.... e assim de repente, no escuro do quarto onde adormeciam os meus petizes, foi só desta que me lembrei....
A NEVE (a)
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...
É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.
Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909
...ó mãe... porque é que as crianças têm dores???
Upsssss........
quinta-feira, janeiro 28, 2010
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Só conseguimos ter 150 amigos!
Achei interessante.
No Jornal i de hoje a propósito das listas de amigos que crescem e crescem no facebook. Parece que afinal não conseguimos "ligar-nos" a mais de 150 pessoas.
Eu cá até me parece bem!
Ora leiam se tiverem para isso!
O publicitário Edson Athaíde atingiu na semana passada o limite de amigos no Facebook: 5 mil. "Já eliminei uns 300, mas mesmo assim o limite continua estourado. Vou começar a cortar nos perfis adormecidos", anunciou na sua página desta rede social. O humorista Fernando Alvim confessa nunca ter rejeitado ninguém no Facebook e já acumula mais de 16 mil fãs: "Pode ser um bocado pretensioso, mas criei uma página de fãs para conseguir aceitar toda a gente." José Luís Peixoto resolveu o problema de outra forma e criou um segundo perfil. "Os meus amigos do Facebook são pessoas que lêem os meus livros", diz. "Na verdade não tenho 6 mil e tal. Só devo conhecer algumas centenas."
Algumas centenas não. 150 para sermos mais precisos. Segundo um estudo desenvolvido pelo antropólogo Robin Dunbar, professor da Universidade de Oxford, 150 é o número máximo de amizades que o cérebro é capaz de gerir. A teoria conhecida por "número de Dunbar", desenvolvida nos anos 90, defende que o tamanho do nosso neocórtex, a parte do cérebro usada para a interacção com os outros, nos limita a círculos sociais de 150 amigos. "Esse número pode ser flexível, mas ter mil amigos é impraticável", explicou ao i o neuropsicólogo Nélson Lima.
Diz-me quantos amigos tens, dir-te-ei quem és. A frase podia ser um lema da a capacidade humana de gerir amizades, mesmo virtuais. "Um extrovertido necessita de muitos contactos, que são uma boa fonte da sua energia psicológica para viver, enquanto um introvertido pode ser feliz com apenas vinte", diz Nélson Lima. "O que importa não é o número, mas sim a qualidade das relações e a disponibilidade que temos para as cultivar."
Para comprovar a teoria, faça o exercício: quantos amigos de Facebook são de facto seus verdadeiros amigos? "Na internet usa-se o termo 'amigo' para um membro de uma comunidade", diz o psicólogo. "É abusivo. São meros conhecidos, apenas relações virtuais."
No Jornal i de hoje a propósito das listas de amigos que crescem e crescem no facebook. Parece que afinal não conseguimos "ligar-nos" a mais de 150 pessoas.
Eu cá até me parece bem!
Ora leiam se tiverem para isso!
O publicitário Edson Athaíde atingiu na semana passada o limite de amigos no Facebook: 5 mil. "Já eliminei uns 300, mas mesmo assim o limite continua estourado. Vou começar a cortar nos perfis adormecidos", anunciou na sua página desta rede social. O humorista Fernando Alvim confessa nunca ter rejeitado ninguém no Facebook e já acumula mais de 16 mil fãs: "Pode ser um bocado pretensioso, mas criei uma página de fãs para conseguir aceitar toda a gente." José Luís Peixoto resolveu o problema de outra forma e criou um segundo perfil. "Os meus amigos do Facebook são pessoas que lêem os meus livros", diz. "Na verdade não tenho 6 mil e tal. Só devo conhecer algumas centenas."
Algumas centenas não. 150 para sermos mais precisos. Segundo um estudo desenvolvido pelo antropólogo Robin Dunbar, professor da Universidade de Oxford, 150 é o número máximo de amizades que o cérebro é capaz de gerir. A teoria conhecida por "número de Dunbar", desenvolvida nos anos 90, defende que o tamanho do nosso neocórtex, a parte do cérebro usada para a interacção com os outros, nos limita a círculos sociais de 150 amigos. "Esse número pode ser flexível, mas ter mil amigos é impraticável", explicou ao i o neuropsicólogo Nélson Lima.
Diz-me quantos amigos tens, dir-te-ei quem és. A frase podia ser um lema da a capacidade humana de gerir amizades, mesmo virtuais. "Um extrovertido necessita de muitos contactos, que são uma boa fonte da sua energia psicológica para viver, enquanto um introvertido pode ser feliz com apenas vinte", diz Nélson Lima. "O que importa não é o número, mas sim a qualidade das relações e a disponibilidade que temos para as cultivar."
Para comprovar a teoria, faça o exercício: quantos amigos de Facebook são de facto seus verdadeiros amigos? "Na internet usa-se o termo 'amigo' para um membro de uma comunidade", diz o psicólogo. "É abusivo. São meros conhecidos, apenas relações virtuais."
domingo, janeiro 17, 2010
Mãe...
- Mãe, quando crescer quero ser poeta!
- Está bem!
- Sabes porquê?
- Porquê?
- Porque os poetas vivem e depois as pessoas lembram-se deles. Eu escrevia livros que depois as pesooas iam ler. Depois de eu morrer.
- Ahhh!
-(...)
- O que é que vai haver na terra depois de nós?
- Mais pessoas.
- Não... eu não percebo! Primeiro houve os dinossauros, depois o Afonso Henriques, depois o Camões, depois o Fernando Pessoa, o que é que vai haver depois?
(S, aos 5 anos e 11 meses)
- Está bem!
- Sabes porquê?
- Porquê?
- Porque os poetas vivem e depois as pessoas lembram-se deles. Eu escrevia livros que depois as pesooas iam ler. Depois de eu morrer.
- Ahhh!
-(...)
- O que é que vai haver na terra depois de nós?
- Mais pessoas.
- Não... eu não percebo! Primeiro houve os dinossauros, depois o Afonso Henriques, depois o Camões, depois o Fernando Pessoa, o que é que vai haver depois?
(S, aos 5 anos e 11 meses)
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Viver e aprender
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Where the Wild Things Are
Oito frases. Menos de 350 palavras. Pouco mais de 1750 caracteres distribuídos por 48 páginas. Para escrever aquela que é considerada uma das obras-primas da literatura para crianças, Maurice Sendak precisou de um terço do texto que leitor vê neste artigo.
O segredo de "Onde Vivem Os Monstros" - porque só podia haver um - está nas 18 ilustrações, e na musicalidade, e até na forma como o texto aparece arrumado na página. Afinal, este não é um romance ou um livro de banda-desenhada; é sim um dos mais bem conseguidos álbuns de sempre, um género em que todos estes elementos concorrem para contar uma história - sem redundâncias, sublinha a coordenadora da pós-graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, Dora Batalim.
"Ele tem um domínio perfeito do que o texto e a palavra dizem. Pode escrever pouco e dizer muitas mais coisas", reforça a professora. Depois, cada palavra tem um peso. "É uma espécie de peça musical. Curtíssima, mas com notas exactas."
Sendak terá escrito o livro para ser lido em voz alta. "Ouvi-lo em inglês é fabuloso", assegura. E até a forma como as palavras estão distribuídas pelas páginas ajuda à leitura. A viagem do protagonista Max até à terra das Coisas Selvagens conta-se numa única frase; a mancha gráfica estende-se por 10 páginas.
Ainda hoje, passados quase 50 anos do lançamento da obra, o autor recorda um confronto com os editores. Todos queriam que trocasse a palavra "quente" por "morno", referindo-se ao jantar de Max. Sendak fez finca-pé. "Morno não queima a língua. Há qualquer coisa de perigoso na palavra 'quente'", justificou à revista "Newsweek". "'Quente' são os sarilhos em que nos podemos meter. Eu ganhei."
Polémica Lançado na década de 60, "Onde Vivem os Monstros" foi uma obra revolucionária, mas também muito controversa. Chegou a ser banida de várias bibliotecas. Em 1969, o psicólogo Bruno Bettelheim exortou aos pais: mantenham os vossos filhos longe desse livro, é perigoso (mais tarde, reconheceria que nunca o lera).
Max grita com a mãe, a mãe manda-o para o quarto sem jantar. Inédito no mundo da edição, demasiado familiar para Sendak, que crescera em Brooklin numa família de imigrantes judeus polacos, com uma mãe atormentada por problemas psicológicos.
Até então, os livros eram uma forma de as crianças aprenderem regras sociais, explica Dora Batalim. "Sendak achou que serviam para mostrar aquilo que a criança sente, pensa e é, com todas as suas ambiguidades", explica. "Se não há livros de histórias a falar disto então não servem para nada porque não falam da vida real."
Sozinho no quarto, Max projecta a raiva num mundo de fantasia povoado por monstros - os tios maternos vindos da velha Polónia, que, com dentes podres e pêlos no nariz, queriam sempre um beijinho, explicaria o autor. Sozinho, resolve os seus conflitos e não deixa que a fúria tome conta dele - ou que os monstros o comam. E regressa a casa de uma viagem de um ano a tempo de jantar.
(no jornal i - hoje)
terça-feira, janeiro 05, 2010
No baú de Sigmund Freud
O Baú De Sigmund Freud
Sérgio Godinho
A religião é uma maneira de explicar tudo
o surrealismo é uma maneira de não explicar nada
entre a prece e a charada
há-de haver uma outra estrada
que eu ainda hei-de
percorrer
(isto disse o doutor Freud )
Não nego que olhar pra dentro
não digo que olhar pró ego
não desmanche o fingimento
não faça ver quem é cego
Mas que trabalho, que canseira (não há maneira)
nos salões do inconsciente
há baús de tantas cores
tanto pó por sobre as dores
tanto dos nossos insides
que nos sai desnaturado
(...)
Mas é aí, no meio dos salões do inconsciente que eu me sinto em casa! E digo-vos - Não é canseira nenhuma! É uma aventura!
(imagem - viagem ao inconsciente de Jarbas Fabiano)
Sérgio Godinho
A religião é uma maneira de explicar tudo
o surrealismo é uma maneira de não explicar nada
entre a prece e a charada
há-de haver uma outra estrada

que eu ainda hei-de
percorrer
(isto disse o doutor Freud )
Não nego que olhar pra dentro
não digo que olhar pró ego
não desmanche o fingimento
não faça ver quem é cego
Mas que trabalho, que canseira (não há maneira)
nos salões do inconsciente
há baús de tantas cores
tanto pó por sobre as dores
tanto dos nossos insides
que nos sai desnaturado
(...)
Mas é aí, no meio dos salões do inconsciente que eu me sinto em casa! E digo-vos - Não é canseira nenhuma! É uma aventura!
(imagem - viagem ao inconsciente de Jarbas Fabiano)
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Sleeping Beauty-Maleficent Maléfica
Eu devo ter sido amaldiçoada com o "dom" da desarrumaçã....
É que não consigo ter tudo organizado!
E tu?
Qual foi o presente que a malevola te deixou?
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