| Foto da Boop - Av Marginal |
Momentos havia em que a natureza se impunha, forte, impetuosa, alheia às considerações humanas, aos seus desejos e projectos. Às vezes mágica e encantadora, outras tirana e disruptiva, sempre magnânime.
Era nessas alturas que involuntariamente se sentia esmagada por um mundo tão para além dela própria. Um mundo indiferente ao livre arbítrio, às leis, à moral, a toda e qualquer produção política, filosófica, metafísica. Um mundo que não precisa ser explicado nem entendido, seja porque ciência for. Sem deus nem rei.
Esmagada e simultaneamente liberta.
A sua pequenez relativiza todo o impacto que possa ter no outro, no mundo. Nada é! E uma leveza inunda-a. Desresponsabilizada de todo e qualquer acto. É indiferente o que faça ou não. Não é necessária, o mundo avançará sem ela, indiferente às suas escolhas, às suas prevaricações, aos seus erros, às suas ousadias, às suas angústias. Nada é!
E ali, naqueles momentos efêmeros, esquece-se até de ser capaz de produzir tais pensamentos. Recua a um tempo de inocência em que o maravilhamento é possível.
(Há pessoas com quem se cruza que têm essa capacidade, de sem saber porquê, fazer com que se sinta de novo menina, capaz de confiar, de se entregar, de "ser verdade", de reencontrar inocência - saberão elas quão raras são?)
(Há pessoas com quem se cruza que têm essa capacidade, de sem saber porquê, fazer com que se sinta de novo menina, capaz de confiar, de se entregar, de "ser verdade", de reencontrar inocência - saberão elas quão raras são?)
