A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,
nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)
Ana Luísa Amaral
_________________
O meu desejo para 2020?
Que seja prenhe deste (bom) sentido de “para a vida inteira”.
terça-feira, dezembro 31, 2019
sábado, dezembro 28, 2019
30+1/30 A Minha Verdadeira História
Gostei muito!
Tem trechos fantásticos, que giram à volta da tentativa de entender/nomear/reformular uma relação pai-filho desde sempre distante e insatisfatória (para ambos).
E da culpa!
A culpa que se entranhou por baixo da pele e passa a ser traço identitário.
(E que bom ler Madrid em Madrid!)
A sinopse:
Um romance no mais puro estilo Millás: surpreendente, inquietante, original, brilhante.
O narrador de A Minha Verdadeira História é um adolescente de doze anos como outro qualquer, com os seus medos, inseguranças e desejos de novas experiências.
Um dia ao regressar à escola, atira um berlinde de uma ponte e origina um acidente de viação que acaba com a vida de uma família. Só se salva Irene, uma rapariga da sua idade, que fica paralisada.
A partir desse momento, a culpa apodera-se da sua mente e o protagonista encontra neste ato criminoso (transformado no seu grande segredo) e na sua obsessão e no seu amor por Irene a única saída de um ambiente familiar que se desmorona com o divórcio dos pais.
Com o seu peculiar estilo e humor muito pessoais, Juan José Millás apresenta neste romance um retrato dos anos da adolescência, uma altura de mudanças até à idade adulta. Entre a ousadia e a fragilidade, o narrador conta tudo aquilo que não se atreveu a confessar até agora.
O narrador de A Minha Verdadeira História é um adolescente de doze anos como outro qualquer, com os seus medos, inseguranças e desejos de novas experiências.
Um dia ao regressar à escola, atira um berlinde de uma ponte e origina um acidente de viação que acaba com a vida de uma família. Só se salva Irene, uma rapariga da sua idade, que fica paralisada.
A partir desse momento, a culpa apodera-se da sua mente e o protagonista encontra neste ato criminoso (transformado no seu grande segredo) e na sua obsessão e no seu amor por Irene a única saída de um ambiente familiar que se desmorona com o divórcio dos pais.
Com o seu peculiar estilo e humor muito pessoais, Juan José Millás apresenta neste romance um retrato dos anos da adolescência, uma altura de mudanças até à idade adulta. Entre a ousadia e a fragilidade, o narrador conta tudo aquilo que não se atreveu a confessar até agora.
sexta-feira, dezembro 27, 2019
30/30 As Moscas de Outono
Dizem que Irène Némirovsky foi apontada como a sucessora de Dostoiévski....
Este livro não mostra isso. Mas dando-lhe o benefício da dúvida digo-vos que foi escrito no início dos seus 20 anos.
Trata da queda de uma família Russa.
A história contada pelos olhos de uma mulher que serviu durante gerações uma família nobre e assiste à forma como a revolução russa vai retirando a luz, o brio, a identidade, a vida, dos vários elementos.
Foi muito interessante ler este livro próximo do “Paris é uma festa” de Hemingway.
A mesma época e vivências tão diferentes da mesma cidade.
_____________
Desafio de leitura para este ano atingido - 30 livros! - o que não é nada comparado com alguns amigos meus....
quinta-feira, dezembro 26, 2019
Óculos de leitura
![]() |
| Este pobre coitado foi sacado da Net para dar visibilidade às minhas reivindicações |
Que é construída com todas as suas experiências, pessoais, de relação, do que aconteceu a amigos e conhecidos, do meio em que cresceu, do nível sócio-económico, do estado de espírito, etc, etc, etc...
Um sem número de factores fazem com que cada pessoa faça uma leitura da realidade ligeiramente deturpada.
Acho mesmo que não há factos!
Há leituras!
E isto aplica-se a tudo!
(estão no pleno direito de discordar!)
Ora isto a propósito de um role de elogios rasgados, quase em jeito de beatificação - estilo "é um anjo" - tecidos estes últimos dias a um cirurgião pediátrico que viajou na noite de Natal de Falcon até aos Açores para salvar a vida de um bebé. Que deixou o lar e a família e blá, blá, blá...
Então e a tripulação do Falcon?
Os militares de serviço no aeroporto?
A equipa de urgência no hospital local?
Os paramédicos?
Os outros médicos todos que estiveram de urgência nesta e em tantas outras noites de Natal, passagem de ano, aniversários, dias de mortes de familiares,...?
Os policias?
Os seguranças?
Os operadores das linhas telefónicas?
O pessoal nos hoteis?
.....
.....
Aqui não há herois!
Há escolhas profissionais
E às vezes até apenas contingências!
Este fez o seu trabalho, que é louvável certamente, mas foi isso - um bom profissional!
Será que já chegamos à época em que ser bom profissional equivale a merecer uma medalha?!?!?
Não é essa a obrigação de todos nós?!
Fazer o melhor que está ao nosso alcance?
Ora bolas!
_________
Pronto - estes são os meus óculos!
terça-feira, dezembro 24, 2019
sexta-feira, dezembro 20, 2019
Azáfama Natalícia
Ora hoje, aproveitando um momento de apaziguamento da Elsa, resolvi sair para tratar das prendas de Natal - com a missão de não ficar a faltar nenhuma!!!! (talvez tenha conseguido... pelo menos até dar pela falta de alguém/alguma)
Armada em Pai Natal dos tempos modernos consegui não gastar mais dinheiro do que aquilo que queria e fi-lo em grande estilo!
:)
Enfiada num templo do consumismo entre as 11h30 e as 16h30 tive tempo para tudo!
E depois voltar para o "lugar do costume" - o conforto do meu consultório! Porque afinal hoje é dia de trabalho!
:)
Armada em Pai Natal dos tempos modernos consegui não gastar mais dinheiro do que aquilo que queria e fi-lo em grande estilo!
:)
Enfiada num templo do consumismo entre as 11h30 e as 16h30 tive tempo para tudo!- prendas para família e amigos - as do Mr Boop e dos meninos Boop já estavam despachadas... para eles é sempre fácil encontrar coisas.
- Suportar filas para as casas de banho.
- Fast Food para almoço (adoro as massarocas de milho do KFC).
- Fazer publicações no FB enquanto esperava nas filas .
- Descobrir que hoje faz 90 anos o António Coimbra de Matos um professor/amigo/mestre/supervisor cuja vida deve e merece ser celebrada!
- Abrir um mail e sentir o coração acelerar e depois descobrir que afinal não era nada...
- Conseguir não correr ninguém a chocolates e afins.
- Receber a noticia de que o meu trabalho foi aceite num congresso internacional (havia 50% de possibilidades de tal acontecer - 100 propostas apresentadas e espaço para 50 trabalhos), e ficar mesmo feliz!
- Ver coisas que poderia muito bem oferecer a pessoas que a quem não darei naturalmente prenda - alguns de vocês até 😍! (é giro como "amigos virtuais" passam a fazer parte da grande palete de personagens da nossa vida)
- Perder-me nas livrarias - e acabar por comprar um livro também para mim (que irá obviamente para debaixo da árvore com os outros presentes!).
- Redescobrir livros infantis que os meus filhos adoraram (e comprar alguns deles para oferecer).
E depois voltar para o "lugar do costume" - o conforto do meu consultório! Porque afinal hoje é dia de trabalho!:)
Saldo positivo!
quinta-feira, dezembro 19, 2019
quarta-feira, dezembro 18, 2019
terça-feira, dezembro 17, 2019
domingo, dezembro 15, 2019
Ora bolas...
... o Natal está aí à porta!!!
E se a roupa que tenho vestida correspondesse aos preparativos que já tenho feitos acho que teria menos roupa que esta menina ....
Talvez esteja na altura de me começar a ocupar das festividades....
E se a roupa que tenho vestida correspondesse aos preparativos que já tenho feitos acho que teria menos roupa que esta menina ....
Talvez esteja na altura de me começar a ocupar das festividades....
quinta-feira, dezembro 12, 2019
29/30 Serpe - As três águas do encanto
As ilustrações foram feitas pelo Rodrigo Mota, quem fez as ilustrações do meu livro, e foi apresentado na feira no mesmo dia que o meu.
Fui ao livro pelo ilustrador, não sabia bem ao que ia.
É um mergulho no mundo feminino
Dividido em 3 capítulos aborda os três sangramentos da mulher. A menarca, a primeira relação sexual, e o ter um filho.
Em jeito de poema cantado as frases aparentam um registo onírico, e como é natural dos sonhos algo fragmentado. Um discorrer em associação livre, algo caótico - como se o fio condutor pertencesse unicamente a quem sonha e para sempre inacessível na sua verdadeira essência a quem corre atras das palavras - o leitor.
As ilustrações espelham isto mesmo - captam os elementos soltos tentando segura-los no papel nessa outra linguagem que é o desenho.
Eu só consegui verdadeiramente mergulhar na primeira parte do livro. Consegui lê-lo na minha própria voz, ao meu ritmo. A minha cadência é diferente da da autora (que ouvi ler na apresentação do livro). Terei emprestado ao texto uma velocidade mais lenta, um ritmo mais sereno, e por isso pude encontrar ali parte da minha história - e enquanto consegui fazer isso gostei muito de ler.
Mas os femininos são múltiplos... e não me revi nas outras duas partes.
E fiquei a pensar:
lustrar este livro deve ter sido um desafio e peras!
quarta-feira, dezembro 11, 2019
Há despedidas dificeis
Morreste.
Diria "Morreste-me" se essa expressão não tivesse sido usurpada pelo José Luís Peixoto, e não quero usar as palavras de ninguém.
Nunca o tinha tratado por "Tu" Professor.
Lembra-se que quando tinha eu vinte e poucos anos, começou a tratar-me por "Tu", e como isso foi estranho para mim, preferi o "você", mesmo sendo da idade da sua filha mais velha, e por isso para si o "tu" lhe sair naturalmente.
Estou presa a pormenores...
Falava com alguém nestes dias sobre como se multiplicavam por aí testemunhos (este é talvez mais um deles) em que para além de se dizer "O Professor era ...." se tentava mostrar que também quem escreve terá tido um lugar dentro de si "Ele também gostava de mim!" - parece ser o desejo toscamente revelado por de trás de cada homenagem. - Sim, professor, também fiz a minha tosca homenagem.
Foi com uma ambivalência enorme que participei nas cerimónias fúnebres, porque o sentia tão perto e ao mesmo tempo prevalecia uma impressão que o que aprendi consigo, o que descobri de mim própria, o que cresci, não pertence ao mundo, estranho este conceito... é da esfera do interno e do impartilhavel.
Ajudou-me a certeza de que quereria que lá estivéssemos todos! Os filhos de sangue (que tiveram de ouvir vezes de mais "o seu pai foi muito importante para mim" - como se a sua própria dor não gritasse muito mais alto do que a dessas vozes). E todos os "outros filhos", que cresceram e aprenderam consigo, e que partilharam o encanto deste mundo outro que é a psicanálise.
Sei que ficaria zangado, enfurecido até, se o tivessem deixado, e não tivéssemos aparecido. Isso deixa-me mais tranquila.
Vou contar-lhe: O A.G. levou uma garrafa de bom Whisky para o velório! Bebemos a si! Rimos! Contámos histórias! Ficámos juntos na rua depois de sairmos de ao pé de si. Sei que gostou de saber esta parte!
Mas também chorámos! E cada "irmão" que chegava era recebido com um abraço longo e apertado, e a pergunta: "Como é que tu estás?" - feita com genuíno interesse de olhos nos olhos, como se quiséssemos garantir que o outro suportava a perda. de que nada se estragava, de que permanecia intacto, forte, e eterno dentro do outro. Vai ser assim que o manteremos vivo (nós que não somos os filhos de carne e sangue), trabalhando nos seus livros, transmitindo o que ensinou, e sendo bons terapeutas e psicanalistas.
Lembro-me de uma conversa tão importante para mim nessa altura dos vinte anos, disse-me o professor qualquer coisa como: Os bons terapeutas não são aqueles que sabem muita teoria e conseguem citar livros de cor (mesmo que o professor fizesse isso brilhantemente!), são antes aqueles que no decorrer do seu próprio processo terapêutico mais foram capazes de crescer e de se transformar, são esses que acreditam realmente no processo, que o viveram e o vão conseguir promover.
Como responder à pergunta "Como é que tu estás?"
Estou serena.
Estou triste.
Estou com uma saudade miudinha permanente dentro de mim
Estou feliz por ter ido falar consigo ainda há poucas semanas - não falávamos há tanto tempo!
Comovo-me cada vez que alguém comigo se comove.
Estou orfã, porque nunca mais poderei pedir-lhe um bocadinho para falar consigo.
Estou crescida e capaz de sobreviver muito bem sem si.
Estou carente, e exigente com as pessoas que gosto, porque as quero perto.
...
Estou eu!
(E acredite que o professor era quem melhor saberia o que eu quero dizer com "Estou eu!")
Mas a si quero dizer-lhe que estou bem!
Diria "Morreste-me" se essa expressão não tivesse sido usurpada pelo José Luís Peixoto, e não quero usar as palavras de ninguém.
Nunca o tinha tratado por "Tu" Professor.
Lembra-se que quando tinha eu vinte e poucos anos, começou a tratar-me por "Tu", e como isso foi estranho para mim, preferi o "você", mesmo sendo da idade da sua filha mais velha, e por isso para si o "tu" lhe sair naturalmente.
Estou presa a pormenores...
Falava com alguém nestes dias sobre como se multiplicavam por aí testemunhos (este é talvez mais um deles) em que para além de se dizer "O Professor era ...." se tentava mostrar que também quem escreve terá tido um lugar dentro de si "Ele também gostava de mim!" - parece ser o desejo toscamente revelado por de trás de cada homenagem. - Sim, professor, também fiz a minha tosca homenagem.
Foi com uma ambivalência enorme que participei nas cerimónias fúnebres, porque o sentia tão perto e ao mesmo tempo prevalecia uma impressão que o que aprendi consigo, o que descobri de mim própria, o que cresci, não pertence ao mundo, estranho este conceito... é da esfera do interno e do impartilhavel.
Ajudou-me a certeza de que quereria que lá estivéssemos todos! Os filhos de sangue (que tiveram de ouvir vezes de mais "o seu pai foi muito importante para mim" - como se a sua própria dor não gritasse muito mais alto do que a dessas vozes). E todos os "outros filhos", que cresceram e aprenderam consigo, e que partilharam o encanto deste mundo outro que é a psicanálise.
Sei que ficaria zangado, enfurecido até, se o tivessem deixado, e não tivéssemos aparecido. Isso deixa-me mais tranquila.
Vou contar-lhe: O A.G. levou uma garrafa de bom Whisky para o velório! Bebemos a si! Rimos! Contámos histórias! Ficámos juntos na rua depois de sairmos de ao pé de si. Sei que gostou de saber esta parte!
Mas também chorámos! E cada "irmão" que chegava era recebido com um abraço longo e apertado, e a pergunta: "Como é que tu estás?" - feita com genuíno interesse de olhos nos olhos, como se quiséssemos garantir que o outro suportava a perda. de que nada se estragava, de que permanecia intacto, forte, e eterno dentro do outro. Vai ser assim que o manteremos vivo (nós que não somos os filhos de carne e sangue), trabalhando nos seus livros, transmitindo o que ensinou, e sendo bons terapeutas e psicanalistas.
Lembro-me de uma conversa tão importante para mim nessa altura dos vinte anos, disse-me o professor qualquer coisa como: Os bons terapeutas não são aqueles que sabem muita teoria e conseguem citar livros de cor (mesmo que o professor fizesse isso brilhantemente!), são antes aqueles que no decorrer do seu próprio processo terapêutico mais foram capazes de crescer e de se transformar, são esses que acreditam realmente no processo, que o viveram e o vão conseguir promover.
Como responder à pergunta "Como é que tu estás?"
Estou serena.
Estou triste.
Estou com uma saudade miudinha permanente dentro de mim
Estou feliz por ter ido falar consigo ainda há poucas semanas - não falávamos há tanto tempo!
Comovo-me cada vez que alguém comigo se comove.
Estou orfã, porque nunca mais poderei pedir-lhe um bocadinho para falar consigo.
Estou crescida e capaz de sobreviver muito bem sem si.
Estou carente, e exigente com as pessoas que gosto, porque as quero perto.
...
Estou eu!
(E acredite que o professor era quem melhor saberia o que eu quero dizer com "Estou eu!")
Mas a si quero dizer-lhe que estou bem!
terça-feira, dezembro 10, 2019
28/30 Paris é uma festa
(post para manter a contabilidade!)
Há muito tempo não lia Hemingway.
Nunca me encantei pela escrita dele, mas pareceu-me uma muito boa sugestão para ler em Paris.
E foi mesmo.
O livro é quase um roteiro, falando das ruas, dos bairros, dos jardins, dos cafés. É um mergulho na cidade.
____________________
Deixo-vos a lista dos livros que me sugerirem para ler em Paris (sim, fiz um pedido de recomendações na minha página de FaceBook):
"Paris nuca se acaba" - Enrique Vila-Matas
"Cavalo de Fogo Paris" - Florencia Bonelli (um romance cor-de-rosa?)
"O livreiro de Paris" - Nina George
"Conto das Duas Cidades" - Charles Dickens
"Vou-me embora" - Jean Echenoz
"Henry & June" - Anais Nin
E também houve quem recomendasse filmes:
"O último tango em Paris"
"Antes do anoitecer"
e...
"As aventuras de Ladybug" ! - ahahahah
sexta-feira, dezembro 06, 2019
Crónicas de Paris 6
Livraria Shakespeare and Company
Vale a pena saber mais sobre a livraria Shakespeare & Coo - Link
Um espaço Parisiense de amor à literatura e à liberdade, onde se reuniram muitos dos nomes da literatura anglo-saxónica radicados em Paris no inicio/meio do sec XX
Hoje é um espaço muito turístico mas que mesmo assim vale a pena visitar!
Passei lá uns bons 45 min
Saí de lá com um livro :)
(porque volta e meia gosto de um romance em língua inglesa)
...e o melhor:
Parei num café para um chocolate quente, peguei no livro que tinha levado - Paris é uma festa de Ernest Hemingway - passo a folha e que capitulo começa?
"Shakespeare & company"
foi tão bom!!!!
:)
Um espaço Parisiense de amor à literatura e à liberdade, onde se reuniram muitos dos nomes da literatura anglo-saxónica radicados em Paris no inicio/meio do sec XX
Hoje é um espaço muito turístico mas que mesmo assim vale a pena visitar!
Passei lá uns bons 45 min
Saí de lá com um livro :)
(porque volta e meia gosto de um romance em língua inglesa)
...e o melhor:
Parei num café para um chocolate quente, peguei no livro que tinha levado - Paris é uma festa de Ernest Hemingway - passo a folha e que capitulo começa?
"Shakespeare & company"
foi tão bom!!!!
:)
Crónica de Paris 5
Moulin RougeVamos lá então a tecer algumas considerações...
Fui para este espectáculo sem grandes expectativas. Quase como se fosse ver a dança típica do Nova Zelândia, ou da Papua-NovaGuiné.
Uma espécie de folclore, de produto caducado mas que continua a render por ser vendido a turistas.
Primeira questão incontornável - AS MAMAS!
À mostra 90% do espectáculo.
(sem mamas haveria espectáculo na mesma mas não seria Moulin Rouge).
São quase todas iguais - e bonitas claro!
Nem muito grandes, nem muito pequenas (a selecção deve ser rigorosa!), e confesso que os corpos tão bem desenhados suscitam alguma inveja. Claro que havia bailarinas mais bonitas do que outras, e a colocação em palco reflectia isso, mas as mamas - todas perfeitas!
Há bailarinos em palco mas vestidos integralmente! - um desperdício! Mas devemos estar numa das salas de espectáculos mais machistas de Paris.
Os números que gostei mais foram o Can-Can e o Boogie-Woogie, curiosamente em que não havia maminhas ao léu.
E tenho de vos dar esta informação... - estivemos a fazer contas....
A sala tem 800 lugares (nós compramos o bilhete com uma semana de antecedência e já só conseguimos no ultimo horário, e a sala estava cheia - a meio de Novembro...)
Com 3 espectáculos diários
Uma média de 300.000€ por dia
2.100.000€ por semana
109.200.000€ ano
Pronto... Era só....
quinta-feira, dezembro 05, 2019
Crónicas de Paris 4
Greco no Grand Palais
1º - Nunca tinha entrado no Grand Palais - é lindo! Só por si valeria uma visita!
Bem...
A Exposição
El Greco nunca foi para mim uma referência...
Ou melhor - é uma referência, tenho bem presente o seu estilo, mas nunca me agradou particularmente.
Mas... estando reunidas várias obras importantes deste figurão do século XVI achei que seria um desperdício não aproveitar.
E abri a minha mente à possibilidade de me encantar vendo qualquer coisa que até então não tinha visto e lá fui!
Geralmente resulta!
Gostei bastante da exposição.
Naquele ritmo que gosto de quem se pode demorar o que quiser (muito ou pouco) por não ter quem acompanhe, consegui encantar-me com pormenores deliciosos.
Acho mesmo fantástico, por exemplo, observar um quadro, perceber as pinceladas, e como um fio finíssimo branco empresta uma luz extraordinária a um mundo escuro. E revisitar os olhos grandes, os rostos longilíneos, etc...
Mais uma que valeu muito a pena!
1º - Nunca tinha entrado no Grand Palais - é lindo! Só por si valeria uma visita!
Bem...
A Exposição
El Greco nunca foi para mim uma referência...
Ou melhor - é uma referência, tenho bem presente o seu estilo, mas nunca me agradou particularmente.
Mas... estando reunidas várias obras importantes deste figurão do século XVI achei que seria um desperdício não aproveitar.
E abri a minha mente à possibilidade de me encantar vendo qualquer coisa que até então não tinha visto e lá fui!
Geralmente resulta!
Gostei bastante da exposição.
Naquele ritmo que gosto de quem se pode demorar o que quiser (muito ou pouco) por não ter quem acompanhe, consegui encantar-me com pormenores deliciosos.
Acho mesmo fantástico, por exemplo, observar um quadro, perceber as pinceladas, e como um fio finíssimo branco empresta uma luz extraordinária a um mundo escuro. E revisitar os olhos grandes, os rostos longilíneos, etc...
Mais uma que valeu muito a pena!
| O Grand Palais |
| Obras de Greco |
| O Petit Palais (ali mesmo em frente!) |
quarta-feira, dezembro 04, 2019
Crónicas de Paris 3
Arte na rua
Paris, como qualquer grande cidade, tem muitas formas de expressão.
Como vos disse andei a pé, pelos bairros mais nobres, mas também pelos outros.
Há muitos grafites também eles muito diferentes em qualidade e linguagem.
Há aqueles encomendados, feitos com tempo, e provavelmente pagos. Há aqueles desenhados à socapa com mensagens mais pessoais/sociais. E há também os outros que (a meu ver, claro) são puro exercício de afirmação, de quem luta por um lugar numa cidade que os exclui, muitas vezes agressivos e provocadores - fotografei muito poucos destes últimos.
Por estes dias a cidade está também repleta de mensagens coladas nas paredes que alertam e denunciam a violência exercida contra as mulheres. A cada esquina, quando menos se espera, há uma frase composta por letras em folhas A4, que não podemos deixar de ler.
É assim - uma cidade viva!
terça-feira, dezembro 03, 2019
Crónica de Paris 2
Leonardo Da Vinci
| São João Baptista - (entre) 1508-1519 |
Sobre a exposição alguém escreveu:
"A maior exposição dedicada a Leonardo da Vinci está patente, no Museu do Louvre, em Paris. São 162 obras reunidas num só espaço para assinalar os 500 anos da morte do génio do Renascimento.
A retrospetiva tem pinturas, desenhos, manuscritos, esculturas e outros objetos do mestre italiano, que foram reunidos ao longo de dez anos, num trabalho de pesquisa que exigiu pedidos de empréstimo em todo o mundo. Vai encontrar por lá 11 dos 20 quadros atribuídos a Leonardo da Vinci. Entre eles, “Santa Ana”, “São João Batista” e a “Virgem Benois”, emprestados pelo Museu Hermitage de São Petersburgo, na Rússia.
Até a rainha Isabel II permitiu que 24 desenhos que estão na posse da coroa britânica fossem enviados para Paris para serem expostos temporariamente no Louvre. O British Museum, em Londres, e o Vaticano, em Itália, também emprestaram algumas obras.
Depois de muita negociação, Itália aceitou emprestar o famoso “Homem Vitruviano”, obra exibida na Galeria da Academia de Veneza (Itália), mas que vai mudar-se para o Louvre durante dois meses."
Para mim foi verdadeiramente... maravilhoso!
(que dificuldade em escolher o adjectivo)
O que mais gostei foi de ter acesso ao trabalho, ao processo de construção, e vislumbrar (apenas assim um bocadinho muito pequenino) o como um génio trabalha.
Ou seja o que gostei mesmo foi de ver os esboços. Os estudos. Os cadernos onde anotava e explanava as suas ideias. Os seus estudos sobre TUDO!. Botânica. Mecânica. Anatomia. Astronomia. Matemática. (...)
Alguns eram apenas um papel recortado.
(que dificuldade em escolher o adjectivo)
O que mais gostei foi de ter acesso ao trabalho, ao processo de construção, e vislumbrar (apenas assim um bocadinho muito pequenino) o como um génio trabalha.
Ou seja o que gostei mesmo foi de ver os esboços. Os estudos. Os cadernos onde anotava e explanava as suas ideias. Os seus estudos sobre TUDO!. Botânica. Mecânica. Anatomia. Astronomia. Matemática. (...)
Alguns eram apenas um papel recortado.
A letra desenhada
As linhas todas milimetricamente escritas na sua caligrafia desenhada.
É que aquilo é mesmo "The real stuff"!!!!!
É que aquilo é mesmo "The real stuff"!!!!!
Demorei-me o que pude frente a cada uma das peças da exposição.
Como imaginam a sala estava cheia, de gente como eu que se demorava frente a cada pedacinho de papel.
Como imaginam a sala estava cheia, de gente como eu que se demorava frente a cada pedacinho de papel.
As visitas são previamente reservadas on-line. o bilhete permite entrar num intervalo de 30 min. O nosso era para as 9h (podiamos portanto entrar até às 9h30). Saímos de lá por volta das 11h.
Se tiveram oportunidade (ou a oportunidade de criar a oportunidade) VÂO!!!!
segunda-feira, dezembro 02, 2019
Crónicas de Paris 1
| Sacré Coeur |
O Mr Boop foi a um encontro dos MSF (Médicos Sem Fronteiras) e eu aproveitei a oportunidade e fui com ele!
Grande parte dos passeios fi-los sozinha.
Gosto muito de andar ao meu ritmo e escolher sem grandes programações o meu destino.
E Paris é uma cidade fantástica para se andar a pé!
Calcorrear Km!
A primeira manhã foi preenchida (deslumbrantemente preenchida) com a exposição no Louvre a propósito dos 500 anos da sua morte de Leonardo Da Vinci (crónica de Paris 2)
Tinha planeado passar o resto do dia no Louvre mas... os funcionários estavam em greve e por isso as visitas interditas...
| Vista da cúpula Sacré Coeur |
| Vista Montmartre |
Pus-me a caminho e subi até Montmartre.
Mais do que visitar o Sacré Coure apetecia-me andar pelas ruas vibrantes dos artistas da cidade, esta é uma Paris mais "próxima", menos monumental, mais humana, cheia de pequenos pormenores a cada virar da esquina (sobre a arte da rua falarei numa Crónica de Paris 3)
Foi galgar degrau atrás de degrau.
Tinha optado por não ir de transportes e não seria agora que ia dizer não a uma escadaria de uns meros 250 degraus!!!
Subi!
E quando lá cheguei vi que tinham aberto o acesso à cúpula, que oferece uma visita panorâmica de 360º sobre Paris.
Pois claro que subi!
Mais 300 degraus!
Valeu a pena!
Já tinha gasto todas a calorias que iria consumir no fim de semana inteiro!
| Descendo Montmartre |
Depois foi descer tranquilamente, entre ateliers, artista de rua e galerias.
Que bem que me soube.
Decidi voltar para o Hotel de Metro.
É espantoso como nos adaptamos rapidamente à rede de metro da cidade que visitamos! Eu que há anos não ando de metro em Lisboa!
Tirar as botas.
Dormir 45 min
E sair para jantar.
| Centro Pompidou |
Apenas uma visita marcada para uma exposição do Greco no Grand Palais (Crónica de Paris 4), e o espectáculo do Moulin Rouge no fim da noite (Crónica de Paris 5).
Saí do hotel sem destino
Havia duas coisas que queria ver, mas que requeriam marcação prévia... pelos vistos não planeei o suficiente. A exposição imersiva "La nuit étoilée" - o Van Gogh no Atelier des Lumière. E uma exposição temporária de Bacon no Centro Pompidou.
Ainda tentei esta última mesmo sabendo que não podia sem bilhete... pois - não consgui!
| Notre Dame |
Esta cidade é mesmo bonita!
Mesmo com o frio que estava, e um chuvisco aqui e ali!
(Até porque volta e meia entrava num café e aquecia com um bom chocolat!)
| Livraria Shakespear &Coo |
Dei por mim a ver uma exposição temporária "De L'Amour", que era assim meio interactiva, misturando poesia e prosa, com dados estatísticos, música, psicanálise e jogos para serem jogados em casal (não o meu caso na altura). Dei o dinheiro por mal gasto na verdade.
Mas ao menos não estive ao frio!
Mais uma vez decidi voltar de metro para o hotel
Descansar
| Ao longo do Sena |
Gostava de uma dia ficar hospedada por aqui, mas os hotéis terão uma tarifa proibitiva, diria eu... Mas num regresso a Paris vou estudar essa possibilidade!
| Moulin Rouge |
Passeámos!
Não comprámos!
Voltarei com os pormenores nas crónicas que se seguirão!
:)
Subscrever:
Comentários (Atom)











