sexta-feira, abril 29, 2016

Zé Carlos - Taxista baleou cliente





Lembrei-me hoje… vá-se lá saber porquê….

Cansaço



Há nestes dias um cansaço grande.
Um desejo de uma noite longa.
De um acordar tardio.
(que não sei quando virão)

…mas por enquanto ainda com a capacidade de encontrar poesia nas pequenas coisas...

terça-feira, abril 26, 2016

Acabem com as discussões!

E agora que já resolvemos isto voltem lá às vossas vidas!


sábado, abril 23, 2016

Os lugares a que pertenço

Hoje está lua cheia.
Senta-se numa cadeira cá fora e perde-se em pensamentos soltos enquanto olha o vale sob esta luz algo mágica, que o transporta algures para dentro de si próprio. 
Não sabe definir ao certo se o que o assalta é calma, cansaço, nostalgia, serenidade, ou será um toque de tristeza? Na verdade não lhe interessa nada definir seja o que for. 
É de alguma forma doce o que sente, e isso chega-lhe!

Há alturas em que a solidão o assalta, não é a conversa que lhe falta, são exactamente os silêncios partilhados, o demorar-se à janela dos olhos de alguém, o toque de um corpo quente, mas são raros esses dias. Volta e meia dá consigo, nos dias intensos no reboliço da cidade, a querer voltar para este seu reduto, de um silêncio escolhido, de uma paz genuína.
Hoje, sabe-se acompanhado, mesmo que sozinho com a imensidão da noite. 
É uma certeza tranquilizadora:
"As pessoas, na verdade, são os verdadeiros lugares a que pertenço"
Que coisa ambivalente esta, onde se misturam o desejo de solidão, e a certeza inequívoca que só se existe quando se mora dentro de alguem(s).

Ouve-se uma coruja ali bem perto.
Leva a mão ao lábio superior para afastar os pelos do seu bigode.
"Tenho de aparar o bigode amanhã!"
É como se mudasse repentinamente a melodia. 
Levanta-se devagar, mas decidido. 
Está na hora de dormir.




(...)
Entra a primeira luz da manhã por ele a dentro. 
Mesmo de olhos fechados, pressente o dia que acorda, como se as pálpebras falhassem a sua missão de o manter dormindo.
Demora-se embalado no canto dos pássaros que ignoram ostensivamente a sua presença.
Sim, é paz que sente!

Levanta-se, demora-se a olhar-se ao espelho, reconhece-se.
Adivinha um sorriso a espreitar no canto dos seus próprios lábios.
Bem, se calhar está na hora...
Tesoura!
Vamos tratar do bigode!


É deste Algarve que gosto!

Bela caminhada!






sexta-feira, abril 22, 2016

Quando as estrelas se apagam*

David Bowie Jan 2016
Publiquei este texto a 11 de Janeiro.
Hoje(ontem) volto a pensar nele.

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É estranho

Quando pessoas famosas morrem.

Não nos são próximas. Não faziam parte do nosso dia a dia. Não trocávamos mensagens, nem telefonemas, nem lembranças no dia de aniversário. Não lhe comunicamos pensamentos, nem partilhamos segredos. Não lhes tocámos, não lhes falámos. Não havia qualquer espécie de reciprocidade.
Lemmy kilmister Dez 2015
E no entanto instala-se um vazio.
Há milhões de pessoas, pessoas anónimas, que se entristecem.

Como se o mundo ficasse um lugar diferente.
Como se ganhássemos consciência de que algumas pessoas são insubstituíveis, contrariando o que somos obrigados a pensar todos os dias - "não há ninguém insubstituível"! - como não???
Não há é quem se repita!
Em lugar nenhum!

Dever-se-á talvez à experiência estética? (boa ou má)
À emoção que ecoa, e ressoa em nós, face a esse outro, à sua obra, às suas ideias.
Somos mudados pelos outros, e sem dúvida, em maior ou menor escala, por quem "seguimos".
Omar Sharif Jul 2015
Revemo-nos nas palavras de um poeta, Apavoramos com o semblante do terrorista. Encantamo-nos com a música. 
Passam a fazer parte do nosso mundo interno, são personagem que nos habitam e evocamos sem dar por isso.

E quando uma pessoa famosa morre, "boa" ou "má", o mundo assume contornos diferentes sim.
Talvez porque haja esta consciência colectiva, do irrepetível, 
Talvez porque saibamos melhor entender as reacções dos demais. 
Há um antes e um depois, quase insignificante quando olhado com distância, que é reconhecido por todos.
Não é um drama pessoal.
Não doi, nem marca, da mesma maneira que a morte de quem nos é próximo.

É estranho…
BB King  Maio 2015
como se o recorte da paisagem que pisamos se tivesse modificado indelevelmente, uma mudança subtil, mas que faz com que o mundo seja percebido como diferente, com essa ligeira estranheza.
Como se faltasse de repente, na rua em que passamos diariamente, aquele prédio peculiar, em que nunca entrámos mas em que demorávamos o olhar e a curiosidade.
E depois, adaptamos-nos rapidamente. 
E o mundo mudou-se.
E voltamos-nos novamente para os que estão perto. Para os que nos dão os bons dias, para os que nos dão um beijo, para quem nos cruzamos, quer nos façam bem ou mal, quer deles gostemos ou não, Para aqueles que nos reconhecem. E sentimo-nos responsáveis por aqueles que cativamos.
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Manuel de Oliveira Abril 2015

*ideias partilhadas por mail esta manhã, fui escrevendo, para alguém de quem muito gosto, hoje no dia em que se tornou pública a morte de David Bowie

segunda-feira, abril 18, 2016

Meu corpo


Neste fim de semana estive no Porto a fazer um Workshop a que dei o titulo "Meu corpo, um barco sem ter porto?"  baseado neste poema tão rico de Ary dos Santos, que me apetece partilhar.
(no âmbito das Jornadas da SPPPG - Sociedade Portuguesa de Psicodrama Psicanalítico de Grupo - com o tema: "Das Falas do Corpo ao Corpo do Mito")


Meu Corpo


Meu corpo
é um barco sem ter porto
tempestade no mar morto
sem ti.
Teu corpo
é apenas um deserto
quando não me encontro perto
de ti.

Teus olhos
são memórias do desejo
são as praias que eu não vejo
em ti.
Meus olhos
são as lágrimas do Tejo
onde eu fico e me revejo
sem ti.

Quem parte de tão perto nunca leva
as saudades da partida
e as amarras de quem sofre.
Quem fica é que se lembra toda a vida
das saudades de quem parte
e dos olhos de quem morre.

Não sei se o orgulho da tristeza
nos dói mais do que a pobreza
não sei.
Mas sei
que estou para sempre presa
à ternura sem defesa
que eu dei.

Sozinha
numa casa que é só minha
espero o teu corpo que eu tinha
só meu.
Se ouvires
o chorar de uma criança
ou o grito da vingança
sou eu.

Sou eu de cabelo solto ao vento
com olhar e pensamento
no teu.
Sou eu
na raiz do pensamento
contra ti e contra o tempo
sou eu.

quinta-feira, abril 14, 2016

Procrastinação

Definição 1
Procrastinar é o ato de adiar algo ou prolongar uma situação para ser resolvida depois.
A procrastinação é um comportamento considerado normal ao ser humano, no entanto pode ser muito prejudicial quando começa a impedir o funcionamento de rotinas pessoais ou profissionais.
O verbo procrastinar é utilizado no sentido de negligenciamento de atividades, ou seja, quando um trabalho não recebe a devida atenção e importância que deveria, sendo deixado de lado para a produção de outras atividades menos importantes, por exemplo.


Definição 2 :
Publicar coisas pouco ou nada interessantes no Blog em vez de resolver as mil tarefas que se tem em mãos.


segunda-feira, abril 11, 2016

(In)Significante



A propósito de uma conversa de hoje...
Com alguém deveras significante! ;)

quinta-feira, abril 07, 2016

The leader (eu chamaria alicerces!) :)

The Leader, Carlos Farinha, 120 x 60 cm, 2016
Olha, estou aqui!
Estás a olhar para o tipo dos binóculos, não é?
Deixa estar…. olha!

Mas eu não sou ele.
Estás a ver aquele braço mais branco no intervalo das nuvens? É da miúda que estava encaixada nos meus ombros - estava assustada ela, achava que ia cair, passei o tempo todo a tranquiliza-la "eu seguro-te!" Nunca mais a vi. Nem consegues perceber a minha idade, na verdade quase nem se vê o meu corpo.
Mas acredita - estava lá!

O tipo dos binóculos...
Gosto muito do tipo dos binóculos!
Aliás por causa dele é que estava ali.
Estava a passar um mau bocado ele.
E houve um gajo que conseguiu uma cena brilhante!
Chamou a malta toda.
O tipo nem sabia que tinha tantos amigos.
Estava acagaçado, a vida parecia-lhe uma tempestade pegada.
A gente dizia-lhe que não, que havia cenas fixes, Que bebesse uns copos, olhasse para umas miúdas giras, que ouvisse boa música, que fosse apanhar ar. Mas nada!
Então esse gajo chamou-nos todos para mostrar ao tipo que ele era capaz!
Tremia como varas verdes. Mas não podia desistir com tantos braços (e pernas e cabeças, e vontades - nem eu sabia que magia tinham corpos estranhos enredados, que deixaram de ser corpos para se tornarem tronco).
E o tipo subiu - se tropeçou? Claro, pá! Mas a malta ajudou.

E havias de vê-lo quando lá chegou a cima! Estava cansado! Nem percebeu logo que tinha parado de chover. E a malta ficou toda tão contente! Por ele, para ele (e por nós vá - que isto também me fez bem ao Ego).

E sabes quem é que desapareceu sem deixar rasto (e para mim quem conseguiu fazer esta cena toda)?
O gajo que nos chamou e o fez subir.
Qual é que ele é?
Pois... esse gajo não ficou no retrato.




segunda-feira, abril 04, 2016

"Frida Kahlo" ou "a experiência do incomunicável"

"Se eu pudesse lhe dar alguma coisa na vida, eu lhe daria a capacidade de ver a si mesmo através dos meus olhos. Só então você perceberia como é especial para mim." Frida Kahlo


Olhem, eu cá pelo sim pelo não, vou dizendo aqueles que gosto o que sou e sinto!
:)

Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor

Mais sobre este quadro AQUI