)

terça-feira, março 14, 2017

Meu coração, não sei por quê, bate feliz, quando te vê.


(Que bom esta música cantada em Português de Portugal)


Episódio 1

Maria estava sentada na beira da cama.
Acabada de sair do banho, toalha enrolada à volta do corpo, olhava o guarda-fatos sem saber o que vestir.
48 anos feitos em Janeiro. A sua vida tinha sido entregue à D. Clotilde, que morrera, já com 87 anos, há 4 meses.
Olha para as suas roupas.
Roupas de uma mulher de trabalho.
Fica um tempo indefinido como que suspensa num lugar qualquer.
Não tem roupas bonitas.
Opta quase sem pensar por uma saia azul-escura pelo joelho e uma camisa branca que lhe tinha dado a D. Emília, prima da D. Clotilde.
A D Clotilde e a D Emília vão-lhe ocupando a cabeça sem dar por isso.

Pensar no Abílio deixa-a nervosa.
Nunca, nunca nos seus 48 anos conheceu um homem.
E o Abílio convidou-a para jantar.
Tem o corpo inquieto. Um corpo que percepciona como se não fosse seu, tal é o alvoroço que a assalta. O coração que bate mais forte e descompassado. A ansiedade que lhe sufoca a garganta num nó que lhe tira o apetite. A pele que de repente sente todos os toques - o roçar das mangas da camisa, o cós da saia a cingir-lhe a cintura, o tecido da saia a prender-se nas pernas.
A D. Clotilde aparece mais uma vez em seu socorro.
Onde está aquele fio de ouro que ela lhe deu, aquele com a medalha de Sto António?
(Ter-lhe-ia dito que era um disparate com esta idade ir jantar fora com um homem viúvo.)
Está na hora.
Espera que nenhum vizinho a veja.
Sai de casa e percorre a pé os 500 m até à estrada onde o Abílio a vai apanhar.
Agora não há volta a trás!

Vamos Maria!


Conto o resto da história?

(A Maria é uma personagem da minha infância, da terra da minha avó)


Episódio 2
Episódio 3


terça-feira, fevereiro 21, 2017

sexta-feira, abril 22, 2016

Quando as estrelas se apagam*

David Bowie Jan 2016
Publiquei este texto a 11 de Janeiro.
Hoje(ontem) volto a pensar nele.

______________________________


É estranho

Quando pessoas famosas morrem.

Não nos são próximas. Não faziam parte do nosso dia a dia. Não trocávamos mensagens, nem telefonemas, nem lembranças no dia de aniversário. Não lhe comunicamos pensamentos, nem partilhamos segredos. Não lhes tocámos, não lhes falámos. Não havia qualquer espécie de reciprocidade.
Lemmy kilmister Dez 2015
E no entanto instala-se um vazio.
Há milhões de pessoas, pessoas anónimas, que se entristecem.

Como se o mundo ficasse um lugar diferente.
Como se ganhássemos consciência de que algumas pessoas são insubstituíveis, contrariando o que somos obrigados a pensar todos os dias - "não há ninguém insubstituível"! - como não???
Não há é quem se repita!
Em lugar nenhum!

Dever-se-á talvez à experiência estética? (boa ou má)
À emoção que ecoa, e ressoa em nós, face a esse outro, à sua obra, às suas ideias.
Somos mudados pelos outros, e sem dúvida, em maior ou menor escala, por quem "seguimos".
Omar Sharif Jul 2015
Revemo-nos nas palavras de um poeta, Apavoramos com o semblante do terrorista. Encantamo-nos com a música. 
Passam a fazer parte do nosso mundo interno, são personagem que nos habitam e evocamos sem dar por isso.

E quando uma pessoa famosa morre, "boa" ou "má", o mundo assume contornos diferentes sim.
Talvez porque haja esta consciência colectiva, do irrepetível, 
Talvez porque saibamos melhor entender as reacções dos demais. 
Há um antes e um depois, quase insignificante quando olhado com distância, que é reconhecido por todos.
Não é um drama pessoal.
Não doi, nem marca, da mesma maneira que a morte de quem nos é próximo.

É estranho…
BB King  Maio 2015
como se o recorte da paisagem que pisamos se tivesse modificado indelevelmente, uma mudança subtil, mas que faz com que o mundo seja percebido como diferente, com essa ligeira estranheza.
Como se faltasse de repente, na rua em que passamos diariamente, aquele prédio peculiar, em que nunca entrámos mas em que demorávamos o olhar e a curiosidade.
E depois, adaptamos-nos rapidamente. 
E o mundo mudou-se.
E voltamos-nos novamente para os que estão perto. Para os que nos dão os bons dias, para os que nos dão um beijo, para quem nos cruzamos, quer nos façam bem ou mal, quer deles gostemos ou não, Para aqueles que nos reconhecem. E sentimo-nos responsáveis por aqueles que cativamos.
____________________
Manuel de Oliveira Abril 2015

*ideias partilhadas por mail esta manhã, fui escrevendo, para alguém de quem muito gosto, hoje no dia em que se tornou pública a morte de David Bowie

quarta-feira, novembro 18, 2015

Maria Ana Bobone - Namorico da Rita



A vida às vezes faz-nos conhecer pessoas inesperadas!
A Ana Bobone foi uma delas!
:)

terça-feira, setembro 29, 2015

terça-feira, setembro 01, 2015

Mariana





Hoje o meu irmão fez de mim tia!
Bem vinda linda Mariana!

"Sumo na vida é o que eu te desejo.
Rumo na vida.
Um beijo!"

:)

segunda-feira, agosto 03, 2015

Só eu e você - Banda Eva





Bom Verão!
Dizer o quê..... (?)
;)

sexta-feira, julho 17, 2015

Incontornável




Na verdade nunca ouço Jaques Brel, mas hoje deu-me para aqui.
E o homem é de facto incontornável.
Sem saber que música publicar/escolher.


Por isso deixo-vos também as inesquecíveis:

Ne me Quite Pas

La chanson des vieux amants

quarta-feira, julho 15, 2015

O Jantar II




O jantar I

O jantar decorreu sem incidentes.
A comida de excepção, a conversa estudada ao milímetro decorreu a favor dos interesses da embaixada.
O evento: um sucesso!
Sabe que conseguiu encantar quem devia. Tinha a estratégia delineada. Um toque de sedução ao empresário, com um sorriso discreto na altura certa. O conseguir a aliança da esposa e garantir que os seus interesses seriam tidos em conta. E mediar a presença do embaixador, e vendê-lo como um homem sério que honra os seus compromissos.
Talvez desta vez recebesse o bónus que sentia que merecia já há tanto tempo.

O Sérgio não apareceu.
Ao princípio a sua ausência assustou-a.
Não foi só o buraco de tantas expectativas logradas. Foi também (e surpreendentemente especialmente isto) o ter de estar a solo e assumir o jantar sozinha.

Mas o jantar não podia ter corrido melhor!
Permitiu-se a um passeio pelos bonitos jardins da embaixada, sabe que terá de voltar. A noite não terminara ainda. Precisava respirar.
Ouvia a música e puxou de um cigarro (nunca bem visto aos olhos do embaixador)

Não tinha precisado do Sérgio!
Uma agradável sensação de controlo tomou conta dela.
Era mais forte do que pensava.

O telemóvel tocou.
E as defesas dela caíram por terra.
Mensagem do Sérgio:
"Como correu o jantar?"

quinta-feira, junho 18, 2015

Aquele beijo

(esta história podia ter esta e esta banda sonora)

Manuela é uma mulher comum.
Quem passa por ela na rua não repara nela.
Nem bonita nem feia, segue caminho bem com ela própria.
Ponderada, serena, segura.

Mas dentro dela guarda um beijo
Não podemos saber ao certo se é ela que guarda o beijo, ou se é esse beijo que a assalta, tirano, sorrateiro, numa memória precisa, quase gráfica, quando menos espera.

A verdade é que o sente ainda. 
Nesses momentos fugazes, intemporais, a memória e o pensamento traem-a.
O corpo preso entre a parede e o corpo dele.
E as bocas num beijo.
É uma memória corpórea, que a incendeia.
Que anula o tempo e a distância.

E enquanto o seu corpo se transmuta, à mercê desse beijo que se impõe à sua vontade...
Manuela segue aparentemente segura, invisível aos olhos de quem com ela na rua se cruza.



terça-feira, junho 16, 2015

Fly Me To The Moon



Roubado a um amigo!
:)

Fly me to the moon and
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On jupiter and mars
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song and
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please, be true
In other words, I love you

Fill my heart with song and
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please, be true
In other words
In other words
I, I love, I love you

So beautiful!



quinta-feira, junho 11, 2015

Beethoven Piano Concerto No. 5 in E-flat major, Op. 73 Adagio Un Poco Mosso



Tanta beleza...
A música tinha o dom de intensificar o que ela sentia. Tanto que às vezes lhe fugia. Acontecia, durante os dias em que não queria entrar em contacto com afectos difíceis, se recusar a ouvir uma nota que fosse! Sentia que a música a traduzia, a deixava a nu. E havia coisas que nem a si própria queria mostrar.
Mas....
Quando se sentava ao piano, os dedos corriam livres no marfim. E dava por ela a rir, ou a chorar. Serena ou em tumulto,. Era a sua verdade exposta.

E depois havia a outra música, a partilhada a dois... O pedir emprestadas as palavras musicadas em vozes firmes, conjugadas com a força única da poesia, E ficar acompanhada noite dentro.

(e aqui fica, mais uma vez, o meu encanto - raiado de uma pequena inveja - para com quem respira música)