sexta-feira, setembro 26, 2014

Skype

Carlos Farinha - SKYPE  2014
(porque este quadro exige em post!)

Amo-te!
Tão mais fácil escrever do que dizer.
Desde que estás longe repito-te esta palavra: amo-te, amo-te, meu amor, amorzinho.
Mas Amo-te!
Minha querida, pequenina, meu amor.

Mas escrever não me chega. Parece que nada me chega quando estás longe!
E caio na deliciosa tortura de te ver.
Um clic, um triiimmmm, e heis que apareces!
Quase posso tocar-te, adivinhar-te a textura da pele, dos lábios…
Nunca quis tanto os teus lábios
E oiço-te!
Às vezes confesso-te não atento ao que dizes. Deixo-me envolver pela tua voz, o teu riso, e os teus olhos que me parecem tão vivos, tão próximos! Enredo-me na tua melodia que me enfeitiça.

Tu estás longe e eu quero-te!
Quero-te meu amor, os teus lábios, os teus braços, o teu corpo.
Amo-te com um vidro de entremeio. Estranho e mágico que te traz perto e te reconhece longe.
Tortura porque no fim permaneço só! Um corpo inútil que não pode amar-te mas que te deseja meu amor!

Clic!
Triiimmmm!
Amo-te!

segunda-feira, setembro 22, 2014

Não gosto!

Não há coisa para mim menos cativante do que um rosto estampado na capa de um livro.
Sinto-me roubada, enganada, destituida do meu potencial envolvimento com uma história.

Um livro é feito a meias (vá… as metades não serão exactamente iguais!). O escritor oferece-nos um enredo, contextos, timings, traços de personagens E o leitor, projecta-se naquilo que lê. Empresta ao livro cenários, rostos, cheiros, sabores, e assim torna o livro seu.

Não precisamos de imagens a corromperem o nosso potencial criativo!
Precisamos apenas que nos abram as portas de outros mundos e que nos deixem ser cúmplices na sua co-criação. 

Tenho dito!

Este é um livro a que eu consegui ainda tirar a segunda capa (que faz alusão ao filme), e ficar-me com a original.






PS - Proibido ver um filme antes de ler o livro!

quarta-feira, setembro 17, 2014

Podemos mudar o mundo

...ou uma viagem ao que se passa num consultório psi...


VLADIMIR KUSH

Quem me dera poder transmitir-te a magia...
Uma magia que nasce por dentro quando numa centelha de tempo nos apercebemos que podemos mudar o mundo.
Não, não é do Mundo que falo, é do meu mundo (e tu estás nele!).
É uma certeza fugaz! Intensa e fugidia! Mas nesses breves momentos em que imagino que posso ser diferente, o mundo como que se desenha de outra forma.
E tu... Seria tão mais fácil falar contigo!
Sabes como consegui?
Sonhar-me diferente?
Foi entre 4 paredes, porque me consegui mostrar, reencontrar, redescobrir, a uma pessoa que ao mesmo tempo me é tão estranha/desconhecida, como próxima, atenta e carinhosa.
Sim, tive medo! Mas descobri que ali há espaço para uma nova linguagem. Novas palavras, novos afetos. Ali perdi o medo, de me olhar a mim própria com verdade - porque não estava sozinha.
Se eu pudesse falar-te... Mas não sei ainda as palavras certas!
Como foi importante poder ser aquilo que genuinamente sou dentro daquelas 4 paredes. Sabes, é que ela não esperava nada de mim! Não contava com o velho "eu" tão carregado pela expectativa do outro, por relações viciadas, pelo "já sei que tu és assim!"
Ela nunca me viu na rua, nunca me viu com os meus amigos, não conhece os meus pais. Não conhece o meu olhar alheado quando preciso de desligar, nem o riso forçado para não me sentir excluída. Nem tão pouco a minha expressão de menina quando me recolho no teu abraço. Mas consegue ver-me!
Não sei explicar-te!
Aguenta-me na minha verdade!
E acredita que sou capaz!

A minha frustração… é não poder levar-te comigo. Não conseguir que cresças comigo.
Queria que percebesses a magia!


quarta-feira, setembro 03, 2014

Não sei escrever

Hoje queria saber escrever!
Eu explico.
Queria saber encontrar as palavras certas, que traduzissem claramente o que sinto e que servissem de depositário.
Que através delas me livrasse da intensidade e que com esse maior distanciamento me permitisse pensar e agir. (Mas só consigo falar da impotência de não conseguir fazê-lo.)
A escrita como elemento catártico só por si….
Seria fantástico!

Mas sou completamente ordinária aí.
Vou ter de ser paciente comigo.
Tolerar o "desarranjo"

(são angústias que vêm com a maternidade… hoje é mais um dia destes!)